quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A Hora mudou e o Lobo atacou

“Surfcasting”
Pois é pessoal, com a mudança da hora achei que podia enganar algum Robalo, como os gajos não sabem que a hora muda e não têm relógio fui 1 hora mais cedo a ver se enganava algum 😂 (brincadeira claro)
Bem, neste dia desafiando toda a lógica fui para o spot onde tinha menos esperança, de vez em quando gosto de fazer umas investidas assim, por vezes até corre bem, outras nem por isso.

Não posso dizer que correu às mil maravilhas mas também já tive jornadas bem piores. O limo marcou alguma presença e acho que este Inverno me vai gorar algumas jornadas, vamos esperar para ver, mas o que me chateou mesmo foi o facto das chumbadas estarem a arear, logo no primeiro lançamento a pesca areou de tal maneira que não a consegui tirar, não estava à espera de tal situação e deixei a cana tempo demais a pescar, quando fui recuperar a chumbada recusou-se a sair e foi até partir claro, milagres só em “Fátima” e mesmo assim já não é o que era…
Pensava também que ia ficar por ali sozinho e tranquilo quando chegam dois pescadores “Olha afinal temos festa” disse eu em voz alta falando sozinho, o que me valeu foi um bico de pedra que estava ali perto e fez com que ficassem um pouco afastados, serviu de fronteira…


Depois de nova montagem feita, chicote e aquelas coisas todas voltei ao trabalho e daí em diante tive de estar alerta para evitar que as pescas areassem ou então arriscava-me a passar aquele tempo que tinha em mente para pescar a fazer novas montagens e a perder material. Ainda pensei em rumar a outro spot mas depois de dar tantas voltas à ideia resolvi ficar por ali mesmo.

Não tive descanso devido ao limo e ao “arear” das chumbadas e chegou a uma altura que já estava exausto, pois na pesca não se gasta só energia física como também mental. Já levava um bom par de horas a pescar quando os meus vizinhos abandonaram o local e bazaram, talvez pelo facto do mar estar a arear e de haver pouca actividade, foi neste instante que eu vejo uma das canas a bater e lá me saiu este Robalo já bonzito para enganar mais uma vez o fantasma do chibo que está sempre presente, fiquei satisfeito, guardei o menino dentro da saca e continuei a pescar numa noite que estava bastante húmida mas amena.

Ainda insisti mais algum tempo mas a única coisa que tirei foi uma baila e um pregado que foram ambos devolvidos, acho que nem medida tinham sequer.


Pescar aqui proporciona-me momentos e experiências que me fazem viajar para longe do materialismo e interesses que me sufocam diariamente onde vivo.


Os odores emitidos pela Natureza e envolventes são como uma terapia para mim.



Bom mas agora falando de coisas sérias, um dia destes o amigo João Santana desafiou-me para irmos petiscar qualquer coisa e beber uns jarros de vinho, como estava livre não recusei e convidei também o Cristóvão (Mata Chibos) para se juntar a nós, fizemos mais uma boa pesca sentados à mesa a dar ao dente e entre outras coisas a falar de “pexe”.


Um gajo tem de comer alguma coisa 😋



Mais uma apanha de lixo trazido pelo mar.
Ao longo dos últimos anos tenho lutado bastante para manter os meus spots favoritos minimamente limpos, junto ao mar é complicado, é como remar contra a corrente porque o mar está constantemente a trazer lixo, já no cimo das falésias tal como nos aceiros e trilhos a coisa é diferente, o lixo que apanhei nos últimos anos, algum que certamente lá morava há mais de vinte anos, sítios que com quase toda a certeza nunca tinham sido limpos, por aqui a coisa até se tem mantido minimamente aceitável embora haja sempre vestígios de que tenha passado por ali algum Atrasado Mental.

Por hoje é tudo pessoal.
Já agora desejo um bom dia do Homem para todos (dia do Homem = dia de todos os Santos)
Saúde e força aí.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Dia de Aguídão, Robalo no Ceirão

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Estava ansioso por meter novamente os olhos nesta Costa, assim que cheguei à beira da falésia e vi o mar até onde a minha vista alcançava senti um consolo inexplicável, saí da carrinha e sentei-me numa pedra a matar saudades disto tudo enquanto olhava à minha volta, e que saudades que eu tinha de me sentar em cima de uma pedra daquelas tão confortável.

