“Surfcasting”
Boas
pessoal!
O Inverno
infelizmente está no fim, a época das tempestades acabou e a Costa Sul voltou a
ser o que sempre foi (uma piscina).
Esta foi
mais uma jornada de surfcasting feita debaixo de olho, digo isto porque
o mar ia descer de uma forma quase vertical a meio da noite e iria subir no dia
seguinte novamente, este ano tem sido quase sempre assim e algumas jornadas têm
sido feitas nos pequenos intervalos que o mar faz, então tinha ali umas horas
para poder pescar e a jornada passou-se entre a 1h e até o raiar do dia.
A pesca
nesta Costa é algo que me define e que me faz sentir vivo, arriscaria mesmo a
dizer que é viciante…
Cheguei ao
final da tarde para aproveitar a claridade e assim poder ler o mar e tentar
marcar o melhor sítio para meter as canas a pescar na hora em que o mar o ia
permitir, detectei várias correntes laterais naquela praia e não gostei porque
pareceram-me demasiado fortes, mas o facto de ainda ser cedo naquele momento
confortou-me um pouco, a carência de areia também se fazia notar em alguns
pontos, mas este era um aspecto facilmente contornável porque não coincidia com
as zonas que eu tinha debaixo de olho e que me agradaram à vista. Com as
coordenadas gravadas no meu GPS cerebral podia agora conduzir até um local
tranquilo e descansar ao som do silêncio da noite até à hora da festa.
Como não havia
por ali pescadores a olhar ao spot e tinha havido uma grande mudança nos fundos
não tinha necessidade de ir guardar o pesqueiro durante horas como já aconteceu
em jornadas anteriores e depois tinha um plano B debaixo de olho para no
caso de alguém se antecipar a mim.
À hora
prometida fiz-me ao pesqueiro pela calada da noite sem fazer grande alarido e
pouco tempo depois lá estava eu com as canas montadas e preparadas para atacar,
na primeira meia hora o mar ainda tinha alguma força mas com o passar dos
minutos pareceu-me que acalmou um pouco e lá começaram a sair uns pexecos, não
houve exemplares de tamanho considerável e em lugar destes havia muita miudeza,
o que não costuma ser comum em dias com estas condições, tive de me adaptar e
selecionar ao máximo as capturas que ia fazendo. Foram libertados cerca de 6/8
peixes que não tinham o tamanho mínimo desejado e com alguma dificuldade lá
consegui reunir alguns para trazer e dividi-los entre uma assada e uma fritada
cá em casa.
Pela manhã,
com a pesca feita e tudo arrumado aproveitei para dormir umas horitas no mato
sem barulho, acho que é uma das coisas que mais gosto nestas idas à pesca é
dormir no meio da Natureza onde os únicos sons que ouço são os dos pássaros e
dos ramos das árvores a rosarem uns nos outros.
Da parte da
tarde fui espreitar uns spots que ficavam ali perto e já de noite antes de
voltar para casa lá tive de fazer uma última visita ao faval que eu tinha debaixo
de olho, já estava nos restos e as favas já eram poucas e como não
sou garganeiro apanhei apenas algumas para acompanhar com uma fritada 😉 um
gajo tem de comer alguma coisa 😉
Ao longo do
ano a espécie alvo vai mudando como se da fruta da época se tratasse e como tal
está na altura de se apanharem umas Douradas, no entanto elas têm permanecido
perto da Costa nos últimos meses e saíram algumas durante o Inverno, como eu
não gosto de pescar no verão devido ao calor e à confusão para mim até é bom
que as Douradas andem por cá o ano todo e assim sempre vão compondo as pescas
quando os Robalos ou os Sargos faltam à chamada…
Estava eu a
recuperar uma das canas e a sentir que trazia lá um peixinho, quando de um
momento para o outro o peixinho parece que se transformou em peixão e deu uma
arrancada que quase me saltou a cana das mãos, foi uma cena que durou cerca de
dois segundos e parou de repente, por instantes fiquei assim tipo estátua a
tentar perceber o que tinha acontecido e voltei a recuperar lentamente, qual
foi o meu espanto quando a pesca chegou aos meus pés e deparei-me com isto (olha
já não basta serem poucos e pequenos que este ainda por cima só vem metade) 😊
Certamente
foi uma tintureira ou algo parecido, é normal predadores deste tipo aparecerem
em certas praias nesta altura do ano.
Linhas
usadas nesta jornada:
RayLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic
e SkyLine 0,40 nos estralhos
Não é
necessário guardar peixe demasiado pequeno com a velha desculpa do (dá para
fritar) como podem ver os sargos de dose também fazem uma boa fritada, estes
acompanharam as favas hoje ao almoço 😉
E as favas
acompanharam os Sargos 😉
Tive
inquilinos na varanda por uns dias, apanhei duas crias de Melro no jardim e
dei-lhes guarita temporária para as proteger dos gatos. A protecção que lhes
dei correu melhor do que pensei no início, os progenitores deram com os eles
num instante e foram incansáveis num vai vem constante durante dias a fio para
trazerem alimento aos seus filhotes.
Neste caso o
pai com alguma coisa no bico.
Aqui a mãe
com um petisco para os filhotes.
O pai com
mais uma lagarta.
Com licença
estou com pressa, os meus putos estão com fome.
E no final
tudo acabou bem, uma semana mais tarde quando me certifiquei de que as crias já
tinham asa suficiente para evitarem os gatos soltei-os e foram à vida deles…
Saúde e
força aí pessoal.






















































