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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Até ao último minuto

“Spinning”

Boas pessoal!

Há dias em que o mar pede surfcasting e me apetece fazer spinning, outros há em que o mar pede spinning e estou numa de fazer surfcasting, mas neste dia não, neste dia estava tudo em sintonia o que fez com que fosse uma jornada de muita “prazeria” na vertente de spinning…

No dia antes acabara de fazer uma boa pesca ao surfcasting onde consegui juntar uma bonita mista de peixe, mas mesmo ainda cansado não podia deixar passar a oportunidade de sentir uns peixes a corricar, no spinning o contacto com o mar é maior e mais intenso, acabo por percorrer uma vasta zona com vista diferente, é quase como que um passeio pela praia ou pelo spot, já no surfcasting sem querer acabo por ficar ali mais junto das canas por vários motivos óbvios, por vezes sinto-me prisioneiro das canas, se estiver a dar peixe tudo bem pois adoro pescar com isco e pode sair peixe mais variado, já se a actividade for fraca torna-se uma pesca um pouco secante…

À medida que as águas vão ganhando novas cores ao longo do ano devido muitas vezes à sua temperatura tem de haver uma pequena adaptação por parte do pescador de spinning, pois certas amostras que funcionam bem na Primavera e no Verão os peixes não lhe passam cartão no Outono ou Inverno, ele há outras que são um todo terreno e essas tornam-se mais fáceis de usar…

Neste dia que “só tinha 24h” decidi fazer horas extras, pois não estava fácil de dar com o peixe mas mesmo assim estava a curtir andar por ali, pescar desta forma requer determinação, teimosia e resiliência, se me tivesse dado por vencido nas primeiras horas de pesca tinha vindo de mãos a abanar para casa, pois foi uma pesca feita já no último minuto…

Chegava o último minuto da minha hora limite, aquele que supostamente seria o último lançamento e quando a amostra vem quase a chegar bem perto de mim prendo um robalo sem estar nada à espera claro, peixe jeitosinho e bastante energético ao qual eu não perdi muito tempo com ele e rapidamente o meti cá fora, pensando eu que seria um peixe de sorte e solitário, no entanto por descargo de consciência decidi  fazer mais cinco lançamentos e foi ao quarto lance que ferrei outro robalo da mesma bitola, desta vez mais longe e zuca cá para fora, guardei-o junto do outro e lanço novamente e começo a falar comigo mesmo, conversa de maluco onde o único que falava era eu claro, fazia as perguntas e dava as respostas e nisto toma outra vez peixe na ponta da linha, desta vez não era robalo mas sim a sua prima mais próxima, uma baila já kileira e irrequieta como é habitual desta espécie, juntei os três num cordão como fazia antigamente e voltei a fazer mais uns lançamentos, penso que tive dois ataques ou ferragens falhadas chamem-lhes como quiserem e pouco depois novo robalo preso a debater-se do outro lado e zuca cá para fora, depois disso seguiram-se talvez mais uns vinte lançamentos em várias zonas e sem sinal de mais nenhum peixe decidi então dar por terminada esta jornada que até acabou bem, para quem já ouvia o chibinho a berrar atrás das costas posso dizer que acabei com um saldo bastante positivo…

Material utilizado:

Cana: 3m

Carreto: 4500

Multi: 0,18

Amostra: Ariel Killer (Masato)

Olha aí pessoal estas belas ameijoas que apanhei um dia destes

Búzios de qualidade

Lindos

E ainda abri uns lingueirões na chapa para beber duas minis, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão!!! 😊

Haja saúde e força aí pessoal…


 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

ON

“Surfcasting”

Boas pessoal!

Espero que se encontrem todos bem, ou pelo menos dentro dos possíveis, falo assim porque eu sei que há sempre qualquer coisa que nos incomoda, faz parte da vida.