O Mar mostrava boa cor mas era um pouco forte, no entanto a tendência era para descer gradualmente ao longo da tarde e até lá tinha tempo para estudar bem a coisa, logo detectei um pequeno problema, é que nesse sítio exacto onde eu queria meter as canas a pescar tinha alguma “carência” de areia, o que não é normal nesta altura do ano, pois ainda mal não começou o “Inverno” e já isto está assim, pensei que meter as canas a pescar ali no meio de tantas pedras seria o mesmo que entrar numa rua perigosa, então acabei por ficar um pouco mais ao lado num fundãosito que mais parecia uma daquelas piscinas naturais em que os putos brincam no verão quando a maré está vazia.


Bom, mas já em acção de pesca o tempo foi passando e a actividade era nula, com o mar bom, maré boa, spot bom e peixe nada, é o mesmo que dizer (o canário é bonito mas não canta), cerca de 30 minutos mais tarde reparei que uma das canas afrouxara um pouco, bom afinal parece que já “pia” qualquer coisa. Peguei na cana e ao sentir que tinha lá peixe fui recuperando aos poucos, deu umas cabeçadas mas nada de mais e só ali na borda de água é que o Robalo teimou um pouco em separar-se do mar, mas teve de ser, vinha embuchado e por isso não lutou enquanto estava mais fora, Robalo guardado no ceirão e continuei a pescar mais algum tempo.

Um peixe solitário livrou-me o chibo nesta jornada, embora tivesse pescado cerca de mais uma hora e meia a seguir à captura a noite estava feita e não valia a pena pedir satisfações ao mar. Fiquei satisfeito, pois já precisava de uma noite destas, ar puro, paz e tranquilidade.
Agora anseio pelas noites húmidas e madrugadas frias de Inverno, noites de sofrimento mas que no fundo eu até gosto…



Aguídões
Nesta altura do ano quando chove e no dia seguinte faz sol, normalmente dá-se o “desabelhar” das aguídas e aguídões, e foi o que aconteceu neste dia assim que o sol espreitou com força num ambiente ainda meio húmido e quente. Nos tempos em pescava em Vila Real de S.António conheci um velhote que me disse que nos dias que as aguídas desabelhavam ele apanhava sempre um bom peixe, como desde puto sempre gostei de conversar com os mais velhos porque acho que com eles aprende-se muita coisa sobre a Natureza nunca mais me esqueci de tal conversa, se é verdade ou não isso já não sei, mas o que é certo é que neste dia aconteceu…


Aguída


Aguídas


Com tanto tempo sem vir para estas bandas é claro que vinha cheio de força de vontade de fazer alguma coisa de útil pela Natureza, como sei que poucos ou nenhuns por aqui são capazes de apanhar lixo tive de calçar as luvas e meter mãos à obra.
Foi com toda a certeza a maior apanha de lixo que alguma vez fiz no mesmo dia.
É caso para dizer que é o meu record em lixo apanhado.


Neste dia a carrinha veio cheia, mas não foi de peixe.



Um dia destes combinei uma petiscada com os amigos João Santana e o Bruno Cavaco (Capitão) meti o avental e preparei uns “periquitos fritos à Lobo” 😂  afinal o pessoal tem de comer alguma coisa 😉 


Mesa pronta e tudo apostos para trincar uns tordos 😋


Neste final de dia ainda quente eu e o Capitão optamos por varrer ali uma boa teca de cervejolas enquanto o João lá teve que despachar a garrafa do tinto. Os petiscos com os amigos da pesca é outra forma de pescar e neste dia não foi excepção, também contámos velhas histórias e relembramos outros tempos, isto tudo claro sempre bem regado.
Pessoal por hoje é tudo, haja saúde e força aí…

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Recomeçar

“Spinning”
Boas pessoal!
Já havia uns meses que não vinha aqui escrever nada, não é novidade nenhuma para a grande parte de vocês que já sabe que eu não pesco no verão.
Como bom Algarvio de gema estou proibido de tirar férias no verão, sinceramente nem me passa pela cabeça cometer tal erro e acho que qualquer um sem ter de pensar muito sabe bem porquê.

