terça-feira, 26 de abril de 2022

Ataques Madrugadores

“Spinning”

Viva amigos!

Não sei bem por onde começar este relato de uma pesca que quase não acontecia, mas vamos lá… De salientar que só fiz esta jornada porque uns dias antes a previsão era diferente e mudou à última da hora quando eu já tinha tudo preparado para arrancar. Então neste dia comecei por fazer o aceio da tarde com mar forte onde o vento lateral me atraiçoava os lançamentos e como se não bastasse vinha acompanhado de uma chuva miudinha que me lavava a cara e escorria pela barba, foram cerca de 3h de dedicação máxima sem qualquer resultado, caso para dizer que não havia vida no mar.

Fiz a subida já de noite e aquela chuvinha que caiu transformou-se em lama que escorria pelo aceiro abaixo e me fazia patinar a cada passo que dava. Quando cheguei à carrinha a chuva tornou-se mais forte e tive de preparar qualquer coisa para jantar naquele cenário desconfortante e sem o mínimo de condições para tal (Áhh queres pesca!!! Atão toma lá pesca!!!) “é fácil” depois de comer à chuva todo enrolado tinha outra missão que era despir o fato de neoprene e o corta-vento o mais rápido possível e arrumar aquilo tudo, tentar limpar-me à chuva todo nu e enfiar-me dentro da carrinha, aquilo filmado devia ter sido uma coisa engraçada de se ver, engraçado para vocês porque para mim não teve piada nenhuma. Já dentro da carrinha a salvo daquela borrasca apressei-me a vestir umas roupas quentes e espreitei as últimas actualizações do vento e do mar, as novidades não eram nada animadoras e deitei-me com a dúvida de se ia ou não fazer o aceio da manhã como tinha planeado…

Ás 4:30h tocava o despertador a avisar-me que estava na hora do ataque, o objectivo era começar a pescar às 5:30h mas a moral estava em baixo e o corpo ainda cansado de marés anteriores, abri o vidro da carrinha e assim que meto a mão de fora verifiquei de imediato que o vento não era o melhor, naquele momento já não chovia e as estrelas afastavam as nuvens para espreitar, quanto ao mar só mesmo arrumado a ele é que conseguiria ter alguma ideia de como estaria… Por momentos decidi abortar a missão e ficar dentro do saco cama em vez de ir apanhar mais um chibo, mas já estava acordado e desperto e não ia conseguir adormecer outra vez, lembrei-me que talvez nem tão cedo volte a poder estar aqui e olha que se lixe, uma coisa era certa; que ali deitado é que não ia apanhar mesmo nada, meti o CD mágico a tocar e saltei do saco cama, vesti o vadeador e sem comer nada lá fui eu por ali abaixo com a convicção de que ia ser mais um ZERO dos grandes para o meu curriculum, no entanto confortava-me a consciência de que pelo menos não fiquei deitado e fui à luta. No terreno e perto da rebentação apercebi-me de que as condições eram difíceis, o mar quebrava por fora e voltava a quebrar em seco novamente não me deixando aproximar o suficiente para tirar mais partido dos lançamentos e enquanto isso o vento continuava lateral.

Uma vez que ali estava não me restava outra solução a não ser adaptar-me às condições e lutar contra aquele mar que estava quase impossível para a prática do spinning mas que ao contrário estava um luxo para o surfcasting, isto da pesca é assim e às vezes fazemos as escolhas erradas.

Lançamentos uns atrás dos outros, muitos deles eram gorados ou pela força do vento ou pela força do mar, penso que a média era em cada cinco lançamentos haviam dois que vingavam e mesmo assim nunca conseguia lançar muito longe, até que ferro uma baila boa com o dia já quase a nascer, peixe guardado e pouco depois cravei o robalote mais pequeno da jornada que também guardei juntamente com a baila, pouco depois lá vem mais um robalete sem medida que foi libertado e a seguir veio outro que até parecia o mesmo ou então era irmão gémeo, peixe libertado e o mar entretanto mandava uns sets com tamanho e força que me obrigaram a fazer “porta de armas” durante uns minutos.

