segunda-feira, 19 de abril de 2021

Sargos Assanhados

“Surfcasting”

Boas pessoal!

Tal como muitos de vocês também eu estava com uma ressaca imensa de pesca, até estou habituado a ficar alguns meses sem pescar mas isso é na força do verão porque no Inverno sempre que as condições me convidam lá vou eu, embora o final da minha temporada esteja à vista ainda fui a tempo de fazer uma pesca de surfcasting aos Sargos, se eles pensavam que eu este ano não lhes ia fazer uma visita estavam redondamente enganados os “Casmurrões” J


Olha aí pessoal, novo carro de transporte para surfcasting por apenas 50 cêntimos, à venda em qualquer superfície comercial

Bom mas vamos lá falar de coisas sérias então…

Depois de estudadas as previsões e de reflectir sobre as mesmas lá decidi o que fazer neste dia, havia outras opções e quando é assim a escolha por vezes é difícil, torna-se um pau de dois bicos (“posso ir para aqui mas também posso ir para além, aqui posso ter limo, pois mas além posso ter pedra, entre uma e outra venha o diabo e escolha, para aqui faço só 50 km, pois mas para além faço 100 km ou mais”) e o pior do que ter duas escolhas só mesmo tendo três, ai minha mãesinha o que é que eu faço à minha vida…

A vontade de pescar era tanta que até já tinha saudades de puxar a pesca e encontrar a montagem completamente enleada e cheia de limo 😃

Se podia ter escolhido melhor, isso eu nunca vou saber, o que sei é que esta foi uma boa aposta e uma óptima escolha.


O dia começou fresco junto ao Mar e quando cheguei vi logo que havia limo mas que talvez deixasse pescar, a jornada ia ser trabalhosa isso eu já sabia, montei o material nas calmas e comecei a pescar sem pressas, no início a actividade era pouca e os poucos que teimavam em vir presos ao anzol eram libertados, pequenos sarguetes e bailinhas teimosas, mesmo a pescar com um anzol maiorsito era inevitável. 


De um momento para o outro entraram uns Sargos de boa bitola e a partir daí foi o ver se te avias, comecei a virar Sargos pequenos médios e grandes, os mais pequenos eram atirados ao mar sem olhar para trás, mal tinha tempo de tirar o peixe e limpar o limo da montagem, iscar e lançar novamente e já a outra cana de uma maneira ou de outra dava sinal de que tinha lá peixe, eram cerca de dez minutos que voavam num abrir e fechar de olhos, guardei o isco nos bolsos e fiz um buraco perto de cada cana onde ia juntando os Sargos que apanhava com cada qual, cheguei a ter as duas pescas fora de água e lembro-me de ter tirado três peixes de seguida com a mesma cana sem conseguir ir à outra, pois assim que lançava e a metia no suporte já estava a dar de sinal hehehehe foi a loucura.

Perdi a conta às devoluções mas certamente mais de uma dezena, apanhei uma dourada que mais parecia uma espinha com escamas, foi prontamente devolvida também, pois até ficava mal uma dourada magra e baça no meio destes sargos, ela que mude de aparência e coma a isca de alguém que a mereça.

Terminada a jornada cansativa aproveitei 22 Sargos e 1 Baila, quatro acima do kg e quatro de +- 800g, no final somou 23 peixes = 12 Kg

Hoje em dia com o excesso de informação que existe não é difícil fazer uma boa pesca ou apanhar bons exemplares, difícil é saber o porquê de se ter feito uma boa pesca, mas isso é um pequeno grande pormenor que só alguns entendem e que a muitos pescadores não lhes interessa porque isso são coisas que requerem muita atenção e tempo perdido, então voltarão ao mesmo local durante anos com o mesmo isco dezenas de vezes e pescarão da mesma maneira sem nunca mais conseguirem tal feito, porque não perceberam o porquê de naquele dia a jornada ter corrido tão bem, são consequências da informação fácil que as novas gerações de pescadores procuram…


Um peixe estrangeiro  

Tive a visita de uma família de cegonhas enquanto pescava

Neste dia aconteceu-me quase tudo, até uma encomenda de Marrocos eu recebi mas já vinha aberta, ainda pensei em fazer uma reclamação aos CTT 😂

As sobras do isco ainda deram para safar o meu jantar, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão!!! 😋

Tal como eu previa os vegetais já estão por aí, coisa que até já estamos habituados por aqui, enfim…

Pessoal por hoje é tudo, aproveitem a vida que ela foi feita para se viver e não para se ser escravo dela tal como a sociedade o quer que seja, era o que faltava...

