sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Quem não Arrisca não Petisca

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Com os primeiros mares de Inverno a baterem à porta da Costa Sul as praias começam a ser “lambidas” por algumas ondulações, pena o limo que ainda continua presente em certas zonas da costa…


As primeiras chuvas do ano são sempre boas e todos os anos anseio por estas chuvadas que de uma maneira ou outra arrastam alguns nutrientes para o mar, é excelente para fazer abeirar uns peixes em certos pesqueiros e se isto tudo for acompanhado de alguma ondulação melhor ainda.
A chuva faz muita falta e principalmente aqui no Sul, a cada ano que passa é menos e mesmo assim ainda se vê por aí ignorantes que reclamam quando está um dia de chuva, pois digo a essas pessoas que chegámos a um ponto em que ninguém tem o direito de reclamar, nem com a simples e velha desculpa do (porra tinha de ser logo hoje) é que faz mesmo tanta falta que na minha opinião ninguém deve de reclamar e sim olhar para ela como uma coisa abençoada.


Bom, mas vamos lá à jornada que quase que não acontecia, não por causa da chuva que neste dia até nem foi muita (como sempre por aqui) mas sim por causa do vento, este sim era o meu inimigo nº1 para além do limo que tem permanecido na Costa.
Agora com as praias livres e limpas dos enfeites balneares, que quase metade do ano são entregues aos novos chefes do mundo e seus amigos que mandam e comandam o desenvolvimento de um turismo excessivo, agora já nesta altura do ano é mais fácil escolher uma praia para fazer uma jornada de pesca.
À última da hora lá decidi arrancar para a pesca e fiz ali duas sandes de nada com molho de coisa nenhuma para enganar o estômago e tentar fazer uns peixes durante o dia, quem não arrisca não petisca…


Posso dizer que este foi um dia com muita actividade por parte do peixe logo no início da jornada, entre Sargos e bailas muitas foram as devoluções que fui fazendo ao longo desta jornada e ao mesmo tempo tentava seleccionar uns peixes para levar para casa, decidi logo no início que bailas só levava se tivessem 30cm, como nenhuma das que apanhei tinha essa medida foram todas devolvidas embora algumas delas tivessem quase, ficam para outro dia 😉
Já os Sargos juntei 17 exemplares entre as 400 e as 800g, confesso que fiquei bastante satisfeito com o resultado desta pesca, com o que eu tenho ouvido falar por aí, acho que foi uma boa pesca…


Quando arrumo o peixe meto os maiores em baixo e os mais pequenos em cima ao contrário dos espertalhões que tapam os pequenos com os maiores.


Com a pesca já quase arrumada e com uma cana ainda montada, ao final do dia com o céu completamente encoberto lembrei-me (E se eu aguentasse aqui mais duas ou três horinhas a ver se cravo aqui um Robalo perdido) assim foi, aguentei-me ali mais 3 horinhas à espera de um velhaco que andasse por ali perdido ao entardecer, mas nada; foi em vão mas sem sentimento de culpa, porque quem não arrisca não petisca…



Material utilizado
Canas:  Cinnetic
Carretos:  Cinnetic
Linhas:  SkyLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic e MIMETIC nos estralhos
Anzois:  Hayabusa


Nas últimas marés grandes fui ali à Ria numa manhã apanhar uns lingueirões para fazer um arrozinho 😉  


Na apanha dos lingueirões e quando passava uma regueira com água pelo joelho saiu-me um choco à frente, encurralei-o ali numa poça e joguei-lhe as garras, começava bem esta ida à maré.
No dia seguinte foi o meu almoço, o choco que me desculpe mas um gajo tem de comer alguma coisa 😋

Saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Robalinho de S.Martinho

“Surfcasting”
Boas pessoal!
O frio chegou e as folhas já caíram, à medida em que o Outono se transforma no Inverno dá-me ganas de ir para a pesca e ficar por lá uns dias com ou sem peixe, pois o que eu gosto mesmo é de me sentir livre e desfrutar do contacto com a Natureza.

Parece que nos dias de hoje para se andar por certas zonas junto à Costa sem ver excesso de pessoas nas praias outrora desertas é preciso estar umas condições tipo “hardcore” como as que estiveram no dia em que fiz esta jornada.