Mas o tempo agora apesar de ainda estar quentinho já é outro, anuncia mudanças, os cheiros estão diferentes, os amanheceres são diferentes, a linha onde o sol roda já é outra e isto em conjunto com tantas outras coisas por vezes chegam a dar-me uma sensação boa e quase inexplicável (assim tipo aquela que tinha em miúdo quando começavam as férias grandes de verão e sabia que ia ficar meses sem meter os pés na escola e sem ver as bruxas das professoras que só me faziam a vida negra).


O relato que vos trago hoje para contar, foi uma simples jornada de spinning em modo de brincadeira só para ver se ainda sei mexer nestas coisas 😊  no mês de Setembro fiz aí duas ou três investidas para brincar à pesca e matar saudades, quando ficamos tanto tempo afastado deste mundo, qualquer simples ida à pesca mesmo sem grandes resultados já é bastante satisfatório, certamente que lá mais para a frente não vou ter a mesma opinião 😊

Neste dia em questão madruguei e fui ver o nascer do sol, andavam por lá umas bailas pequenecas e entre alguns ataques que tive ainda tirei duas que foram devolvidas, um pouco depois e já com o passeante cravei este robalote kileiro que veio comigo e foi o almoço cá em casa nesse mesmo dia.
O simples ritual de lavar as mãos para tirar aquela “goma” que o peixe liberta sabe-me tão bem como respirar, depois de tanto tempo afastado do que me faz sentir vivo.


Cores do amanhecer


Os petiscos com o amigo João Santana este verão foram poucos, umas vezes por motivos de força maior e outras vezes porque não estávamos em sintonia, mesmo assim ainda demos ao dente umas poucas vezes e algumas até esquecemos da foto da praxe. Nesta tarde de calor a equipa de ataque fui eu, o João e o Capitão (Rei do Charroco) este homem até com o mata moscas ele apanha charrocos 😂


Neste dia levantei-me cedo e fui à maré onde apanhei lingueirões e também uns berbigões, depois do material babujar o dia todo, preparei uma frigideira onde fiz uma cebolada de marisco com alhos, juntei-lhe uns camarões que estavam esquecidos na arca e com um pão de kg ainda deu para beber uma grade com o Capitão, um gajo tem de comer alguma coisa 😉


Aqui a ementa foi conquilhas e berbigão só para desenjoar, tem que se comer alguma coisa 😉


Neste dia juntei-me com o João e o Cristóvão (Mata Chibos) foi uma noite engraçada com algumas histórias e risadas pelo meio bem regadas com muita bebida, o café fechava às 24h mas só demos por isso quando já eram 2:30 da manhã   hahahahaha


Algures na Ria Formosa


Ainda tirei uma Safata de 800g mas só em casa é que vi que o peixe tinha ficado com um escorrido de sangue, decidi não publicar porque acho que é um pormenor que fica muito feio.


Sabe tão bem uma cerveja gelada depois de vir da maré numa manhã de calor.
Pessoal por hoje é tudo, saúde e até à próxima, força aí…

quinta-feira, 30 de maio de 2019

***TUBARÃO*** Uma Força Demolidora

“Surfcasting”
Boas pessoal (amigos, leitores e seguidores)
Desde já vos aviso, preparem-se para ler 😊
Esta foi uma jornada do caraças. Tudo começou como sempre, a logística de preparar o material, decidir qual o isco a levar, estudar bem as previsões e escolher a praia mais indicada para a ondulação que estava naquele dia.
Cheguei bem cedo como eu gosto e fui espreitar duas praias que combinavam com aquele mar, o primeiro spot não me agradou nada e o segundo pouco ou nada me agradou, mas gostei mais da cor da água e decidi ficar por ali, pois não gosto de dar muitas voltas porque no fim quase sempre acabo por ficar numa das primeiras praias que vi, quantas e quantas vezes isso me aconteceu, então essa é uma asneira que eu já não faço…