Depois da minha habitual longa ausência na altura mais quente do ano estou agora de volta para tentar fazer umas jornadas de pesca e partilhar aqui algumas delas, pelo menos aquelas que se justifiquem pelo resultado positivo. O tempo quente e ameno teima em não abandonar o sul do sul mas a mudança de hora acompanhada também pela mudança de tempo inspiram e convidam-me a programar umas idas ao Mar a fim de tentar a sorte. No entanto penso que será uma temporada curta, para além de já começar tarde nunca se sabe o que poderá acontecer, desde um Inverno demasiado rijo ou demasiado macio até a uma possível mudança na legislação entre outras tantas coisas, tudo pode acontecer e fracassar a temporada, mas cá estaremos para ver no que dá…

Então um dia destes houve uma mudança de tempo que originou boas condições para se tentar uns peixes, achei que podia programar a primeira jornada da época e assim foi, optei pelo surfcasting porque era o que o mar pedia.

Tudo começou com a arrumação do material à hora de almoço e depois a viagem até à praia escolhida, o objectivo era fazer o final do dia e umas horas noite dentro.

Depois das duas canas montadas com suas respectivas montagens e algumas (quase duvidas) de como se faziam os nós 😄 estava na hora de começar a apalpar o terreno e ver o que se passava por ali, mas antes faltava o ritual de abertura da época, mijar em cima das canas para afastar as bruxas e dar sorte para ter uma temporada recheada de bons peixes e escamas grandes 😉

O limo neste dia era pouco, acho que tive sorte porque depois vim a saber que no dia antes havia erva que era por demais.
Os peixes foram saindo a conta gotas, marcaram presença os Sargos e as Bailas, os mais pequenos iam sendo devolvidos e os de boa bitola guardados na geleira.

No final ainda consegui enfeitar a palete que me serviu de poiso com meia dúzia de seis peixes de 1,5L e diverti-me à maneira, depois de tantos meses sem tocar no material soube-me pela vida sentir aquela maresia nocturna. 😊

Tenho feito umas marés de búzios e canilhas aqui na Ria, é um marisco que me dá um vício enorme apanhar quando dou com eles a sério.

Canilhas de luxo.

Búzios de luxo.

Depois de limpos até cheiram a mar.

E para terminar enquanto o arroz de coentros apurava, sim porque um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😊

 Já tinha saudades de partilhar qualquer coisa do género aqui no blogue, embora saiba que o melhor da vida não é o que é partilhado mas sim o que é vivido.

Saúde da boa e força aí pessoal.

quarta-feira, 19 de março de 2025

O Último Reduto

“Spinning”

Boas pessoal Robaleiro!

Ainda nem saí de casa para ir à pesca e já ando a ver as previsões para planear a próxima ida 😄😄 nos últimos meses tem sido assim, entendi que este Inverno iria esforçar-me ao máximo para fazer umas boas pescas…

A pesca é uma aprendizagem constante seja ela em que vertente for, nesta temporada tenho investido muitos dias muitas noites e horas sem fim, tenho aprendido bastante principalmente no spinning e enganem-se aqueles que pensam que já sabem tudo, quando assim o sentirem pois nesse momento deixam de ser pescadores…

Este ano nem a costa sul do sul tem sido poupada dos mares de Inverno, o mar tem vontade própria e é tão teimoso quanto orgulhoso, os elementos da Natureza fazem o seu trabalho e impõem o defeso natural.

Num dia em que as nuvens deixaram o sol aparecer aqui na costa sul do sul, coisa que os Algarvios até já nem estavam habituados 😄😄 fui espreitar a costa só para ver com os meus olhos como andavam as águas, claro que a intenção não era pescar no Mar mas sim dentro da Ria a que eu chamo de “Último Reduto”, quando o Inverno mostra as suas garras é a única alternativa…

Cheguei ainda cedo ao spot e aproveitei para safar uma maré de boas amêijoas, caso o peixe não comparecesse já tinha o dia garantido com o marisco 😉😉

Mas antes de iniciar a pesca aproveitei para fazer um lanche porque aquilo de andar dobrado a cavar abre o apetite e um gajo tem de comer alguma coisa, atão 😆😆

No lado de lá o Mar “contradizia” com o lado de cá nos confins da ria, se do lado de lá o Mar rosnava no lado de cá na calmaria da ria adormecida o silêncio era absoluto e relaxante, apenas o vento e a mini ondulação provocada por este pareciam ter vida. Sinceramente podia pescar por aqui mais vezes, mas prefiro o Mar.