Neste dia a exigência do mar associado às condições do pesqueiro pediam lançamentos longos, ou pelo menos eu tentava fazê-los mas nem sempre me saiam bem devido ao vento frontal que se fazia sentir, a ondulação pediu-me chumbadas de garras e eu dei-lhe, ou era isso ou então não pescava.


Foi uma jornada de pesca em que o objectivo nrº1 era relaxar dois dias e tirar algumas duvidas que pairavam na minha cabeça com um ponto de interrogação "???"
A noite apresentava-se fria e húmida, um vento moderado na cara prometia chatear-me a tempo inteiro, equipei-me a rigor para uma noite que se esperava difícil e sofrível, por vezes mesmo com chumbada de garras a força do mar arrancava a pesca do fundo e “cuspi-a” para fora, aconteceu pelo menos três vezes.

Neste dia só pesquei com uma cana porque achei que fosse melhor assim, as condições pediam atenção redobrada e pesquei apenas durante algumas horas.

Este foi o único peixe da jornada, que me deu algum trabalho e ao mesmo tempo vicio durante a sua cobrança, pois na altura em que o recuperava, um set com bastante força varreu a praia com uma forte corrente lateral obrigando-me a deslocar uns bons trinta ou quarenta metros para a esquerda a acompanhar o peixe, e quando pensava eu que o pior já tinha passado, aquela água toda escoou para fora através de um agueiro que fazia ali ao lado e o peixe aproveitou essa “boleia” claro, por momentos ainda temi o pior, pois tenho más recordações de perder peixe em condições semelhantes, com calma aguentei o velhaco e aos poucos fui diminuindo a distância que ficava entre mim e ele, quando o vi em seco foi um alívio do caraças e disse falando comigo mesmo que a pesca estava mais que feita, pois nunca pensei de apanhar um peixe bom com estas condições.

O mar deu luta mas eu não me rebaixei e quase no final da pesca tive a minha recompensa, no entanto; pouco tempo depois o mar subiu conforme as previsões anunciavam e quando a maré rodou o limo apareceu do nada e aí sim, não tive alternativa a não ser arrumar o material e ir descansar.


Material utilizado
Cana:  Cinnetic
Carreto:  Cinnetic
Linhas:  SkyLine 0,24 no carreto, chicote Cinnetic e SkyLine e MIMETIC 0,40 nos estralhos
Anzois:  Hayabusa

Para os estralhos uso sempre as linhas da Cinnetic, SkyLine ou MIMETIC, os diâmetros variam consoante o estado do mar e a morfologia do pesqueiro em questão.
Neste tipo de pesca quando o mar está a enrolar muito como foi o caso normalmente uso o MIMETIC, pois esta linha dificilmente enleia mesmo com estralhos compridos. Quando se trata de pescar de dia também tem os seus benefícios com linhas mais finas porque é um fluorocarbono e que tem um índice de refracção da luz muito idêntico ao da água, a linha MIMETIC tem também a particularidade de se afundar rapidamente e depois de submergida torna-se invisível ao olho do peixe, é bastante resistente à abrasão…


No dia seguinte e já ao entardecer antes de vir embora um mar violento varria literalmente a Costa tornando impraticável qualquer tipo de pesca ao nível do mar.


A última palavra cabe sempre a esta Majestosa Costa que se perde de vista no horizonte e que me faz sonhar tantas e tantas noites.



Mais uma apanha de lixo que tentava enfeitar a Natureza, uma saca cheia e mais qualquer coisa.



Hoje em dia todo o dia é dia de qualquer coisa, 90% deles passam-me ao lado, mas o dia de S.Martinho sempre gostei de celebrar com umas castanhas assadas e qualquer coisa para desembaçar, afinal de contas um gajo tem de comer alguma coisa não!!  😉

- No dia de São Martinho vai-se à adega provar o vinho.
- No dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
- Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho.
- Pelo São Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
- Óh meu São Martinho dá cá um Robalinho 😂

Saúde e força aí pessoal.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A Hora mudou e o Lobo atacou

“Surfcasting”
Pois é pessoal, com a mudança da hora achei que podia enganar algum Robalo, como os gajos não sabem que a hora muda e não têm relógio fui 1 hora mais cedo a ver se enganava algum 😂 (brincadeira claro)
Bem, neste dia desafiando toda a lógica fui para o spot onde tinha menos esperança, de vez em quando gosto de fazer umas investidas assim, por vezes até corre bem, outras nem por isso.