Bom… Mas vamos lá à acção, sim acção; porque como eu disse no início esta foi uma jornada do caraças. Com os dois primeiros lançamentos feitos e as canas já a pescar sentei-me um bocado a beber um café com um chocolate, quando vejo uma das canas dar um toque e vergando logo de seguida, mas esperam aí; vergou mas vergou como eu nunca tinha visto, aquilo parecia um comboio a puxar a linha, preguei um salto e lá se foi o café e o chocolate, agarrei-me à cana que mais um pouco saltava do suporte e ia mar adentro a reboque daquela coisa, nunca tinha sentido uma força assim e aquilo fez-me disparar o batimento cardíaco a uns 200%, acreditem que por momentos fiquei sem saber o que fazer, depois daquela força demolidora me ter levado talvez uns 100m de linha, assim como começou assim acabou e fiquei apenas com o peso da chumbada. 

Ainda sem saber ao certo o que tinha acontecido, recuperei e quando a pesca me chegou às mãos vi que aquela coisa me tinha cortado um 0,40 com os dentes. Pensando eu em voz alta claro (fonix mas o qué esta merda que anda aqui, será que foi uma anchova!!?) pois elas têm andado na zona, mas de repente  veio-me à ideia, epá isto deve mas é de ser os tubarões (tintureira) que andam aí, pois nesta altura do ano costumam encostar nestas praias…


Bom, mas o tempo passou e 2h mais tarde sem sinal de qualquer peixe estava eu muito bem descansado a comer uma batata-doce e nisto a mesma cana tóóómmmma lá vem o comboio outra vez, olhem que eu não sou de ir a correr para a cana, gosto de ver o peixe bater e ao mesmo tempo vou andando nas calmas em direcção à mesma, a não ser que haja pedras no pesqueiro, mas desta vez preguei um salto e lá se foi a batata-doce pó caneco também, agarro-me à cana e este parecia ainda maior do que o outro, começo a suar e as minhas pernas tremiam que nem varas verdes, com o drag apertado o suficiente para um 0,24 que usava naquele dia, aquela força demolidora teimava em não abrandar e quase me vazava o carreto, de um momento para o outro deixei de sentir o peixe e agora já sabia o que tinha acontecido, recuperei e claro que a linha estava corta pelos dentes daquela coisa.

Naquele momento senti-me um pouco frustrado para não dizer muito, sentei-me cerca de vinte minutos a falar sozinho e a fumar um cigarro e outro e mais outro e só depois é que fui fazer um estralho novo mas desta vez com 0,50 que era o mais grosso que tinha comigo neste dia…

Tudo ok e canas na água a pescar, entretanto já tinha passado mais um par de horas e nem sinal de peixe, pudera com aqueles predadores na zona nem um peixe que se aventurava a passear naquela praia, só se fosse algum camicase  😊 


A noite estava calma e serena, não se passava nada, eu pensava em sei lá no quê e quando olho para a cana da esquerda que ainda não tinha dito nada a noite toda, estava completamente dobrada (Óhh minha mãezinha, lá vem o comboio outra vez) pensei eu em voz alta e mais alguns palavrões pelo meio, corri para a cana e quando lhe pego o carreto zunia que nem um pião, pouco depois sinto uma pancadinha estranha e a bobine parou de rodar, coisa que nunca tinha sentido e acendo a luz para ver o que tinha acontecido, quando olho para a bobine estava completamente vazia (Áhh mãe qué iste móóó, NO LINE, onde é que eu já vi isto, agora quero ver como é que me safo desta) peguei na cana e o comboio continuava a puxar, a única coisa que eu podia fazer naquele momento era acompanhar o bicho e lá fui andando atrás do “comboio” entrando um pouco dentro de água tentando aguentar aquela força demolidora, linha para levar já não tinha, portanto das três uma; ou cortava com os dentes, ou partia tudo ou então vinha para terra custasse o que custasse. 

Os minutos foram passando e a linha sempre em tensão, havia momentos em que parecia que a pesca estava areada, deu-me a sensação que isto é bicho que se “deita” no fundo e eu com uma linha 0,24 não podia forçar em demasia, bom mas aos poucos aquela coisa lá começou a ceder, quando ele aliviava eu aproveitava e recuperava uns metros, volta e meia ele tirava-me dois ou três metros de linha mas logo de seguida eu recuperava cinco ou seis e assim lá fui conseguindo dar a volta ao resultado, mas sempre à espera do momento em que o velhaco me cortasse a linha ou que o nó do chicote rebentasse.