Muita saúde e força aí…


 

sábado, 3 de abril de 2021

Momentos Esquecidos - 2

Boas pessoal!

Espero que se encontrem bem de saúde, porque psicologicamente devem estar assim tipo como eu, passados do rodízio, isto tem sido um jogo psicológico que mais se assemelha a uma tortura, enfim…

Resolvi remexer o fundo do baú mais um pouco a ver se encontrava aqui qualquer coisa que servisse para fazer um post de brincadeira e ao mesmo tempo entreter-me um bocado no fim-de-semana de Páscoa com muito pouca liberdade, juntei algumas fotos ligadas à pesca e vou tentar falar um pouco sobre elas…


A minha paixão pela pesca nesta zona despertou-me interesse desde sempre, ao longo dos anos a minha curiosidade moveu-me a explorar muitos kms desta costa a pé e de carro, percorrendo falésias, laredos, miradouros, praias, caminhos, trilhos, aceiros e sabe-se lá mais o quê, posso dizer que não existe um palmo de orla marítima por onde eu ainda não tenha passado nesta zona…

Por volta do ano de 2002 tinha muito o hábito de pescar em falésias, as espécies alvo eram: besugos, bicas, douradas, safias, choupas, parguetes, fanecas, etc… Volta e meia fazia umas mistas bem bonitas e fartas, mas outras vezes também levava uns bons barretes com dois ou três peixinhos apenas e às vezes nem isso, hahaha…


Um cantinho especial (porto da baleeira) há quem diga que esta terra é a minha segunda casa…


O verão de 2003 foi inesquecível, pelos bons e pelos maus motivos, nesta altura as falésias eram livres…


O infinito Mar tem qualquer coisa de extraordinário…

Esta foto foi tirada num spot que descobri há uns bons anos, com um acesso difícil de carro até ao topo mas com um aceiro fácil e brutal até ao pesqueiro, nunca cheguei a pescar por lá mas um dia vai acontecer, é a tal situação, não dá para ir a todas…

 

Em 2004 muitas douradas eu tirei neste pesqueiro, não eram grandes mas eram muitas e de boa bitola, na altura tirava fotos a tudo menos ao peixe e quando tirava era de qualquer maneira, imaginava lá eu que um dia iria ter um blog de pesca… 


Capelinha


Alguém a tentar a sorte...


2009 também foi um ano de extremos e mudanças, um ano de perdas importantes e de conquistas interessantes, com momentos bons e maus, com decisões difíceis mas acertadas…


Entretanto no meio de tanto gelo ali no fundo da arca lá encontrei estas três postinhas de peixe para trincar ao jantar, um gajo tem de comer alguma coisa, atão… 😊


 Protecção do Planeta

Não é de agora que se fala em proteger e proteger, reduzir e reduzir, fiscalizar e fiscalizar, no entanto as acções feitas para o efeito não me parecem as mais acertadas, mas o excesso de evolução e as mentalidades exageradas continuam a querer mais e mais, ou seja; continuam a querer dar um passo maior do que a perna, querem aquilo que não precisam e gastam o que se podia evitar gastar, pensei que tivessem aprendido a ser mais humildes e simples com o raio da pandemia mas parece que ainda não foi desta.

Pessoal muita saúde e tudo de bom para vocês, força aí…


 

sábado, 20 de março de 2021

Momentos Esquecidos - 1

Boas pessoal!

Sem ter nada de especial para publicar nem para contar como podem imaginar, mas com vontade de escrever alguma coisa aqui no blogue para me entreter e para não me esquecer nem perder o hábito, resolvi fazer um apanhado de algumas fotos (momentos) quase esquecidos que tinha para aqui, se não fossem as fotos que tiro porque gosto e para recordar um dia mais tarde haviam momentos que me esquecia com o passar dos anos, engraçado como uma foto de uma jornada de pesca ou de um pesqueiro consegue acender lembranças que estavam bem lá no fundo e quase apagadas…




Não vou falar do que estamos a viver, pois é assunto que já estou farto e já me enjoa, talvez a alguns de vocês também, não têm sido tempos fáceis para mim nem para ninguém eu sei…

Quando começámos a cumprir pena domiciliária logo me apercebi que a minha temporada estava condenada, fiquei de pernas e mãos atadas, senti-me frustrado, mais um Inverno que passa e muitos planos ficam por desenvolver e meter à prova, falo de pesqueiros, experiencias, e muitas outras coisas que tenho em mente fazer há anos mas que ainda não consegui, enfim…

Um dia sem querer descobri este pequeno paraíso, fiquei horas por ali a absorver toda aquela Natureza, o meu estilo de pesca em contacto com a Natureza tem-me oferecido dias e momentos inesquecíveis. 