Assim que consegui lançar e meter a amostra na água a trabalhar bem já lá tinha outro robalote porreiro a debater-se, peixe cá fora e disse para mim mesmo que apesar de tudo já estava satisfeito com a pesca que tinha, pois nem me passava pela cabeça sentir aqueles peixes com as condições que estavam, mas ainda não tinha acabado e lançamento atrás de lançamento tentava fazer uma pesca melhor só que o mar teimava em dificultar-me a vida, no entanto; um a um lá fui compondo a saca com capturas não muito grandes mas de boa qualidade, pelo meio destes que guardei ainda tive mais dois que se desferraram ali aos meus pés, também faz parte destas lides e ao menos a ideia com que fiquei foi de que eram peixes da mesma bitola destes e não eram “os grandes” como já aconteceu no passado…

No final de tudo isto terminei com seis peixes na saca num dia de condições extremas para a prática do spinning, num dia que eu quase que ficava deitado no saco cama enquanto os robalos se passeavam lá em baixo, num dia em que tinha tudo para ser aquele dia mas que devido às fortes condições ou por má escolha minha acabou por ter sido um dia bom na mesma. No final doía-me o esqueleto, estava cansado mas satisfeito, esta foi uma daquelas jornadas que ficará para sempre na minha memória, não pelo que foi mas sim pelo que poderia ter sido e da forma como tudo aconteceu…

Natureza_01

Natureza_02

Lixo velho que foi deixado no sítio errado por alguém que está a mais neste mundo 

Desfiei umas poupas de baila que tinha sobrado do dia anterior e reguei com uma cebolada de alhos, azeite, açafrão e pimenta preta, um restinho de favas e está o jantar feito, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Com a chegada da Primavera já apetece fazer uns petiscos na varanda com o amigo João Santana

Haja saúde e força aí pessoal…

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Os Ovos da Páscoa

“Spinning”

Boas pessoal!

O Inverno já foi e os dias cresceram bastante, já têm muitas horas de sol para o meu gosto, não gosto dos dias grandes e detesto esta altura do ano, se pudesse trocava as estações de Primavera e Verão por mais duas estações de Outono e Inverno… Escolhi um dia para fazer uma jornada de spinning num daqueles laredos que já me deram alguns Robalos nos últimos anos, laredo de acesso bastante ingreme que tenho frequentado ultimamente e que já conheço as pedras que se atravessam no meu caminho, algumas até já têm nome.

O ataque estava previsto para o aceio da manhã e tudo indicava que ia ser rápido porque o mar ia subir consideravelmente de um momento para o outro, isto segundo as previsões, no entanto a descida e aproximação ao alvo foi feita ainda de noite. No plano que tinha em mente, havia uma zona onde queria lançar com amostras e outra onde tinha fé nos vinis, nos primeiros lançamentos perdi uma amostra matadora por aselhice minha, estava capaz de partir pedras à dentada, dei por mim a discutir comigo mesmo e a chamar-me todos os nomes, os ânimos exaltaram-se e ainda vi o caso mal parado, por pouco não me peguei comigo mesmo e depois queria ver como era, sem ninguém ali por perto para separar 😊😊 bom mas lá me acalmei um bocado e fiz as pazes comigo mesmo e ficou tudo bem, vá lá menos mal 😄😄

No meio daqueles entrilhados de pedra havia um rasgo com areia ligeiramente profundo e era aí que eu queria apostar nos vinis, cada vez que recuperava sentia o relevo do fundo sempre que parava o vinil e não demorou muito até cravar a primeira baila e que jeitosa que ela era, fiquei animado e logo no lançamento a seguir cravei outra também ela bem boa, ainda mais animado fiquei claro, fiz mais dois lançamentos sem sentir nada e ao terceiro tive outro ataque mas que não a consegui cravar e de um momento para o outro não senti mais nada, resolvi trocar de vinil e ao segundo lançamento com este levei uma bela mocada e um peso diferente a cabecear na outra ponta da linha mantinha a cana dobrada, a pouco e pouco sem lhe dar muita folga fiz com que viesse ao meu encontro, ele não gostou muito de me conhecer, já eu confesso que gostei mesmo de o conhecer, era um belo Robalo sólido e bem constituído que seria a última captura desta jornada.

