segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Escassas Oportunidades

“Surfcasting”

Boas pessoal!

Apesar de as oportunidades serem poucas para se poder pescar em certas zonas da nossa Costa, neste dia e nesta zona em concreto o Mar dava uma pequena trégua durante algumas horas que coincidia com a madrugada e início da manhã, em conversa com um amigo que faz bodyboard e que ia àquela zona um dia antes de mim, pedi-lhe que tirasse algumas fotos do spot com a maré vazia e me as enviasse. As fotos que ele me enviou agradaram-me e conhecendo o pesqueiro como conheço nem pensei em procurar outro, pois aquele estava 5* para fazer a pesca que eu queria.

Com a topografia do spot já na minha memória bastou-me chegar às 4h da manhã para começar a pescar às 5h como tinha planeado e fazer uma pesca curta até começar a entrar ondulação novamente. Com as canas a pescar comecei a sentir alguns pequenos sargos que me estavam a atrapalhar e a desfigurar as iscas que eu tinha preparado para os Robalos, o tempo passou e rapidamente se fez de dia e foi já na claridade que apanhei um bom Robalo que passou por ali à hora certa. Pouco tempo depois o mar anunciado começava a entrar e as muralhas de água quebravam umas atrás das outras, era hora de arrumar o material e “bater a asa”.

Está na altura dos anzois grandes e fio 0,grosso mm.

A experiência dos últimos anos diz-me que as oportunidades serão poucas, o Inverno aqui no Sul do Sul passa num abrir e fechar de olhos e as escolhas terão de ser acertadas, pois não há lugar para vacilar e muito menos cometer erros ou falhanços.

Neste dia ainda fui fazer uma pesca aos sargos à chumbadinha de cima da falésia onde em tempos fiz muito boas pescas mas que nos últimos anos tem-me falhado como as notas de mil, o objectivo era rentabilizar a viagem ao máximo mas o êxito foi pouco e apurei apenas dois sargos palmeiros…

No final ainda houve tempo para dar ao dente, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😊

Um chalé de madeira neste vale em cima de umas estacas e era feliz, longe da sociedade moderna e podre recheada de falsidade e interesses…

Mini cascata

Se em vez destes sapatos tivesse apanhado uns Sargos do tamanho dos mesmos tinha sido uma boa pesca

Solitário

Uma maré de berbigão e ameijoa canita aqui na Ria Formosa

Tinha aqui esta foto perdida da última santola que postei, com três cervejas e umas fatias de pão torrado foi um belo petisco.

Saúde e força aí pessoal.


 

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Nova Investida...

“Surfcasting”

Boas pessoal!

Um dia destes fui almoçar à casa do meu amigo Zé, um daqueles almoços que se estica até à hora do lanche ajantarado, aquilo é comer e beber até cair de cu 😃

Bom, conversa daqui e conversa dali acabamos por combinar uma pesca num dia que eu já tinha em mente. Ao longo da viagem fomos trocando ideias sobre o pesqueiro em que íamos atacar, previa-se um final de tarde nublado e o mar a cair, desta vez montamos um abrigo para comer e descansar um pouco a meio da noite e depois fazermos a viagem de volta em melhores condições.

Em pleno entardecer instalava-se uma bruma húmida que noticiava a noite que tínhamos pela frente, noite essa que começou com animação e pagode para a foto da praxe, mas sem sinal de peixe em qualquer uma das quatro canas, melhores condições não se podiam pedir. Este camarada foi quem me levou pela primeira vez à pesca tinha eu 10 anos, depois disso levou-me mais algumas centenas de vezes, hoje em dia sou eu que o levo a ele hahahaha... Entretanto a noite foi passando com poucas capturas para ambos e algumas devoluções, iscas diferentes, lançamentos a várias distâncias e até que resolvemos tirar ali um par de horas para comer qualquer coisa e esticar o esqueleto, na pesca pode-se gastar toda a energia até quase à exaustão sem obter qualquer resultado, mas também podemos apanhar um peixão daqueles que vai ficar na nossa memória para toda a vida como uma boa recordação daquele momento e são momentos desses que eu procuro na pesca, para além de outras tantas coisas boas que a pesca me proporciona.

De manhã cedo e já com tudo arrumado houve tempo para registar a minha parte, uma pesca com pouco peixe mas de bom tamanho como mostra a comparação, para a próxima será melhor mas também já foi pior, é o que todos nós dizemos quando não ficamos bem satisfeitos com o resultado final hahahaha...