Neste dia optei por pescar com uma cana de 2,70cm mais propriamente a (Puncture 2,73cm da Hunthouse) pois acho que é um tipo de cana que se adapta melhor quando se pretende animar as amostras com toques de ponteira, depois de ter insistido com dois vinis que nem tão pouco foram ameaçados por qualquer peixe decidi trocar para um passeante, apesar de ser um tipo de amostra que proporciona boas sensações quando ferra um peixe não é a minha preferida, pois continuo a ser um apaixonado pelos jerks.

No entanto aqui dentro da ria os passeantes costumam funcionar bem tal como aconteceu neste dia em que consegui enganar um total de dez peixes, cinco robalinhos sem medida foram devolvidos, é normal haver muito peixe miúdo por aqui e essa é uma das razões pela qual não costumo pescar dentro da ria, no final ainda apurei quatro robalotes e uma baila para trazer comigo capturados durante a tarde e ao final do dia, a baila estava marcada penso que por um arpão, foi uma tarde bem passada com uns peixes porreiros e até confesso que nem estava à espera deste resultado e o melhor de tudo é que estive umas horas sem ver o pior inimigo do Homem que é o próprio homem…

Material utilizado:

Cana: Hunthouse Puncture 2,73m

Carreto: 4500

Multi: 0,18

Amostra: Passeante


Tal como tinha escrito ali atrás, antes da pesca fiz uma boa maré de amêijoas, escusado dizer que trouxe apenas as maiores e deixei lá as mais pequenas para crescerem.

O ouro da Ria Formosa

Bom pessoal por hoje é tudo, despeço-me com estes 2 kilinhos de amêijoa que é uma apanha que me dá bastante prazer quando tenho a sorte de dar com um cantinho forrado delas. 
Fiquem bem e força aí…

sexta-feira, 7 de março de 2025

De volta ao Território Lobo

“Spinning”

Boas pessoal Robaleiro!

Este tem sido um início de ano complicado para pescar junto ao Mar com boas condições, na vertente de spinning então é quase preciso que haja um milagre.

Já havia bastante tempo que não ia ao "meu" território Lobo, pois a Mãe Natureza não tem permitido com o seu defeso natural e com as maresias que têm feito por aí nas últimas semanas já me palpitava que não ia encontrar os pesqueiros em boas condições, assim sendo decidi antecipar-me ao problema e ir pescar em zona de laredos, nesse terreno ao menos já sei com o que posso contar e como pescar em cada um deles consoante o tipo de mar, maré e vento.

Cheguei ao final da tarde e as nuvens empoleiradas umas nas outras pareciam torres de fumo negro anunciando a chuva que as previsões davam para a madrugada seguinte.

Por aquelas bandas não se via ninguém e apressei-me a descer o laredo para começar a pescar no aceio da tarde, após os primeiros lançamentos e sem sinal de peixe prendi uma amostra nas pedras mas com alguma paciência lá a consegui soltar, já ia com 2h de pesca e ainda não tinha sido incomodado por um único peixe até que tive um ataque daqueles de cortar a respiração, fiz uma ferragem rápida e forte até senti as fateixas a raspar nas escamas ou na cabeça do velhaco, mas não tive sucesso e lá foi ele à vida, já não bastava não sentir nada durante horas que ainda por cima toca-me um peixe bom e não o consigo ferrar, ficou registado como uma libertação, mesmo que forçada…