De um momento para o outro o mar em alto e bom som dizia-me que dali em diante quem mandava era ele e quem sou eu para argumentar com o todo poderoso, já tinha uma pesca porreira e estava satisfeito, então decidi mentalizar-me que tinha muito para subir e lá fui eu por ali a cima onde um lindo rabirruivo-de-testa-branca abria-me caminho fazendo pequenos voos e pousando de pedra em pedra, até parecia que se estava a meter comigo o malandro, são momentos destes inesperados que adoro nestas minhas idas à pesca por estas bandas.

Já lá em cima fui bem recebido por mim mesmo com um café e claro uma fatia de folar, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Primavera_01

Primavera_02

Uma relação indestrutível que a cada ano que passa se torna mais sólida

Bem mas no dia anterior ao passar por uma horta que fica junto à estrada eis que algo me chamou a atenção, era um lindo carreiro de favas com um enorme abacateiro mesmo ao lado. Então resolvi adiar o regresso a casa para mais tarde e vir pela calada da noite e assim podia trazer mais qualquer coisa para compensar o preço a que está o gasóleo, fiz ali uma pequena paragem para encher um balde de favas e apanhar meia dúzia de abacates e tomei-os como oferecidos, pois atão 😉

Aí estão elas prontas para o ataque 😋

Rola juvenil solitária

Rola juvenil na companhia de um pardal, espécies diferentes a partilharem tranquilamente o mesmo espaço enquanto os humanos lutam e matam para serem e terem mais do que o vizinho…
Haja saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

O Lobo e a Raposa

“Spinning”

Boas pessoal!

Há uns dias atrás tinha em mente fazer uma pesca ao spinning a ver se apurava algum Robalo, no entanto o mar era muito onde eu gostava de ir pescar e não me restou alternativa a não ser escolher um buraco abrigado onde o mar não entrasse, para aí poder fazer uns lançamentos e matar o vício…

Acho que todos nós pescadores vemos as raposas como inimigas, pois estes animais podem estragar-nos uma noite de pesca assim que viramos as costas, no entanto neste dia confesso que me rendi, mas sobre isso já falarei mais à frente…

Momentos especiais por norma acontecem em sítios especiais e este buraco é um deles, sítio escolhido por centenas de andorinhas das rochas para nidificarem e passarem a noite nas fendas que estas paredes oferecem como abrigo , spot que conheço há muitos anos mas que poucas são as vezes que lá vou por ser bastante difícil de pescar e de cobrar o peixe…

O início da jornada não ia nada bem com a perda de um vinil ainda de dia e de uma forma ridícula, no entanto já tinha disfrutado da tranquilidade que reina por ali ao final da tarde e isso para mim é mais importante que tudo, restava-me concentrar no que estava a fazer e como nada acontece por acaso no momento em que vou separar a amostra da água há um robalote que aparece por detrás de uma pedra a uma velocidade tremenda e que não quis deixar para mais tarde o que podia fazer naquele instante atirando-se ao artificial com uma voracidade brutal, peixe que apesar de não ser grande deu-me trabalho por ter sido ferrado ali muito perto e ainda estar cheio de força, isto juntamente com a dificuldade do pesqueiro ainda foi qualquer coisa que até correu bem para o meu lado, naquele momento já me sentia satisfeito e uns lançamentos depois ferro outro robalote mas desta vez mais afastado, repetiu-se a dificuldade em metê-lo a seco por causa das pedras, mas com calma a coisa até correu bem mais uma vez e já tinha dois pexecos na saca, apesar da minha desconfiança mas sem certeza o resultado final estava ditado e veio a confirmar-se mais tarde…

Bom mas com dois pexecos porreiros na saca estava na hora de ir para cima dar ao dente, ainda era cedo e tinha tempo de sobra para preparar qualquer coisa quente para comer, uns ovos mexidos com batata, alhos e tomate empurrados com dois copos de vinho e que me souberam mesmo bem 😋