Íamos com fé nas douradas mas só apareceu esta e calhou-me a mim, estes exemplares que já têm reservas suficientes para suportar o Inverno e a desova há muito que começaram a rumar à fundura do mar aberto e concentram-se por vezes em grandes cardumes/bolas.

Agora era hora da parte mais chata da pesca que é a viagem de regresso à Selva Urbana 😕

Bom mas nem só de pesca são os dias que passo junto ao mar, aqui neste caso e não no mar mas sim na ria aproveitei para fazer uma maré de búzios e canilhas…




Neste dia e aproveitando as marés vivas troquei os búzios pelos lingueirões

Um dia destes fui jantar à casa de um amigo e fiz um arroz de lingueirão à Lobo, gosto de deixar este arroz seco e acompanhar com salada de alface com muita cebola e uma garrafinha de tinto, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Bom pessoal por hoje é tudo, portem-se bem e até à próxima…


 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

De volta

“Surfcasting”

Boas pessoal!

Depois da minha habitual ausência que costumo fazer na altura do tempo quente e seco, cá estou eu de volta e um pouco atrasado eu sei, mas estou assim como o frio e os “dias de Inverno” que teimam em não chegar, apesar de alguma chuva que caiu e que tanta falta faz aqui no Sul do Sul.

Sinceramente pensei e repensei se tinha mesmo força de vontade de voltar a publicar as minhas jornadas de pesca aqui no blogue e apesar da vontade não ser igual à de outros anos decidi que ao menos vou tentar fazer algumas publicações (embora que talvez menos do que em anos anteriores) até porque ao preço que está o combustível e devido aos kms que faço cada vez que vou ao “meu” (Território Lobo) sou obrigado a estudar bem o caso para ver se me compensa ou não fazer essa despesa, enfim, como tudo na vida o que foi não volta a ser, no entanto tenho umas contas a ajustar com dois ou três Robalos que me ficaram aqui entravacados no garganil no ano passado e embora os velhacos tenham ganho aquela batalha não ganharam a guerra, eles logo as mamam, é preciso é calma, ao mesmo tempo aproveito para dar uma bofetada de luva branca e macia a alguns falsos “amigos” que me subestimaram, mas cada coisa a seu tempo como se costuma dizer…


Bom, mas falando de pesca decidi fazer uma pescasita de surfcasting e desafiei um grande amigo de longa data, talvez o maior culpado pelo bichinho da pesca que me corre nas veias. O Zé passou em minha casa à hora certa como já é habitual a pontualidade da parte dele e rumamos à praia escolhida, que apesar de não oferecer as melhores condições decidimos ficar por ali mesmo, pois naquele dia as saudades de estar naquele spot eram tantas que qualquer coisa servia para apaziguar a vontade de pescar e em vez de montar as canas perdi-me no tempo e fiquei a namorar aquele Mar imenso, até já tinha saudades de meter um chicote a estrear, com um estralho novo e uma chumbada das favoritas, fazer uma iscada daquelas perfeitas, lançar e quando vou esticar a linha pa meter a cana no suporte sentir que está presa numa pedra, que saudades que eu tinha daquilo hahahahaha…
Não começava da melhor maneira, mas ao menos estava a pescar e tinha a companhia de um dos melhores e o mais antigo parceiro de pesca que tenho…


Uma vez que estávamos perto da carrinha e o acesso era fácil, eu fui à frente preparar alguma coisa para aconchegarmos o estômago e quando estava pronto fiz de sinal ao Zé para vir dar ao dente, preparei uns ovos mexidos com atum e tomate e um copo de vinho claro, que naquele ambiente de pesca ainda soube melhor…

Esta foi a minha conta nesta jornada, foi o que se arranjou numa noite de pouca actividade por parte do peixe, foram poucos mas bons, ainda tirei duas douradinhas desavergonhadas mas foram devolvidas, elas estavam boas, boas mas era para crescer no Mar. Parece-me que os vegetais este ano vieram para ficar, a cada ano que passa está pior e é uma situação que me preocupa bastante, pois já perdi a conta das jornadas que cancelei por causa das algas…

As marés aqui pela Ria Formosa vão a bom ritmo, neste aspecto não me posso queixar, de uma maneira ou de outra vou arranjando sempre um mariscote para o “petisco” (lingueirões)

Berbigão

Santola

E é claro que um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😆

Uma cebolada de lingueirão à Lobo, até vocês choravam se provassem isto 😂

Bom pessoal por hoje é tudo, já deu para entreter e reavivar como se mexia aqui nas funcionalidades do blogue. Esta vai ser uma temporada ainda mais curta do que as anteriores, pois o Outono/Inverno por aqui cada vez são mais curtos e a Primavera/Verão são cada vez mais longos infelizmente…

Portem-se bem e até breve, força aí…


 

terça-feira, 26 de abril de 2022

Ataques Madrugadores

“Spinning”

Viva amigos!