Um chapim fazendo as suas acrobacias

Espreita

Poluição visual

Grutas

“Salão de chá”
Quantas e quantas noites dormi neste buraco abrigado da cacimba, saudades disto…

Uma foto quase esquecida do verão passado num petisco daqueles 5*****  com o João Santana.

Marisco, cerveja fresca e boa conversa, o que é que um Homem pode pedir mais.

Uma noite histórica com o Capitão

Quem me acompanha desde o início talvez se lembre ainda de quando fazia algumas publicações sem peixe, não eram relatos de pesca mas sim publicações de momentos como estes, na altura era o vício e a necessidade de escrever no blogue, neste momento estou a relembrar esses tempos, no entanto e como sempre o disse a pesca para mim é mais do que (apanhar muito) peixe.

Pode ser que um dia destes se estiver para aí virado faça outra publicação deste tipo.

Saúde e muita força aí pessoal.


 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

O Frio apertou e o Lobo atacou

Ora viva amigos, leitores e seguidores…

Havia bastante tempo que não publicava nada, não que tivesse abandonado o blogue, mas por outras inúmeras razões que não vale a pena aqui perder tempo a falar delas, aproveito para agradecer a todos os que me enviaram mensagens por estranharem a minha ausência no blogue e nos grupos de pesca.

Bom, mas para não me alongar demasiado que isto dava pano para mangas como se costuma dizer, vamos lá ao relato então…

“Spinning”

Para mim esta tem sido a temporada que menos vezes tenho ido à pesca, pouco ou quase nada diga-se de passagem, por várias razões como já o disse anteriormente.

Desta vez seria mais uma oportunidade que me passaria ao lado por causa do frio extremo que se fazia sentir naqueles dias, mas com um novo confinamento à porta (de “certa forma” por culpa dos otários que nos governam) e sabe-se lá até quando, então tive de escolher, ou enfrentava as noites geladas ou arriscava-me a não pescar mais este Inverno, sei lá eu o que aí vem.

O Mar baixava na semana mais fria do ano em Portugal e dos últimos anos em alguns sítios da Península Ibérica, o destino assim o quis, mas há alturas na vida em que o destino tem de ser contrariado, e esta era uma delas, enquanto o País dormia abrigado do frio eu esperava dentro do saco cama na carrinha que se fizessem horas de atacar no spot que tinha escolhido logo pela manhã bem cedo, a palavra conforto não pode fazer parte do vocabulário de um verdadeiro pescador de Inverno.

Enquanto descia apercebi-me que o mar tinha um toque a mais do que eu esperava, com os supostos pontos quentes marcados na minha memória naquela manhã já sabia onde iria apostar quando fossem horas, mas antes tinha de abastecer o estomago com uma comida bem quente e um copo de vinho, com o passar das horas a noite pediu-me para reforçar o agasalho e eu obedeci.

 Depois disso comecei o ritual do lança aqui e lança ali, trocava de amostra para ver se eles queriam alguma até que senti qualquer coisa na ponta da linha e fiz uma ferragem forte, mas era apenas um robalito que talvez já tivesse a desavergonhada medida mínima estabelecida por lei, era pequeno mas estava roliço o magano, lá foi ele à vida dele e eu continuei na minha a tentar não congelar as mãos com o frio, mais tarde tive um novo ataque mas este tinha outro poder e a musica era diferente, peixe ferrado e cana completamente dobrada, olhei para o céu que transbordava de estrelas e disse em voz alta (Agora sim, é disto que eu gosto) foi como se uma “Lua de Mel” tivesse começado, concentrei-me ao máximo para viver aquele momento de prazer sem fazer nenhuma asneira.