Agora vem a parte mais inesperada desta noite, com aquele cheiro dos ovos mexidos e tal quando dei por mim tinha uma raposa mesmo ao meu lado a cheirar-me as pernas, a minha primeira reação foi enxotar o bicho pois todos nós pescadores sabemos que este animal é especialista na arte de roubar, o problema é que por mais que eu a enxotasse ela não se ia embora e assim que lhe virava as costas ela vinha atrás de mim como se fossemos grandes amigos, rendi-me às circunstancias e quando dei por mim tinha a raposa a vir buscar comida à minha mão…

Nestas andanças da pesca já tive encontros com dezenas de raposas, algumas delas são mais manhosas do que os carteiristas, esta com certeza não é diferente das outras, apenas usa métodos diferentes para sobreviver e confesso que para mim foi uma experiência brutal ter um animal selvagem a comer na minha mão. Mas é preciso cuidado e lavar sempre bem as mãos depois de ter algum contacto com estes animais…

No dia seguinte o passeio da manhã não falha.

Efeitos da Primavera_01

Efeitos da Primavera_02

Ainda da semana passada, com um resto de uma baila e meia dúzia de favas que tinha sobrado consegui enfeitar um prato para desenrascar o almoço, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😉
Haja saúde e força aí pessoal…

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O Lobo e o Carneiro

“Spinning”

Boas pessoal!

Cá estou eu para contar mais uma jornada de spinning que foi preparada numa correria quase contra o tempo. Digo isto porque vinha de uma noitada de surfcasting num sítio oposto e bastante longe de onde fiz esta investida ao spinning, o resultado dessa noite foi fracote e não pela falta de peixe no pesqueiro mas sim pela qualidade, havia por lá muito peixe miúdo e depois de algumas devoluções lá decidi aproveitar meia dúzia de seis e trazer para uma fritada e não dizer que a viagem tinha sido em vão…

Cheguei a casa às 5h da manhã, deitei-me um pouco até às 8h e levantei-me para lavar o material de surfcasting e deixar tudo a secar em local abrigado, meti o material do spinning no ceirão e dei uma lavagem na geleira, de seguida fiz um assalto ao frigorífico e à dispensa e arrumei algumas coisas que tinha aqui em casa a empatar, isto parece tudo muito rápido mas quando dei por mim eram 12:30, comi duas pataniscas e bebi mais um café com uma bolacha e fiz-me à estrada porque tinha 2h de viagem pela frente que normalmente já costumam ser cansativas mas neste dia parece que ainda foram mais. Se podia ou deveria ter ficado em casa a descansar, até podia; mas as condições boas para a pesca não são quando nos dá jeito ou quando estamos de folga ou de férias, elas acontecem quando a Mãe Natureza quer e eu ou aproveito ou então resta-me esperar pela próxima oportunidade e isso pode demorar várias semanas ou até meses...

Durante a viagem fui pensando num spot onde iria investir e quando estava já quase a chegar ao destino começou a chover, passado pouco tempo chovia como Deus mandava e mantive-me no interior da carrinha a comer chocolates com café e a ouvir musica, a previsão era a chuva parar ao final do dia e assim foi…

Quando ia descer o laredo que estava escorregadio como se fosse manteiga dou de caras com um desgraçado carneiro que certamente desorientou-se e estava perdido, ainda olhei em volta mas não vi mais nenhum animal daqueles por ali, não sabia que também havia rebanhos de um 😄😄 fiquei com pena do bicho mas também não podia fazer nada por ele e nem perder mais tempo ou se não descia a “passerelle” já sem luz e naquele dia não era nada aconselhável fazê-lo, mas avisei-o logo (se não apanhar peixe e ainda estiveres aí quando voltar para cima já tenho almoço para o Domingo de Páscoa) 😂😂

À pala da chuva e do carneiro cheguei lá a baixo mais tarde do que eu previa, mas como diz o outro; mais vale chegar tarde neste mundo do que chegar cedo ao outro e é capaz de o gajo ter razão. Comecei a caminhar devagar pelas pedras de cana na mão e o cansaço acusava qualquer coisa, a moral até estava boa mas o corpo estava cansado e a pedir cama, até me doíam os músculos, mas como se costuma dizer (o prazer e a dor caminham lado a lado) então siga.