Não posso dizer que correu às mil maravilhas mas também já tive jornadas bem piores. O limo marcou alguma presença e acho que este Inverno me vai gorar algumas jornadas, vamos esperar para ver, mas o que me chateou mesmo foi o facto das chumbadas estarem a arear, logo no primeiro lançamento a pesca areou de tal maneira que não a consegui tirar, não estava à espera de tal situação e deixei a cana tempo demais a pescar, quando fui recuperar a chumbada recusou-se a sair e foi até partir claro, milagres só em “Fátima” e mesmo assim já não é o que era…
Pensava também que ia ficar por ali sozinho e tranquilo quando chegam dois pescadores “Olha afinal temos festa” disse eu em voz alta falando sozinho, o que me valeu foi um bico de pedra que estava ali perto e fez com que ficassem um pouco afastados, serviu de fronteira…


Depois de nova montagem feita, chicote e aquelas coisas todas voltei ao trabalho e daí em diante tive de estar alerta para evitar que as pescas areassem ou então arriscava-me a passar aquele tempo que tinha em mente para pescar a fazer novas montagens e a perder material. Ainda pensei em rumar a outro spot mas depois de dar tantas voltas à ideia resolvi ficar por ali mesmo.

Não tive descanso devido ao limo e ao “arear” das chumbadas e chegou a uma altura que já estava exausto, pois na pesca não se gasta só energia física como também mental. Já levava um bom par de horas a pescar quando os meus vizinhos abandonaram o local e bazaram, talvez pelo facto do mar estar a arear e de haver pouca actividade, foi neste instante que eu vejo uma das canas a bater e lá me saiu este Robalo já bonzito para enganar mais uma vez o fantasma do chibo que está sempre presente, fiquei satisfeito, guardei o menino dentro da saca e continuei a pescar numa noite que estava bastante húmida mas amena.

Ainda insisti mais algum tempo mas a única coisa que tirei foi uma baila e um pregado que foram ambos devolvidos, acho que nem medida tinham sequer.


Material utilizado
Canas:  Cinnetic
Carretos:  Cinnetic
Linhas:  SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,33 nos estralhos
Anzois:  Hayabusa


Pescar aqui proporciona-me momentos e experiências que me fazem viajar para longe do materialismo e interesses que me sufocam diariamente onde vivo.


Os odores emitidos pela Natureza e envolventes são como uma terapia para mim.



Bom mas agora falando de coisas sérias, um dia destes o amigo João Santana desafiou-me para irmos petiscar qualquer coisa e beber uns jarros de vinho, como estava livre não recusei e convidei também o Cristóvão (Mata Chibos) para se juntar a nós, fizemos mais uma boa pesca sentados à mesa a dar ao dente e entre outras coisas a falar de “pexe”.


Um gajo tem de comer alguma coisa 😋



Mais uma apanha de lixo trazido pelo mar.
Ao longo dos últimos anos tenho lutado bastante para manter os meus spots favoritos minimamente limpos, junto ao mar é complicado, é como remar contra a corrente porque o mar está constantemente a trazer lixo, já no cimo das falésias tal como nos aceiros e trilhos a coisa é diferente, o lixo que apanhei nos últimos anos, algum que certamente lá morava há mais de vinte anos, sítios que com quase toda a certeza nunca tinham sido limpos, por aqui a coisa até se tem mantido minimamente aceitável embora haja sempre vestígios de que tenha passado por ali algum Atrasado Mental.

Por hoje é tudo pessoal.
Já agora desejo um bom dia do Homem para todos (dia do Homem = dia de todos os Santos)
Saúde e força aí.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Dia de Aguídão, Robalo no Ceirão

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Estava ansioso por meter novamente os olhos nesta Costa, assim que cheguei à beira da falésia e vi o mar até onde a minha vista alcançava senti um consolo inexplicável, saí da carrinha e sentei-me numa pedra a matar saudades disto tudo enquanto olhava à minha volta, e que saudades que eu tinha de me sentar em cima de uma pedra daquelas tão confortável.

O Mar mostrava boa cor mas era um pouco forte, no entanto a tendência era para descer gradualmente ao longo da tarde e até lá tinha tempo para estudar bem a coisa, logo detectei um pequeno problema, é que nesse sítio exacto onde eu queria meter as canas a pescar tinha alguma “carência” de areia, o que não é normal nesta altura do ano, pois ainda mal não começou o “Inverno” e já isto está assim, pensei que meter as canas a pescar ali no meio de tantas pedras seria o mesmo que entrar numa rua perigosa, então acabei por ficar um pouco mais ao lado num fundãosito que mais parecia uma daquelas piscinas naturais em que os putos brincam no verão quando a maré está vazia.