O velhaco que logo de início me pareceu ser da classe dos "pesos pesados" insistiu que queria ir para a direita e eu como não sabia o que estava do outro lado da linha e nem como estava ferrado tive que dar o benefício da dúvida e acompanhei-o, em boa hora o fiz, pois o bicho estava bruto e recusava-se a vir para terra, mas com calma lá meti o animal em seco e fiquei deslumbrado a olhar para aquele velhaco gordo, o frio por instantes transformou-se em calor, a noite estava ganha e a viagem tinha compensado, um misto de sensações boas que me fizeram acreditar mais uma vez que só apanha quem lá vai e que no conforto de casa não sai nada.

Depois de o guardar na saca voltei à carga mas não senti mais nada, entretanto a maré já estava numa altura que não me agrada muito e resolvi dar por terminada esta jornada com um belo Robalo gordo de quase 6 kg dentro da saca, adoro pescar ao surfcasting mas desde que apanhei o meu primeiro grande ao spinning a pesca nunca mais foi a mesma coisa…


Que bem que sabe uma sopa quente de feijão com chouriça nestas noites frias, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

No meu restaurante preferido

Uma decisão difícil, ficar dentro do saco cama ou ir lá para fora enfrentar a fera, nada que o velhinho CD mágico com o volume no máximo não resolva, a música é uma força sempre o ouvi dizer.

Quando acordei tinha gelo no vidro da carrinha 😱

O néctar dos Deuses que ajuda a aquecer nestas rigorosas noites de Inverno, obrigado amigo Zé Dias tu não falhas, lembrei-me poucas vezes de ti sim…

No dia seguinte no meu passeio habitual dei com esta pouca vergonha deixada por alguém que se intitula como pescador, que tristeza.

Para além do lixo daqueles anormais ainda trouxe mais algum, sempre que posso faço a minha parte.

Gangue dos céus


Por estas bandas onde outrora o pescador lúdico foi um ícone presente, hoje é visto quase como um criminoso ou um forasteiro indesejado por parte de “algumas” autoridades que fiscalizam actividades lúdicas nesta zona, mais uma mudança dos tempos modernos onde só o turista que tem muito dinheiro para gastar é que é bem-vindo, mas foi preciso anunciar-se o fim do mundo para voltar a ver esta Costa como era há 20 anos atrás, quase despida de gente tal como eu gosto, afinal nem tudo é mau e nem o dinheiro é tudo…

Muito mais tinha eu para dizer ou escrever aqui, mas não vos quero maçar muito.

Agora não sei quando voltarei a ir à pesca novamente, palpita-me que a temporada acabou, a cada ano que passa há mais entraves a juntar às difíceis e escassas boas condições, agora até horários para andar na estrada e ficar em casa já temos, uma sala de aula com vinte ou trinta alunos não faz mal, um gajo ir sozinho à pesca é que está mal, enfim... Deu para matar saudades deste estilo de vida que eu tanto gosto e com o brinde de apanhar um belo peixe.

Haja saúde para todos vós e não deixem lixo nos pesqueiros, portem-se bem. 


 

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Lobo do Mar 10 Anos (parte 2)

“Spinning”
Boas pessoal!
Tal como tinha dito no último relato, a próxima pesca que iria fazer teria como objectivo comemorar os 10 anos de existência do blogue “Lobo do Mar” para quem não leu fica aqui o link: Lobo do Mar 10 Anos (parte 1)
Pois é, então um dia destes fui matar saudades da pesca e de uma zona que eu tanto gosto e onde já não ia há bastante tempo. No início ainda ponderei se devia fazer um surfcasting ou spinning, como a logística para a pesca ao fundo é muito maior em termos de material a levar, isco, etc e nem sabia se ia conseguir pescar devido ao limo que já marca presença acentuada em certas zonas da nossa Costa, lá me decidi ficar pelo spinning, mesmo que a coisa não corresse de feição ao menos não ia carregado de material e nem desperdiçava “carcanhol” no isco.


Assim foi, modalidade de spinning escolhida, material e alimentação arrumado, carregar a carrinha e bora lá que a vida são dois dias e um já passou 😉
Embora eu deteste os dias grandes, nem tudo é mau pois dá para ver na maré da tarde como estão os pesqueiros. Depois do spot selecionado foi só esperar que se fizessem horas de dar aos braços e fazer uns lançamentos de que tantas saudades eu já tinha, o vento era incomodativo e inimigo o que me fez apostar em vinis mais pesados que as amostras para poder tirar mais rendimento dos lançamentos, acho que foi uma boa escolha porque os três peixes capturados nesta jornada foram todos ferrados lá fora. Ainda perdi um vinil, devolvi um robaleco pequeneco e tive um ataque bom mas que não ferrou, faz parte. Com o vento cada vez mais forte e o tempo a passar sem sinal de mais peixe no pesqueiro resolvi dar por encerrada esta jornada com uma boa sensação de dever cumprido e estava mais do que na hora de festejar os 10 anos na companhia de três bonitos Robalos, dois capturados com vinil e um com amostra.