Não sei bem por onde começar este relato de uma pesca que quase não acontecia, mas vamos lá… De salientar que só fiz esta jornada porque uns dias antes a previsão era diferente e mudou à última da hora quando eu já tinha tudo preparado para arrancar. Então neste dia comecei por fazer o aceio da tarde com mar forte onde o vento lateral me atraiçoava os lançamentos e como se não bastasse vinha acompanhado de uma chuva miudinha que me lavava a cara e escorria pela barba, foram cerca de 3h de dedicação máxima sem qualquer resultado, caso para dizer que não havia vida no mar.

Fiz a subida já de noite e aquela chuvinha que caiu transformou-se em lama que escorria pelo aceiro abaixo e me fazia patinar a cada passo que dava. Quando cheguei à carrinha a chuva tornou-se mais forte e tive de preparar qualquer coisa para jantar naquele cenário desconfortante e sem o mínimo de condições para tal (Áhh queres pesca!!! Atão toma lá pesca!!!) “é fácil” depois de comer à chuva todo enrolado tinha outra missão que era despir o fato de neoprene e o corta-vento o mais rápido possível e arrumar aquilo tudo, tentar limpar-me à chuva todo nu e enfiar-me dentro da carrinha, aquilo filmado devia ter sido uma coisa engraçada de se ver, engraçado para vocês porque para mim não teve piada nenhuma. Já dentro da carrinha a salvo daquela borrasca apressei-me a vestir umas roupas quentes e espreitei as últimas actualizações do vento e do mar, as novidades não eram nada animadoras e deitei-me com a dúvida de se ia ou não fazer o aceio da manhã como tinha planeado…

Ás 4:30h tocava o despertador a avisar-me que estava na hora do ataque, o objectivo era começar a pescar às 5:30h mas a moral estava em baixo e o corpo ainda cansado de marés anteriores, abri o vidro da carrinha e assim que meto a mão de fora verifiquei de imediato que o vento não era o melhor, naquele momento já não chovia e as estrelas afastavam as nuvens para espreitar, quanto ao mar só mesmo arrumado a ele é que conseguiria ter alguma ideia de como estaria… Por momentos decidi abortar a missão e ficar dentro do saco cama em vez de ir apanhar mais um chibo, mas já estava acordado e desperto e não ia conseguir adormecer outra vez, lembrei-me que talvez nem tão cedo volte a poder estar aqui e olha que se lixe, uma coisa era certa; que ali deitado é que não ia apanhar mesmo nada, meti o CD mágico a tocar e saltei do saco cama, vesti o vadeador e sem comer nada lá fui eu por ali abaixo com a convicção de que ia ser mais um ZERO dos grandes para o meu curriculum, no entanto confortava-me a consciência de que pelo menos não fiquei deitado e fui à luta. No terreno e perto da rebentação apercebi-me de que as condições eram difíceis, o mar quebrava por fora e voltava a quebrar em seco novamente não me deixando aproximar o suficiente para tirar mais partido dos lançamentos e enquanto isso o vento continuava lateral.

Uma vez que ali estava não me restava outra solução a não ser adaptar-me às condições e lutar contra aquele mar que estava quase impossível para a prática do spinning mas que ao contrário estava um luxo para o surfcasting, isto da pesca é assim e às vezes fazemos as escolhas erradas.

Lançamentos uns atrás dos outros, muitos deles eram gorados ou pela força do vento ou pela força do mar, penso que a média era em cada cinco lançamentos haviam dois que vingavam e mesmo assim nunca conseguia lançar muito longe, até que ferro uma baila boa com o dia já quase a nascer, peixe guardado e pouco depois cravei o robalote mais pequeno da jornada que também guardei juntamente com a baila, pouco depois lá vem mais um robalete sem medida que foi libertado e a seguir veio outro que até parecia o mesmo ou então era irmão gémeo, peixe libertado e o mar entretanto mandava uns sets com tamanho e força que me obrigaram a fazer “porta de armas” durante uns minutos.