Bom, mas já em acção de pesca o tempo foi passando e a actividade era nula, com o mar bom, maré boa, spot bom e peixe nada, é o mesmo que dizer (o canário é bonito mas não canta), cerca de 30 minutos mais tarde reparei que uma das canas afrouxara um pouco, bom afinal parece que já “pia” qualquer coisa. Peguei na cana e ao sentir que tinha lá peixe fui recuperando aos poucos, deu umas cabeçadas mas nada de mais e só ali na borda de água é que o Robalo teimou um pouco em separar-se do mar, mas teve de ser, vinha embuchado e por isso não lutou enquanto estava mais fora, Robalo guardado no ceirão e continuei a pescar mais algum tempo.

Um peixe solitário livrou-me o chibo nesta jornada, embora tivesse pescado cerca de mais uma hora e meia a seguir à captura a noite estava feita e não valia a pena pedir satisfações ao mar. Fiquei satisfeito, pois já precisava de uma noite destas, ar puro, paz e tranquilidade.
Agora anseio pelas noites húmidas e madrugadas frias de Inverno, noites de sofrimento mas que no fundo eu até gosto…



Material utilizado
Canas:  Cinnetic
Carretos:  Cinnetic
Linhas:  SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,40 nos estralhos
Anzois:  Hayabusa



Aguídões
Nesta altura do ano quando chove e no dia seguinte faz sol, normalmente dá-se o “desabelhar” das aguídas e aguídões, e foi o que aconteceu neste dia assim que o sol espreitou com força num ambiente ainda meio húmido e quente. Nos tempos em pescava em Vila Real de S.António conheci um velhote que me disse que nos dias que as aguídas desabelhavam ele apanhava sempre um bom peixe, como desde puto sempre gostei de conversar com os mais velhos porque acho que com eles aprende-se muita coisa sobre a Natureza nunca mais me esqueci de tal conversa, se é verdade ou não isso já não sei, mas o que é certo é que neste dia aconteceu…


Aguída


Aguídas


Com tanto tempo sem vir para estas bandas é claro que vinha cheio de força de vontade de fazer alguma coisa de útil pela Natureza, como sei que poucos ou nenhuns por aqui são capazes de apanhar lixo tive de calçar as luvas e meter mãos à obra.
Foi com toda a certeza a maior apanha de lixo que alguma vez fiz no mesmo dia.
É caso para dizer que é o meu record em lixo apanhado.


Neste dia a carrinha veio cheia, mas não foi de peixe.



Um dia destes combinei uma petiscada com os amigos João Santana e o Bruno Cavaco (Capitão) meti o avental e preparei uns “periquitos fritos à Lobo” 😂  afinal o pessoal tem de comer alguma coisa 😉 


Mesa pronta e tudo apostos para trincar uns tordos 😋


Neste final de dia ainda quente eu e o Capitão optamos por varrer ali uma boa teca de cervejolas enquanto o João lá teve que despachar a garrafa do tinto. Os petiscos com os amigos da pesca é outra forma de pescar e neste dia não foi excepção, também contámos velhas histórias e relembramos outros tempos, isto tudo claro sempre bem regado.
Pessoal por hoje é tudo, haja saúde e força aí…

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Revisão

“Spinning”
Boas pessoal!
Um dia destes resolvi fazer uma revisão às amostras, mais concretamente às fateixas = triplos, com o objectivo de trocar as que estivessem enferrujadas ou a “picar” mal, aproveitei também para substituir algumas argolas que por vezes também têm tendência para enferrujar.


São pormenores que nos podem sair caros se deixarmos as fateixas das nossas amostras chegarem a um avançado estado de ferrugem, e por mais cuidado que tenhamos com elas após cada jornada de pesca a ferrugem mais cedo ou mais tarde vai aparecer, é inevitável.


Neste caso, foi a vez de fazer uma revisão às Crafty 150F da Cinnetic, assim como aos passeantes Zig Walker 105, de um modo geral até estavam num estado que eu considero seguro, ainda assim resolvi trocar três triplos que já estavam a picar mal, substitui por fateixas da “Hayabusa”
Como se costuma dizer, o seguro morreu de velho 😉
Saúde e força aí pessoal.