Mais 1h se passou e já com menos água no pesqueiro tinha pouca esperança de apanhar por ali qualquer coisa até mesmo com a Atila que nada baixinho e já embirrava com as pedras, nisto levo uma pancada daquelas que não tive bem a certeza se era peixe ou pedra mas pelo sim pelo não fiz a ferragem e para minha surpresa era peixe que por sinal bem energético e que se debateu com umas boas cabeçadas, mas no meio de tanta pedra eu não podia vacilar nem lhe dar liberdade e com a cana ao alto obriguei-o a vir na minha direcção e desta vez com a sorte do meu lado um set naquele momento ajudou-me a meter este peixe em seco com facilidade, de vez em quando também tem de correr bem para o lado do pescador, por vezes acredito nas oferendas que o mar me dá por tamanho sacrifício e dedicação e esta com toda a certeza foi mais uma delas, não fiz mais qualquer lançamento e decidi subir para tomar um bom reforço e depois ir fazer a 2ªparte em outro laredo que costumo apanhar uns peixes com pouca água…

Já na carrinha aqueci uma sopa de grão com carne, chouriço e ovo para repor energias e a seguir fazer outro ataque, a minha avó sempre disse que um homem com fome não vai a lado nenhum e realmente tinha razão porque isto um gajo tem de comer alguma coisa atão!!! 😋

Nesta vez a pesca foi feita num laredo ali pertinho mas como a maré tinha pouca água podia pescar num bico de pedra mais avançado e daí tirar partido dos lançamentos para uma zona com melhor profundidade, mas ao início a ondulação vinha de seguida o que comprometia o sucesso dos lançamentos e resolvi esperar um pouco até que o mar deu uma xanada e aproveitei para fazer uns tiros, quando dei por mim já tinha peixe a bater e não sendo peixe grande rapidamente o trouxe até mim e encalhei-o nas pedras, era uma baila já jeitosa e foi para a saca.

Enquanto a prova dos nove se decidia a coberto da escuridão e num momento romântico em que o meu pensamento ainda namorava aquela linda baila eis que tive outro ataque mas que não ferrou, pareceu-me ser outra baila e uns minutos mais tarde tinha lá outra presa na Atila, esta mais pequena mas ainda assim foi fazer companhia à outra, pois não gosto que os peixes se sintam sozinhos dentro da saca.

Entretanto o mar já aumentara o seu tamanho e comecei a sentir umas pinguinhas na cara, sinal de que a chuva prometida se aproximava e perante previsões não há argumentos, obedeci à Mãe Natureza e decidi terminar por ali, ainda tirei umas fotos às bailas rapidamente e eram horas de dar à perna falésia acima mas antes ainda tinha de caminhar uns 100 m em pedras molhadas e escorregadias, as tais pinguinhas rapidamente se transformaram em pingonas e passados dez minutos chovia como Deus mandava, não demorou muito para que a água que a chuva despejava na encosta começasse a descer o laredo, houve uma altura que aquilo parecia as Cataratas do Niágara 😄😄, a lama escorregadia e negra atravessava-se no meu caminho e foi então que resolvi parar um pouco para descansar e quando olho às horas o relógio marcava 3:40h da madrugada, que belo horário para fazer este lindo passeio ao ar livre, se estava mal na cama claro que não, muito pelo contrário só que na cama não se apanham Robalos, nem mesmo com a tal sorte…

Material utilizado nas duas pescas:

Cana: 3m

Carreto: 4500

Multi: 0,18

Amostra: Átila (Hunthouse)

Depois de me ter despido debaixo de chuva arrumei tudo à pressa para  não me molhar ainda mais e deitei-me umas horinhas na carrinha para descansar o esqueleto, quando acordei fui recebido assim.