Entretanto já tinham passado quase trinta minutos e eu naquele momento só queria ter um bracinho direito suplente para trocar, pois as dores no braço já eram tantas que não sabia como haveria de agarrar na cana.
Com o Tubarão a entrar na zona de rebentação surgiam agora mais dois problemas, o nó do chicote que é o ponto mais frágil da linha e as escoas que não ajudavam em nada, sem ninguém na praia para me ajudar tive de me desenvencilhar sozinho, tentem imaginar o que foi aquilo (aguenta bracinho que já tá quase) eu só queria pôr os olhos no responsável por tal batalha e quando senti o nó do chicote a passar a ponteira pensei: (é agora ou nunca) aproveitei a ajuda das ondas que naquele momento estavam a meu favor e enrolei o máximo que pude, acendi a luz e lá estava o Tubarão com um palmo de água a tentar apanhar boleia da escoa, nem sabia como pegar naquilo para o puxar para cima, agarrei-o pelo rabo e arrastei-o pela areia até uma zona de segurança onde me deitei alguns minutos a olhar para aquele que foi um adversário formidável, não sei qual dos dois estava mais cansado, se ele ou eu. 

Agora tinha de o arrastar até à “base” onde tinha as minhas coisas, acho que me tinha dado menos trabalho se tivesse ido buscar a tralha toda para onde estava o velhaco, porra eu queria apanhar um peixe grande mas também não era preciso ser uma coisa assim…


Não sendo eu nenhum especialista em tubarões depois disto andei a pesquisar e cheguei à conclusão que lhe chamam vários nomes, tubarão tintureira ou tubarão azul, em outros países chamam-lhe tubarão bico doce, tubarão de focinho e tubarão vitamínico.

Neste dia o material foi posto à prova sendo levado ao seu limite máximo.
Depois disso houve tempo para tudo e mais alguma coisa, tirei umas fotos, disse palavrões, admirei-me, ri-me eu sei lá mais o quê…

Agora tinha outro problema, era levar o bicho até à carrinha, o Tubarão tinha um lombo mais grosso do que a minha coxa, não foi tarefa nada fácil e tive de fazer duas viagens, metê-lo na geleira claro que era impensável, com uma geleira tão grande que eu próprio fiz para meter peixes compridos e agora o raio do Tubarão não me cabe na geleira  😂

Agora imaginem se tivesse apanhado os três 😊
Uma coisa é quase certa, este vai ficar para a história, foi, é e será certamente o maior peixe da minha vida, media 1,62cm e pesava 21 Kg.
Assim sendo este é agora o meu novo recorde.



Bom mas depois daquele estrafego todo deu-me cá uma foméca que não vos digo nada, quando cheguei à carrinha lá tive de fazer uns ovos mexidos com salsichas para repor energias, um gajo tem de comer alguma coisa se não depois como é que tenho força pa puxar Tubarões 😂

 Pessoal aproveito para informar que vou fazer uma paragem de três ou quatro meses como já vem sendo hábito nesta altura do ano, quem me segue há já uns anos sabe que eu não gosto de pescar no verão por vários motivos sendo o calor e a confusão no Algarve o principal motivo.

 Termino assim esta temporada.
Tive dias bons, tive dias maus, tive dias de frustração total, tive noites húmidas e frias, geladas e desagradáveis, tive noites de não apanhar nada mas que só de estar lá já valeu a pena pelos cheiros, pelos sons e pela sensação que isto tudo junto provoca em mim, o escuro, o som do silêncio da noite, sair do saco cama às 3/4/5 h da madrugada com temperaturas negativas só porque estava na hora da maré e por vezes não apanhar nada, são tudo coisas que fazem parte e que me fazem sentir vivo, não me perguntem porquê porque eu nem sei responder…

Saúde e força aí pessoal.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Manhã Alegre