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Recomeçar

“Spinning”
Boas pessoal!
Já havia uns meses que não vinha aqui escrever nada, não é novidade nenhuma para a grande parte de vocês que já sabe que eu não pesco no verão.
Como bom Algarvio de gema estou proibido de tirar férias no verão, sinceramente nem me passa pela cabeça cometer tal erro e acho que qualquer um sem ter de pensar muito sabe bem porquê.

Mas o tempo agora apesar de ainda estar quentinho já é outro, anuncia mudanças, os cheiros estão diferentes, os amanheceres são diferentes, a linha onde o sol roda já é outra e isto em conjunto com tantas outras coisas por vezes chegam a dar-me uma sensação boa e quase inexplicável (assim tipo aquela que tinha em miúdo quando começavam as férias grandes de verão e sabia que ia ficar meses sem meter os pés na escola e sem ver as bruxas das professoras que só me faziam a vida negra).


O relato que vos trago hoje para contar, foi uma simples jornada de spinning em modo de brincadeira só para ver se ainda sei mexer nestas coisas 😊  no mês de Setembro fiz aí duas ou três investidas para brincar à pesca e matar saudades, quando ficamos tanto tempo afastado deste mundo, qualquer simples ida à pesca mesmo sem grandes resultados já é bastante satisfatório, certamente que lá mais para a frente não vou ter a mesma opinião 😊

Neste dia em questão madruguei e fui ver o nascer do sol, andavam por lá umas bailas pequenecas e entre alguns ataques que tive ainda tirei duas que foram devolvidas, um pouco depois e já com o passeante (Zig Walker da Cinnetic) cravei este robalote kileiro que veio comigo e foi o almoço cá em casa nesse mesmo dia.
O simples ritual de lavar as mãos para tirar aquela “goma” que o peixe liberta sabe-me tão bem como respirar, depois de tanto tempo afastado do que me faz sentir vivo.

Material utilizado
Cana:  Cinnetic Crafty Sea Bass CRB4 3m
Carreto:  Cinnetic Cautiva Devil 4500
Linhas: multi  RAYBRAID 0,18 com terminal 0,40 Skyline da Cinnetic
Artificial: Passeante (Zig Walker 105F)


Cores do amanhecer


Os petiscos com o amigo João Santana este verão foram poucos, umas vezes por motivos de força maior e outras vezes porque não estávamos em sintonia, mesmo assim ainda demos ao dente umas poucas vezes e algumas até esquecemos da foto da praxe. Nesta tarde de calor a equipa de ataque fui eu, o João e o Capitão (Rei do Charroco) este homem até com o mata moscas ele apanha charrocos 😂


Neste dia levantei-me cedo e fui à maré onde apanhei lingueirões e também uns berbigões, depois do material babujar o dia todo, preparei uma frigideira onde fiz uma cebolada de marisco com alhos, juntei-lhe uns camarões que estavam esquecidos na arca e com um pão de kg ainda deu para beber uma grade com o Capitão, um gajo tem de comer alguma coisa 😉


Aqui a ementa foi conquilhas e berbigão só para desenjoar, tem que se comer alguma coisa 😉


Neste dia juntei-me com o João e o Cristóvão (Mata Chibos) foi uma noite engraçada com algumas histórias e risadas pelo meio bem regadas com muita bebida, o café fechava às 24h mas só demos por isso quando já eram 2:30 da manhã   hahahahaha


Algures na Ria Formosa


Ainda tirei uma Safata de 800g mas só em casa é que vi que o peixe tinha ficado com um escorrido de sangue, decidi não publicar porque acho que é um pormenor que fica muito feio.


Sabe tão bem uma cerveja gelada depois de vir da maré numa manhã de calor.
Pessoal por hoje é tudo, saúde e até à próxima, força aí…

quinta-feira, 30 de maio de 2019

***TUBARÃO*** Uma Força Demolidora

“Surfcasting”
Boas pessoal (amigos, leitores e seguidores)
Desde já vos aviso, preparem-se para ler 😊
Esta foi uma jornada do caraças. Tudo começou como sempre, a logística de preparar o material, decidir qual o isco a levar, estudar bem as previsões e escolher a praia mais indicada para a ondulação que estava naquele dia.
Cheguei bem cedo como eu gosto e fui espreitar duas praias que combinavam com aquele mar, o primeiro spot não me agradou nada e o segundo pouco ou nada me agradou, mas gostei mais da cor da água e decidi ficar por ali, pois não gosto de dar muitas voltas porque no fim quase sempre acabo por ficar numa das primeiras praias que vi, quantas e quantas vezes isso me aconteceu, então essa é uma asneira que eu já não faço…