Festa de anos sem bolo não é a mesma coisa e por isso decidi levar um com direito a velas e tudo, já agora porque não uma garrafa de champanhe também, não é todos os anos que se comemoram 10 anos, depois de apagar as velas lá tive de papar metade do bolinho com meia garrafa de champanhe para não embaçar, enquanto isso aproveitava o silêncio da noite onde se ouvia apenas o barulho do mar a espraiar lá em baixo, que saudades que eu tinha deste sossego.


No dia seguinte de manhã fui dar uma volta pela zona que está bastante bonita com as flores do campo a enfeitar a paisagem


Primavera


Aproveitei para dar uma limpeza ali em volta da carrinha, por agora ficou com melhor aspecto.



Arranja-se sempre qualquer coisa para enganar o estômago


Vinho para Homens de barba rija


Na parte da tarde fui dar um passeio para matar saudades 


Sempre disse que o turismo ia ser a destruição deste paraíso, mas por agora essa ameaça está em modo standby,  mesmo que não seja por muito tempo eu sei, nunca pensei voltar a andar por aqui como antigamente sem ver caminhantes nem turistas, afinal nem tudo é mau. Sei que o turismo é directa ou indirectamente o ganha-pão de muita gente, mas acho que o que é demais estraga e o turismo nos últimos anos tem sido demasiado aqui no Algarve o que na minha opinião faz com que os residentes locais percam qualidade de vida, pelo menos eu sinto esse efeito, a ver vamos o que o futuro nos reserva.
Um abraço e força aí pessoal.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Lobo do Mar 10 Anos (parte 1)

Boas pessoal, amigos, leitores, seguidores e espreitas…
Esta é a primeira parte de um post que eu já tinha em mente fazer há alguns anos, sempre pensei que se aguentasse o blogue activo até ao décimo aniversário, que faria uma publicação em modo de comemoração, pois então; aqui está ela.


Neste mês de Abril faz 10 anos que abracei o projecto de dar vida a este blogue, na altura tudo começou porque havia uma porrada de blogues de pesca em Portugal onde frequentemente se publicavam histórias e aventuras que o pessoal passava na pesca, uns com mais qualidade outros com menos qualidade mas o que o pessoal queria mesmo era ver e ler relatos de pesca, entre eles e sem querer mencionar nomes para não cometer o erro de me esquecer de algum, havia uma meia dúzia de blogues muito bons em que me inspirei naquela altura, então um dia decidi criar também o meu próprio blogue para partilhar algumas das minhas jornadas, no início era mais para mostrar aos meus amigos como corriam as minhas pescas, mas depois a coisa foi crescendo e hoje chegou a um patamar que eu nunca imaginei, quantos e quantos pescadores já me abordaram para falar comigo por me conhecerem através do blogue.

Serviu para fazer alguns amigos e conhecidos, bons amigos e bons conhecidos, mas também serviu para ver que as pessoas às vezes não são o que parecem ser, alguns fazem-se amigos quando precisam e depois quando pensam que já sabem tudo cospem no prato que comeram, enfim. Por uns pagam os outros e por isso tornei-me uma pessoa cada vez mais fechada no mundo da pesca, como dizia a minha bisavó; “Quem muito se abaixa o cú lhe aparece”.

A maior parte desses blogues que havia na altura abandonou a blogosfera por vários motivos, uns porque começaram a partilhar em outras redes sociais, outros apenas porque perderam o interesse, alguns porque deixaram de pescar com tanta frequência e outros porque não se queriam dar ao trabalho, porque isto de manter um blogue mais ou menos activo dá mais trabalho do que muito boa gente imagina.