De seguida fiz um bom pequeno-almoço e segui viagem de volta à pasmaceira da cidade onde muitos dizem que tudo se passa mas que para mim não se passa é nada (casas, carros, barulho, confusão e muita gente falsa)

Haja saúde e até à próxima pessoal, força aí...

domingo, 19 de janeiro de 2025

Noites Gélidas

“Spinning”

Ora viva pessoal!

As noites gélidas dos últimos dias nada convidam a sair de casa para tentar a sorte, no entanto aqui o teimoso não quer ficar demasiado tempo sem fazer uma pesquinha e tive de arranjar alternativas e arriscar, depois de estudar bem a direcção da vaga e o seu período tracei um plano para quele dia…

O tempo estava frio e as casas salteadas pelos vales e encostas esfumaçavam pelas chaminés, um cheirinho a madeira queimada das lareiras entrava pela janela da carrinha meio aberta (gosto tanto daquele cheiro em dias frios) os piscos cantavam naquele final de tarde e as gentes locais preparavam-se para mais uma noite de frio abrigando os animais e fechando as janelas…

Nesta vez pesquei em dois spots diferentes, não gosto de mudar de sítio mas teve de ser devido ao volume de água que o pesqueiro ia perder.

No primeiro spot comecei a pescar ainda cedo e logo detectei alguma actividade na zona, este Robalo da foto a cima foi quem abriu o marcador, volta e meia tinha um ataque, alguns ferravam outros não, devolvi dois robalitos e ainda guardei três no total, para começar não estava mal e já dava animo para enfrentar o resto da noite…

Estava na hora de ir ali dar uma porradinha a outro pesqueiro porque neste já não se passava nada e a amostra já prendia demasiadas vezes nas pedras, mesmo a pescar com a “Atila” que é uma amostra que afunda muito pouco e não me estava a apetecer perdê-la, até porque esta menina ainda tinha trabalho para fazer naquela noite…

Entretanto e antes de mudar achei melhor fazer uns ovos mexidos com atum para evitar aquela sensação de fraqueza de que eu não gosto nada, o tomate quase congelado achei melhor pô-lo em cima dos ovos quentes, um gajo também tem de comer alguma coisa, atão 😋

Fiz me à estrada e quando lá cheguei ao segundo spot não vi pescadores, como eu gosto de pescar sozinho calhou bem, a cana já ia quase montada e foi só encaixar para começar a lançar, tirei o Robalote da foto em cima e depois de algum tempo sem sentir nada resolvi ir à carrinha guardar o peixe e fazer um café para aquecer o motor…

Material utilizado:

Cana: Hunthouse Puncture 2,73m

Carreto: 4500

Multi: 0,18

Amostra: Átila (Hunthouse)

Um café quente para empurrar o bolo-rei e mais qualquer coisa para aquecer o coração e a alma  😉

De seguida voltei ao ataque e durante cerca de 1h:30m sensivelmente estive entretido a fazer uns lançamentos onde ainda saíram mais uns pexecos kileiros…

O resultado final foi este, uns pexecos para compor a geleira, sei que a foto não é a mais apresentável mas neste dia teve de ser assim…

Uma foto de uma baila apanhada há uns dias que já quase caía em esquecimento (uma curiosidade, vários peixes que tenho apanhado esta temporada com marcas de ataques de outros predadores)

Um dia destes um passarinho ouviu por aí uma conversa e depois veio-me contar ao ouvido (Áh e tal aquele gajo tem uma sorte do caraças, até parece que os Robalos vão ter com ele)… Deixa-te estar aí em casa no sofá tapado com a manta que os Robalos logo vão ter contigo… E depois diz que sou eu que tenho sorte… 😆😆

Falésias que ditam a fronteira entre a Terra e o Mar.

Uma maré de berbigão da Ria Formosa para desenjoar dos búzios e das canilhas.

Depois do estágio desta semana acho que estou preparado para ir pá Sibéria de calções e blusa de alças 😂😂

Tinha aí uns planos para pôr em prática mas não está a ser possível, enfim é o Mar é quem manda e nós só temos que obedecer, se ele diz que não é não…

Por hoje é tudo pessoal, saúde e força aí….