Bom… Mas vamos lá à acção, sim acção; porque como eu disse no início esta foi uma jornada do caraças. Com os dois primeiros lançamentos feitos e as canas já a pescar sentei-me um bocado a beber um café com um chocolate, quando vejo uma das canas dar um toque e vergando logo de seguida, mas esperam aí; vergou mas vergou como eu nunca tinha visto, aquilo parecia um comboio a puxar a linha, preguei um salto e lá se foi o café e o chocolate, agarrei-me à cana que mais um pouco saltava do suporte e ia mar adentro a reboque daquela coisa, nunca tinha sentido uma força assim e aquilo fez-me disparar o batimento cardíaco a uns 200%, acreditem que por momentos fiquei sem saber o que fazer, depois daquela força demolidora me ter levado talvez uns 100m de linha SkyLine, assim como começou assim acabou e fiquei apenas com o peso da chumbada. 

Ainda sem saber ao certo o que tinha acontecido, recuperei e quando a pesca me chegou às mãos vi que aquela coisa me tinha cortado um 0,40 com os dentes. Pensando eu em voz alta claro (fonix mas o qué esta merda que anda aqui, será que foi uma anchova!!?) pois elas têm andado na zona, mas de repente  veio-me à ideia, epá isto deve mas é de ser os tubarões (tintureira) que andam aí, pois nesta altura do ano costumam encostar nestas praias…


Bom, mas o tempo passou e 2h mais tarde sem sinal de qualquer peixe estava eu muito bem descansado a comer uma batata-doce e nisto a mesma cana tóóómmmma lá vem o comboio outra vez, olhem que eu não sou de ir a correr para a cana, gosto de ver o peixe bater e ao mesmo tempo vou andando nas calmas em direcção à mesma, a não ser que haja pedras no pesqueiro, mas desta vez preguei um salto e lá se foi a batata-doce pó caneco também, agarro-me à cana e este parecia ainda maior do que o outro, começo a suar e as minhas pernas tremiam que nem varas verdes, com o drag apertado o suficiente para um 0,24 SkyLine que usava naquele dia, aquela força demolidora teimava em não abrandar e quase me vazava o carreto, de um momento para o outro deixei de sentir o peixe e agora já sabia o que tinha acontecido, recuperei e claro que a linha estava corta pelos dentes daquela coisa.

Naquele momento senti-me um pouco frustrado para não dizer muito, sentei-me cerca de vinte minutos a falar sozinho e a fumar um cigarro e outro e mais outro e só depois é que fui fazer um estralho novo mas desta vez com 0,50 SkyLine que era o mais grosso que tinha comigo neste dia…

Tudo ok e canas na água a pescar, entretanto já tinha passado mais um par de horas e nem sinal de peixe, pudera com aqueles predadores na zona nem um peixe que se aventurava a passear naquela praia, só se fosse algum camicase  😊 


A noite estava calma e serena, não se passava nada, eu pensava em sei lá no quê e quando olho para a cana da esquerda que ainda não tinha dito nada a noite toda, estava completamente dobrada (Óhh minha mãezinha, lá vem o comboio outra vez) pensei eu em voz alta e mais alguns palavrões pelo meio, corri para a cana e quando lhe pego o carreto zunia que nem um pião, pouco depois sinto uma pancadinha estranha e a bobine parou de rodar, coisa que nunca tinha sentido e acendo a luz para ver o que tinha acontecido, quando olho para a bobine estava completamente vazia (Áhh mãe qué iste móóó, NO LINE, onde é que eu já vi isto, agora quero ver como é que me safo desta) peguei na cana e o comboio continuava a puxar, a única coisa que eu podia fazer naquele momento era acompanhar o bicho e lá fui andando atrás do “comboio” entrando um pouco dentro de água tentando aguentar aquela força demolidora, linha para levar já não tinha, portanto das três uma; ou cortava com os dentes, ou partia tudo ou então vinha para terra custasse o que custasse. 