No início andei a bater uns entrilhados de pedra e logo ao 2º lançamento cravei uma baila já porreira e como estava no início da jornada decidi guardá-la a pensar que poderia cravar mais alguma ou até mesmo o tal robalo da praxe, continuei e mais à frente havia uma pequena coroa que eu tinha visto lá de cima ainda de dia e que me pareceu ter bom aspecto para acolher algum Robalo perdido, investi com bastantes lançamentos e várias amostras diferentes mas nada, já no regresso voltei a lançar nos entrilhados e tive dois ataques no mesmo sítio onde apanhei a baila mas não consegui ferrar, pareceu-me que fossem as bailas que andavam por lá…

Quando voltei para cima liguei a luz no máximo, coisa que é raro eu fazer, liguei só para ver se encontrava o carneiro mas não vi qualquer sinal do bicho, com uma pesca magra destas ainda ia fazer companhia à baila e lá tinha de o trazer comigo para almoçar do Domingo de Páscoa, atão 😂😂

Umas horas mais tarde tocava o despertador a dizer que estava na hora do 2º round, com uma preguiça gigante no corpo meti o CD mágico a tocar e abandonei o conforto do saco cama, pouco tempo depois estava cá fora na rua com uma humidade tremenda a preparar um reforço para aquecer o motor numa madrugada em que talvez 90% dos Portugueses estivessem debaixo das mantas, fácil (áh e tal aquele gajo tem uma sorte do caraças, apanha robalos todas as semanas) pois, mas não é deitado debaixo das mantas…

Cada dia é um novo dia e cada maré é uma nova oportunidade, depois de descer a tal passerelle escorregadia ainda de noite já estava novamente no “Território Lobo” a fazer lançamentos para o líquido e depois de tanto esforço veio o tal momento tão esperado e ao mesmo tempo tão inesperado de quando um Robalo ataca a amostra de uma maneira surpreendente e explosiva, tirei um peixe já porreiro e o objectivo estava cumprido pois pelos vistos estava limitado ao stock existente na zona mesmo com condições propicias a eles numa manhã que ainda se apresentava escura e que as nuvens teimavam em não deixar os primeiros raios de sol descobrir.

Nesta Costa quem impera são os elementos da Natureza e nós humanos temos e devemos de respeitá-los 

O resto do dia foi passado lenta e calmamente a dar uma arrumação na carrinha e no material de pesca que foi lavado com um garrafão de água que eu tinha de sobra. A missão ainda não tinha acabado e com a chegada da noite estava na hora de atacar novamente, mas desta vez em terra, nos dois últimos anos o maldito confinamento não me deixou ir ao faval fazer a maré mas este ano vinguei-me bem, trouxe um belo saco de favas e até uma alface que apanhei já no caminho quando me pirava 😆😆 não tenho por norma mexer naquilo que não me pertence mas quando se trata de favas não resisto, é mais forte do que eu, então lá apanhei umas favecas e tomei-as como oferecidas, não trouxe uma geleira cheia de peixe e nem o cabrão do carneiro que se escondeu de mim mas ao menos vim carregado para compensar o preço do gasóleo, pois atão… 

Prontas para atacar 😋 

E para acompanhar as favas está aqui a tal pesca medíocre que fiz antes desta jornada e da qual juntei a tal meia dúzia de seis entre uns sargotes e umas bailas pequenécas para não voltar de mãos vazias. Parecendo que não ainda deu para fazer uma bela refeição cá em casa onde só tive de comprar o vinho porque as zétonas foram oferecidas, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋
Haja saúde e até à próxima pessoal...

quarta-feira, 30 de março de 2022

Galinha Velha é que faz bom Caldo

“Surfcasting”

Boas pessoal, tenho andado bastante afastado desta vertente de pesca na praia, hoje escrevo para todos vocês claro mas com especial atenção para os amantes da modalidade de surfcasting que já me questionaram se tinha deixado esta vertente. Não, não deixei de pescar ao surfcasting e não pretendo fazê-lo...