Assim que consegui lançar e meter a amostra na água a trabalhar bem já lá tinha outro robalote porreiro a debater-se, peixe cá fora e disse para mim mesmo que apesar de tudo já estava satisfeito com a pesca que tinha, pois nem me passava pela cabeça sentir aqueles peixes com as condições que estavam, mas ainda não tinha acabado e lançamento atrás de lançamento tentava fazer uma pesca melhor só que o mar teimava em dificultar-me a vida, no entanto; um a um lá fui compondo a saca com capturas não muito grandes mas de boa qualidade, pelo meio destes que guardei ainda tive mais dois que se desferraram ali aos meus pés, também faz parte destas lides e ao menos a ideia com que fiquei foi de que eram peixes da mesma bitola destes e não eram “os grandes” como já aconteceu no passado…

No final de tudo isto terminei com seis peixes na saca num dia de condições extremas para a prática do spinning, num dia que eu quase que ficava deitado no saco cama enquanto os robalos se passeavam lá em baixo, num dia em que tinha tudo para ser aquele dia mas que devido às fortes condições ou por má escolha minha acabou por ter sido um dia bom na mesma. No final doía-me o esqueleto, estava cansado mas satisfeito, esta foi uma daquelas jornadas que ficará para sempre na minha memória, não pelo que foi mas sim pelo que poderia ter sido e da forma como tudo aconteceu…

Natureza_01

Natureza_02

Lixo velho que foi deixado no sítio errado por alguém que está a mais neste mundo 

Desfiei umas poupas de baila que tinha sobrado do dia anterior e reguei com uma cebolada de alhos, azeite, açafrão e pimenta preta, um restinho de favas e está o jantar feito, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Com a chegada da Primavera já apetece fazer uns petiscos na varanda com o amigo João Santana

Haja saúde e força aí pessoal…

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Os Ovos da Páscoa

“Spinning”

Boas pessoal!

O Inverno já foi e os dias cresceram bastante, já têm muitas horas de sol para o meu gosto, não gosto dos dias grandes e detesto esta altura do ano, se pudesse trocava as estações de Primavera e Verão por mais duas estações de Outono e Inverno… Escolhi um dia para fazer uma jornada de spinning num daqueles laredos que já me deram alguns Robalos nos últimos anos, laredo de acesso bastante ingreme que tenho frequentado ultimamente e que já conheço as pedras que se atravessam no meu caminho, algumas até já têm nome.

O ataque estava previsto para o aceio da manhã e tudo indicava que ia ser rápido porque o mar ia subir consideravelmente de um momento para o outro, isto segundo as previsões, no entanto a descida e aproximação ao alvo foi feita ainda de noite. No plano que tinha em mente, havia uma zona onde queria lançar com amostras e outra onde tinha fé nos vinis, nos primeiros lançamentos perdi uma amostra matadora por aselhice minha, estava capaz de partir pedras à dentada, dei por mim a discutir comigo mesmo e a chamar-me todos os nomes, os ânimos exaltaram-se e ainda vi o caso mal parado, por pouco não me peguei comigo mesmo e depois queria ver como era, sem ninguém ali por perto para separar 😊😊 bom mas lá me acalmei um bocado e fiz as pazes comigo mesmo e ficou tudo bem, vá lá menos mal 😄😄

No meio daqueles entrilhados de pedra havia um rasgo com areia ligeiramente profundo e era aí que eu queria apostar nos vinis, cada vez que recuperava sentia o relevo do fundo sempre que parava o vinil e não demorou muito até cravar a primeira baila e que jeitosa que ela era, fiquei animado e logo no lançamento a seguir cravei outra também ela bem boa, ainda mais animado fiquei claro, fiz mais dois lançamentos sem sentir nada e ao terceiro tive outro ataque mas que não a consegui cravar e de um momento para o outro não senti mais nada, resolvi trocar de vinil e ao segundo lançamento com este levei uma bela mocada e um peso diferente a cabecear na outra ponta da linha mantinha a cana dobrada, a pouco e pouco sem lhe dar muita folga fiz com que viesse ao meu encontro, ele não gostou muito de me conhecer, já eu confesso que gostei mesmo de o conhecer, era um belo Robalo sólido e bem constituído que seria a última captura desta jornada.

De um momento para o outro o mar em alto e bom som dizia-me que dali em diante quem mandava era ele e quem sou eu para argumentar com o todo poderoso, já tinha uma pesca porreira e estava satisfeito, então decidi mentalizar-me que tinha muito para subir e lá fui eu por ali a cima onde um lindo rabirruivo-de-testa-branca abria-me caminho fazendo pequenos voos e pousando de pedra em pedra, até parecia que se estava a meter comigo o malandro, são momentos destes inesperados que adoro nestas minhas idas à pesca por estas bandas.