Os minutos foram passando e a linha sempre em tensão, havia momentos em que parecia que a pesca estava areada, deu-me a sensação que isto é bicho que se “deita” no fundo e eu com uma linha 0,24 não podia forçar em demasia, bom mas aos poucos aquela coisa lá começou a ceder, quando ele aliviava eu aproveitava e recuperava uns metros, volta e meia ele tirava-me dois ou três metros de linha mas logo de seguida eu recuperava cinco ou seis e assim lá fui conseguindo dar a volta ao resultado, mas sempre à espera do momento em que o velhaco me cortasse a linha ou que o nó do chicote rebentasse.

Entretanto já tinham passado quase trinta minutos e eu naquele momento só queria ter um bracinho direito suplente para trocar, pois as dores no braço já eram tantas que não sabia como haveria de agarrar na cana.
Com o Tubarão a entrar na zona de rebentação surgiam agora mais dois problemas, o nó do chicote que é o ponto mais frágil da linha e as escoas que não ajudavam em nada, sem ninguém na praia para me ajudar tive de me desenvencilhar sozinho, tentem imaginar o que foi aquilo (aguenta bracinho que já tá quase) eu só queria pôr os olhos no responsável por tal batalha e quando senti o nó do chicote a passar a ponteira pensei: (é agora ou nunca) aproveitei a ajuda das ondas que naquele momento estavam a meu favor e enrolei o máximo que pude, acendi a luz e lá estava o Tubarão com um palmo de água a tentar apanhar boleia da escoa, nem sabia como pegar naquilo para o puxar para cima, agarrei-o pelo rabo e arrastei-o pela areia até uma zona de segurança onde me deitei alguns minutos a olhar para aquele que foi um adversário formidável, não sei qual dos dois estava mais cansado, se ele ou eu. 

Agora tinha de o arrastar até à “base” onde tinha as minhas coisas, acho que me tinha dado menos trabalho se tivesse ido buscar a tralha toda para onde estava o velhaco, porra eu queria apanhar um peixe grande mas também não era preciso ser uma coisa assim…


Não sendo eu nenhum especialista em tubarões depois disto andei a pesquisar e cheguei à conclusão que lhe chamam vários nomes, tubarão tintureira ou tubarão azul, em outros países chamam-lhe tubarão bico doce, tubarão de focinho e tubarão vitamínico.


Neste dia o material foi posto à prova sendo levado ao seu limite máximo.
Depois disso houve tempo para tudo e mais alguma coisa, tirei umas fotos, disse palavrões, admirei-me, ri-me eu sei lá mais o quê…

Agora tinha outro problema, era levar o bicho até à carrinha, o Tubarão tinha um lombo mais grosso do que a minha coxa, não foi tarefa nada fácil e tive de fazer duas viagens, metê-lo na geleira claro que era impensável, com uma geleira tão grande que eu próprio fiz para meter peixes compridos e agora o raio do Tubarão não me cabe na geleira  😂

Agora imaginem se tivesse apanhado os três 😊
Uma coisa é quase certa, este vai ficar para a história, foi, é e será certamente o maior peixe da minha vida, media 1,62cm e pesava 21 Kg.
Assim sendo este é agora o meu novo recorde.


Material utilizado
Canas:  Cinnetic
Carretos:  Cinnetic
Linhas:  SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,50 no estralho
Anzois:  Hayabusa - H.OSN561



Bom mas depois daquele estrafego todo deu-me cá uma foméca que não vos digo nada, quando cheguei à carrinha lá tive de fazer uns ovos mexidos com salsichas para repor energias, um gajo tem de comer alguma coisa se não depois como é que tenho força pa puxar Tubarões 😂

 Pessoal aproveito para informar que vou fazer uma paragem de três ou quatro meses como já vem sendo hábito nesta altura do ano, quem me segue há já uns anos sabe que eu não gosto de pescar no verão por vários motivos sendo o calor e a confusão no Algarve o principal motivo.

 Termino assim esta temporada.
Tive dias bons, tive dias maus, tive dias de frustração total, tive noites húmidas e frias, geladas e desagradáveis, tive noites de não apanhar nada mas que só de estar lá já valeu a pena pelos cheiros, pelos sons e pela sensação que isto tudo junto provoca em mim, o escuro, o som do silêncio da noite, sair do saco cama às 3/4/5 h da madrugada com temperaturas negativas só porque estava na hora da maré e por vezes não apanhar nada, são tudo coisas que fazem parte e que me fazem sentir vivo, não me perguntem porquê porque eu nem sei responder…

Saúde e força aí pessoal.