 

domingo, 12 de janeiro de 2025

3 h da Manhã

“Spinning”

Boas pessoal!

Poucos dias se tinham passado da última investida na noite da passagem de ano e resolvi fazer um novo ataque, como a coisa tinha corrido bem naquele laredo resolvi voltar lá de novo a ver se tinha ficado por ali algum peixe comprido esquecido 😉

Há jornadas de pesca que são fruto do próprio dia, mas ele há outras jornadas ou outras capturas que são o resultado da experiência que se vai adquirindo ao longo dos anos, principalmente no que diz respeito ao conhecimento do pesqueiro em si, laredos como este com caneiros onde os Robalos se passeiam calmamente sem dar nas vistas dos seus predadores (nós os humanos) e ao mesmo tempo passam despercebidos das suas presas favoritas, esperando assim o momento certo para caçar pequenos polvos, camarões, cabozes e até navalheiras, presas que por sua vez tentam confundir o Robalo camuflando-se no seu meio envolvente. 

Depois de uma viagem de mais de 100 km cheguei ao spot no final do dia e dei uma olhadela ao mar para ver como estava a sua cor e tamanho, recolhi-me então aos meus aposentos para esticar e descansar o esqueleto que estava maçado de uma maré de búzios que tinha feito nessa manhã bem cedo, rapidamente adormeci e umas horas mais tarde acordei com uma foméca daquelas que só mesmo uma comida à homem consegue atamancar, sai uma feijoada quentinha com pão torrado e um copo de vinho, um gajo também tem de comer alguma coisa atão 😆

Logo de seguida uma cafezada com um Cardhu e uma melga prestes a aterrar na minha torta que também foi na virada, ninguém a mandou fazer-se de convidada 😄

Já perto das 3h da manhã e com muito cuidado tal e qual na última vez fui descendo aquele buraco que fica lá para os lados dos confins do mundo, desta vez o mar era menos o que me deixou logo de início mais descansado, pois não iria ter aquelas escoas nem os rebolos a baterem-me nas canelas.

Em acção de pesca não foi preciso esperar muito para uma baila bem jeitosa jogar-se à minha amostra, peixe cá fora e mais meia dúzia de lançamentos a sua irmã também comprou o bilhete de passagem do estado liquido para terra firme. Falando eu comigo mesmo (olha a coisa até nem vai mal, hoje é o dia das bailonas kileiras), pensava eu que era o dia das bailas pois não apareceu mais nenhuma.

Estava na hora dos Robalos marcarem presença também nesta jornada e sai um Robaleco já bom, fiquei satisfeito pois já tinha três peixes jeitosos ao spinning o que nos dias de hoje é bastante positivo, foi preciso esperar um bom bocado e fazer uma série de lançamentos até conseguir convencer o segundo Robalo a abrir a boca, este já maiorzinho do que o outro era um peixe energético e que me deu um gozo tira-lo por entre aquelas pedras.

Posso dizer que nesta noite o mar recebeu-me de braços abertos com quatro bons peixes, foi uma noite dançando e saltando de pedra em pedra.

Material utilizado:

Cana: 3 m

Carreto: 4500

Multi: 0,18

Amostra: Átila da Hunthouse

Já de manhã cedo antes de abandonar o local aproveitei para beber um café quente naquela manhã fria enquanto observava a beleza daquele sítio, sinto-me bem aqui, sou viciado nestas paisagens, neste cheiro, neste clima, mas ao mesmo tempo sinto alguma tristeza quando vejo que o turismo está a “estrangular” a verdadeira essência e magia destes spots, a excessiva exploração de algo tão potencial como lhe chamam será certamente a sua morte…

Liberdade

Mar

Búzios

Pessoal por hoje é tudo, haja saúde e portem-se bem 😏