Enquanto o sol ainda se espreguiçava por entre as lindas nuvens negras.
(Nem sempre podem ser os peixes os protagonistas da foto de apresentação de uma publicação)

O despertador tocou às 5h da manhã, acordar tão cedo até é uma falta de respeito pelo sono, ainda por mais quando foi uma noite mal dormida devido à ansiedade provocada pela dúvida de se ia ou não ia à pesca, pelo sim pelo não tinha ficado tudo preparado na véspera, era um dia daqueles que até o próprio café precisava de um café.

A Costa Sul do Sul foi abençoada por uma boa ondulação da qual eu já andava de olho e a monitorizar cada nova actualização, no início pairava a dúvida se ia apostar à noite ou na manhã seguinte, a previsão da queda do mar, da chuva, de trovoada e do vento mudavam constantemente, daí a minha incerteza no que fazer, são elementos que ditam o sucesso ou o fracasso de uma jornada de pesca, provocando a tal ansiedade que toma conta de nós (Pescadores), no meu caso receava fazer a escolha errada e perder uma oportunidade como esta que são poucas e não são quando nós queremos mas sim quando a Mãe Natureza entende que deve ser.

Neste dia esperava o melhor mas tinha de estar preparado para o pior, e o pior confirmou-se assim que dei os primeiros passos no areal ainda de noite e detectei logo a presença de grandes quantidades de algas, a maior dor de cabeça para qualquer pescador de surfcasting.

Não sei se os vegetais já estão por aí ou se vieram fazer uma visita de passagem, a única coisa que eu sei é que neste dia estavam lá em força e fizeram-me a vida negra e quase me tiraram a vontade de pescar.

Decidi montar apenas uma cana e ainda bem que o fiz, porque era impossível pescar com duas canas, em cada lançamento a linha ficava cheia de “alface” rapidamente e tinha de recolher a pesca ou ia dar com ela em seco a ser mastigada pela rebentação, de um momento para o outro começaram a entrar uns robalécos no pesqueiro e vieram acompanhados de umas bailas pequenécas, o insólito disto tudo é que descobri sem querer que o peixe não estava a pegar no isco fresco mas sim num isco que já tinha sido congelado e descongelado duas vezes e que por acaso só o levei como isco suplente, é caso para dizer que “Galinha velha é que faz bom caldo” como dizia a minha Avó…

Ainda safei a pesca com um total de oito peixes (sete robalos entre 1kg e os 2kg e uma baila), no decorrer da pesca ainda devolvi quatro bailinhas e já no final dois robaletes que penso que nem medida tinham e mesmo que tivessem a roçar a medida não os trazia, pois já tinha a pesca feita e não havia necessidade.

Então e depois de acabar o tal isco velho!!? Pois é, comecei a usar o fresco e por incrível que pareça não apanhei nem mais um único peixe que se aproveitasse. Uma coisa que eu estranhei foi a ausência de Sargos neste dia, o mar até estava bom para eles mas o certo é que não apareceram, talvez não fosse o dia deles ou então andaram por outras paragens, no entanto eu desconfio de um fundamento para essa ausência, mas vou precisar de mais algumas jornadas de pesca como esta para chegar a uma conclusão.

Foi uma jornada difícil, trabalhosa e apesar de ter safado uns pexecos foi uma pesca bastante chata e cansativa devido ao lixo que o mar trazia o que fez com que pescasse sempre sobre pressão, uma grande dúvida permanecerá; será que se tivesse mais daquele isco velho ou se não houvesse lixo e tivesse conseguido pescar com as duas canas tinha rentabilizado mais esta jornada!!? É daquelas coisas que nunca saberei…

Enquanto desmontava a cana e arrumava o material ainda fui brindado por uma boa chuvada, se gostei na altura!!? Não gostei, mas faz tanta falta que nem tive o direito de reclamar. No regresso à carrinha encontrei um “Cámon” acompanhado por um cão de respeito mas ao mesmo tempo com um ar amistoso e que me informou que no dia anterior estiveram lá uns pescadores e que não conseguiram pescar, pois nesse dia nem me passou a mim pela cabeça ir à pesca, e porquê!!? Porque já fiz essa asneira no passado e não volto a fazê-la, aprender com os próprios erros e com as experiencias que faço dá-me mais confiança com o passar dos anos para escolher o melhor dia para ir à pesca, no entanto há que ter sempre uma coisa em mente, é que a pesca não é uma ciência exacta…