Já lá em cima fui bem recebido por mim mesmo com um café e claro uma fatia de folar, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Primavera_01

Primavera_02

Uma relação indestrutível que a cada ano que passa se torna mais sólida

Bem mas no dia anterior ao passar por uma horta que fica junto à estrada eis que algo me chamou a atenção, era um lindo carreiro de favas com um enorme abacateiro mesmo ao lado. Então resolvi adiar o regresso a casa para mais tarde e vir pela calada da noite e assim podia trazer mais qualquer coisa para compensar o preço a que está o gasóleo, fiz ali uma pequena paragem para encher um balde de favas e apanhar meia dúzia de abacates e tomei-os como oferecidos, pois atão 😉

Aí estão elas prontas para o ataque 😋

Rola juvenil solitária

Rola juvenil na companhia de um pardal, espécies diferentes a partilharem tranquilamente o mesmo espaço enquanto os humanos lutam e matam para serem e terem mais do que o vizinho…
Haja saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

O Lobo e a Raposa

“Spinning”

Boas pessoal!

Há uns dias atrás tinha em mente fazer uma pesca ao spinning a ver se apurava algum Robalo, no entanto o mar era muito onde eu gostava de ir pescar e não me restou alternativa a não ser escolher um buraco abrigado onde o mar não entrasse, para aí poder fazer uns lançamentos e matar o vício…

Acho que todos nós pescadores vemos as raposas como inimigas, pois estes animais podem estragar-nos uma noite de pesca assim que viramos as costas, no entanto neste dia confesso que me rendi, mas sobre isso já falarei mais à frente…

Momentos especiais por norma acontecem em sítios especiais e este buraco é um deles, sítio escolhido por centenas de andorinhas das rochas para nidificarem e passarem a noite nas fendas que estas paredes oferecem como abrigo , spot que conheço há muitos anos mas que poucas são as vezes que lá vou por ser bastante difícil de pescar e de cobrar o peixe…

O início da jornada não ia nada bem com a perda de um vinil ainda de dia e de uma forma ridícula, no entanto já tinha disfrutado da tranquilidade que reina por ali ao final da tarde e isso para mim é mais importante que tudo, restava-me concentrar no que estava a fazer e como nada acontece por acaso no momento em que vou separar a amostra da água há um robalote que aparece por detrás de uma pedra a uma velocidade tremenda e que não quis deixar para mais tarde o que podia fazer naquele instante atirando-se ao artificial com uma voracidade brutal, peixe que apesar de não ser grande deu-me trabalho por ter sido ferrado ali muito perto e ainda estar cheio de força, isto juntamente com a dificuldade do pesqueiro ainda foi qualquer coisa que até correu bem para o meu lado, naquele momento já me sentia satisfeito e uns lançamentos depois ferro outro robalote mas desta vez mais afastado, repetiu-se a dificuldade em metê-lo a seco por causa das pedras, mas com calma a coisa até correu bem mais uma vez e já tinha dois pexecos na saca, apesar da minha desconfiança mas sem certeza o resultado final estava ditado e veio a confirmar-se mais tarde…

Bom mas com dois pexecos porreiros na saca estava na hora de ir para cima dar ao dente, ainda era cedo e tinha tempo de sobra para preparar qualquer coisa quente para comer, uns ovos mexidos com batata, alhos e tomate empurrados com dois copos de vinho e que me souberam mesmo bem 😋

Agora vem a parte mais inesperada desta noite, com aquele cheiro dos ovos mexidos e tal quando dei por mim tinha uma raposa mesmo ao meu lado a cheirar-me as pernas, a minha primeira reação foi enxotar o bicho pois todos nós pescadores sabemos que este animal é especialista na arte de roubar, o problema é que por mais que eu a enxotasse ela não se ia embora e assim que lhe virava as costas ela vinha atrás de mim como se fossemos grandes amigos, rendi-me às circunstancias e quando dei por mim tinha a raposa a vir buscar comida à minha mão…

Nestas andanças da pesca já tive encontros com dezenas de raposas, algumas delas são mais manhosas do que os carteiristas, esta com certeza não é diferente das outras, apenas usa métodos diferentes para sobreviver e confesso que para mim foi uma experiência brutal ter um animal selvagem a comer na minha mão. Mas é preciso cuidado e lavar sempre bem as mãos depois de ter algum contacto com estes animais…

No dia seguinte o passeio da manhã não falha.

Efeitos da Primavera_01

Efeitos da Primavera_02

Ainda da semana passada, com um resto de uma baila e meia dúzia de favas que tinha sobrado consegui enfeitar um prato para desenrascar o almoço, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😉
Haja saúde e força aí pessoal…