O nome “Lobo do Mar” surgiu de uma forma natural, foi um termo que sempre utilizei com um antigo amigo e companheiro de pesca de há muitos anos e quando víamos algum pescador solitário fazer-se ao Mar fosse ele apeado ou de barco apelidávamos o gajo de “Lobo do Mar”, então sem ter de pensar muito o nome para o blogue estava mais do que escolhido 😊

Aproveito para agradecer a todos aqueles que me têm seguido assiduamente ao longo destes anos todos e também àqueles que só recentemente se juntaram a mim através do facebook, para todos vocês que perdem alguns minutos a comentar e até mesmo para aqueles que com um simples like dão a entender que gostam das minhas partilhas, Muito Obrigado a todos vocês…

Tinha em mente fazer uma jornada durante este mês para comemorar os 10 anos, mas com esta fase que todos nós estamos a atravessar não vai ser possível, fica a promessa de que quando isto tudo passar irei fazer uma jornada para comemorar e vou relatar aqui, com ou sem peixe 😉


Por agora entre outras ficam as saudades daqueles amanheceres de mãos geladas com espumeiros a caminharem uns atrás dos outros numa cadência certa por esses laredos fora e sempre na espectativa de cravar um bom Robalo, assim como olhar para as canas “espetadas” na areia em longas e compridas noites de Inverno à espera daquela porrada de um bom exemplar.
Saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Reflexões

Boas pessoal!
Esta tem sido uma temporada de pesca assombrada pelos mais diversos factores, definitivamente 2020 é aquele ano, ano de poucas pescas, ano que o mar não faz as feições que devia, ano de muito limo, e agora para terminar a temporada em beleza é o que todos nós sabemos, ou seja 2020 é um ano para esquecer. E não me venham com a velha história de que melhores anos virão porque eu já vou ficando com cabelos brancos e esses malditos anos nunca mais chegam, enfim…


Quando iniciei esta temporada, à partida já sabia que poderia ter de lidar com certos “elementos” e fracassar assim algumas jornadas, elementos esses que já se esperavam e outros que nem estou à espera mas que na véspera agoiram outras tantas jornadas, se pescar no Inverno em anos anteriores já não era fácil, este ano piorou mais um pouco (falo principalmente do mar e do vento que não se conciliam para fazer a feição na altura certa, falo do limo que não tem largado algumas zonas da nossa Costa e falo das capturas de qualidade que poucas vezes apareceram nas poucas oportunidades de pesca) e agora no início da primavera que um gajo ainda podia safar duas ou três jornadas é o que todos nós sabemos, a cada ano que passa é cada vez mais difícil encontrar bons exemplares e fazerem-se boas pescas…


O dono da rua.

Este hibernar humano obrigatório tem alguns efeitos positivos na Natureza, na Atmosfera e no Mar, isso todos nós já sabemos, hoje felizmente está de chuva por aqui, agora para aqueles mais distraídos já pensaram onde vão parar com a ajuda da chuva os milhares de litros de desinfectantes que se andam a espalhar nas ruas e quantos milhares de luvas e mascaras descartáveis irão dar à Costa nos próximos tempos!!?

Enfim; todos sabemos que a vida é feita dos mais variados ciclos, este certamente será mais um, espero que sirva para mudar algumas mentalidades mesmo que sejam poucas, pois mais vale pouco do que nada, espero que os mais egoístas e irresponsáveis sejam castigados e que os mais conscientes, humildes e honestos tenham as suas oportunidades depois de este caos passar…


Um sítio especial, tantas e tantas recordações que eu tenho desse spot, umas boas e outras más, mas são recordações que já mais esquecerei.

Por vezes estou em casa e principalmente à noite lembro-me de certas noitadas que fiz recentemente e outras já antigas, é uma sensação do caraças recordar aqueles momentos vividos e que por vezes parece que não passaram de um sonho.


Já que um gajo tem que estar em casa também tem de comer alguma coisa, atão!!! Umas “Migas à Lobo do Mar” para o jantar e para não embaçar lá vai uma garrafinha de vinho e às vezes mais qualquer coisa, ele há dias que custo a encontrar a cama, até medo eu tenho de ir lavar os dentes não vá um gajo encontrar uma operação stop no caminho do quarto pá casa de banho, nos dias de hoje o melhor é não arriscar porque os gajos ás vezes estão onde menos se espera 😂


Recordar é viver, Inverno de 2009, que saudades que eu tenho destes tempos em que o turismo ainda era uma miragem em certas zonas.

Moços, quem estiver a pensar em abrir um negócio, invistam numa loja de fraldas porque isto com o pessoal tanto tempo fechado em casa daqui a 9 meses há moços a nascer por aí que é um disparate, alguns até hão-de vir aos pares.
Por hoje é tudo, portem-se bem e cuidem-se mas não se esqueçam de cuidar também da Natureza e do Oceano.
Saúde e força aí.