Bom mas a missão ainda não tinha terminado e uma vez que a maré vazava ao final do dia e era de caminho aproveitei para fazer uma paragem ali num spot da Ria Formosa que já não ia há muitos anos, o material não era muito e já era quase de noite mas ainda safei umas ameijoinhas para o petisco 😉

E hoje
tive de fazer a baila para o meu almoço, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão
😋
Bom pessoal por hoje é tudo, acho que já me estiquei um pouco na escrita mas a malta que me tinha pedido um relato de surfcasting, já tem com que se entreter 😊
Haja saúde e força aí.

terça-feira, 22 de março de 2022

A Febre do Spinning

“Spinning”

Viva amigos!

Fizeram uns dias lindos de chuva aqui no sul do sul, continuo sem perceber porque muitos teimam em lhe chamar de “mau tempo” com tanta falta que a chuva faz, talvez por ignorância ou simplesmente por egoísmo, eu chamo-lhe de “bom tempo” mesmo que por vezes fique privado de fazer as minhas coisas…

Então depois de estudar bem as condições e escolher o melhor dia e local onde pudesse programar uma pesca organizei-me e lá fui eu, cheguei ao spot e decidi fazer um reconhecimento do terreno porque havia muito tempo que não ia para ali e com o passar do tempo e com as chuvas etc por vezes há derrocadas e gosto de saber como está o terreno que vou pisar. O objectivo era fazer o final do dia e à hora prevista fiz uma descida recheada de incontáveis raízes solidas que se atravessavam no trilho e quase me pregavam rasteiras.

Já a pescar a morfologia do pesqueiro obrigava-me a “saltar” algumas zonas onde não fazia qualquer lançamento porque tinha pedras à minha frente, nisto e quando menos esperava levei uma sticada tão de repente que nem tive tempo de fazer uma ferragem, mas pareceu-me um ataque de raspão ou talvez algum robalo zarolho que andasse por lá, fiquei lixado por não ter ferrado este peixe e ao mesmo tempo motivado por saber que havia vida por ali.

Cerca de uns vinte minutos mais tarde eis que tenho outro ataque e desta vez foi o velhaco que levou uma sticada nos queixos que até deve ter ficado almareado, peixe já bom que foi trabalhado por entre pedras e sucumbiu aos meus pés, depois de guardado faço mais alguns lançamentos no mesmo local e ferro outro, este mais pequeno e veio sucumbir exactamente no mesmo sítio do outro, voltei à faina e insisti cerca de mais 1h e nada. Finalizei esta jornada com dois Robalos já porreiros o que é bem melhor do que o tal cardume de um que me perseguia jornada atrás de jornada. Normalmente costumo dizer que tenho a cina; de que quando não ferro o primeiro peixe que sinto ou se desferra já não toco na escama nesse dia e acreditem que já me aconteceu muitas e muitas vezes, mas desta vez foi diferente e ainda safei a pesca…

Depois da pesca veio a hora do xop xop, e o prato da noite foi; carne de porco com batata-doce, alhos e ovo, um gajo também tem que comer alguma coisa, atão 😋

A “Febre do Spinning” tem a sua magia, de um segundo para o outro tudo muda e aquela sensação de vazio que tínhamos torna-se num momento de euforia e nervosismo bom quando temos um peixe na outra ponta da linha.

Nos últimos anos tenho tentado aprender o máximo acerca dos hábitos, costumes e tendência das minhas espécies preferidas, o Robalo tem sido a espécie na qual me tenho debruçado mais…

Momento de relax antes de fazer a viagem de volta para a selvajaria da cidade, vocês nem imaginam os kms que eu faço de um lado para o outro para ir à pesca e tentar encontrar um pesqueiro que faça uma feição razoável, atenção que estou a falar de centenas de kms e ao preço que está o gasóleo não se avizinham bons tempos.

Uma das minhas especialidades, lingueirões de cebolada/alhos para comer com arroz branco ou pão caseiro e vinho, até choram 😂😂
Por hoje é tudo pessoal, haja saúde e força para combater a maldade e o egoísmo que existe no mundo.
Força aí…