“Spinning”
Boas pessoal!
A minha época está a chegar ao fim e tenho de aproveitar ao máximo todas as oportunidades para queimar os últimos cartuchos, então programei fazer mais uma investida enquanto o homem não acaba com a Natureza, digo isto porque a cada ano que passa vejo que o excesso de turismo tem crescido monstruosamente e que de uma maneira ou outra é prejudicial para a Natureza e bom para encher os bolsos de alguns que exploram, escravizam e manipulam os pequenos, ao contrário do que muitos pensam o excesso de turismo só vem empobrecer e destruir as nossas paisagens, as nossas praias, os nossos cantinhos, a nossa Natureza.
É uma vergonha passarem-se licenças para se construir complexos turísticos nos ditos “Parques Naturais” e as pessoas da terra que sempre lá viveram não poderem construir uma capoeira ou um simples canil. Desculpem-me este desabafo mas se há coisas que me revoltam esta situação é uma delas…


Bom, mas vamos lá à jornada então. Com o mar a quebrar fiquei tentado em fazer mais uma investida ao spinning, se o mar estava de bom tamanho o mesmo não se podia dizer do vento que do quadrante norte dificultava bastante os lançamentos, com uma pequena investida durante a noite fui obrigado a render-me devido ao vento que não me deixava lançar bem as minhas amostras, como se já não bastasse a presença de limo em suspensão também era outra pedra no sapato, resolvi então dar descanso ao esqueleto e atacar no aceio da manhã quando o vento ia abrandar e assim foi.

Depois de meia garrafinha de vinho e um bom descanso levantei-me às 5h da manhã, lavei a cara para acordar e lá fui eu por ali a baixo, comecei a pescar ainda de noite mas foi já naquela transição da noite para o dia que cravei este lindo Robalo que me deu uma prazeria do caraças, pois no momento que ferrei o velhaco este começou a estrebuchar à tona de água como se tivesse sido ferrado com um passeante, o pesqueiro tinha bastante pedra e tive de estar bem atento durante a recuperação, no final tudo acabou bem para mim e com a ajuda de duas ondécas lá o encalhei nas pedras. 


Depois disto fiz mais uma meia dúzia de lançamentos mas sem sucesso, parei a pesca tirei uma foto com o peixe e guardei-o, voltei a fazer mais uns lançamentos com outra amostra e até alarguei a zona de ataque mas confirmava-se que este era filho único naquele spot…


Depois fez-se horas do pequeno-almoço, um café e umas torradas com mel vieram mesmo a calhar, um gajo tem de comer alguma coisa 😊


Paisagens como esta são para mim um elemento importante nas minhas idas à pesca…


Quase tão importante como estar junto ao mar…


Alguém tem de apanhar o lixo, já que as autarquias só se importam com o turismo e com aqueles que têm dinheiro para gastar, quem não tem dinheiro para gastar em estadias caras e restaurantes parece que não são bem-vindos por estas bandas…

Pessoal por hoje é tudo, aproveitem para fazer umas jornadas de pesca (conscientes) enquanto os gananciosos não acabam de vez com os Oceanos e Natureza à pala do excesso de modernização, do excesso de desenvolvimento e do excesso de turismo a que eles até lhes chamam de sustentável, hehehehe, esta última então até dá vontade de rir…
Saúde e força aí.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Capturas a Bom Ritmo

“Spinning”
Boas pessoal!
O tempo quente esteve presente nos últimos dias, dias esses que já convidaram a umas idas à praia e agora que os frios foram embora já começam a aparecer mais pescadores um pouco por todo lado, alguns pescadores que hibernaram na força do Inverno estão de volta e por vezes é complicado encontrar um sítio para pescar descansado, digo isso porque muitos desses pescadores não sabem comporta-se no terreno, ou não sabem ou não querem saber…


Esta tem sido uma Primavera produtiva para mim, pois nas últimas investidas que tenho feito aos Robalos tenho safado a pesca nem que seja apenas com um bonito peixe.
Então com o mar a dar uma quebra de um dia apenas resolvi atacar novamente, estavam reunidas as condições e a água revelava cores que indicavam uma boa pesca, se eles iam colaborar ou não, só mesmo experimentando para saber.
As escolhas que faço em busca dos melhores spots por vezes começam um ou dois dias antes da jornada, pois o spot que estava bom há 15 dias hoje pode já não estar ou vice-versa.


Nesta jornada a minha escolha foi para um spot (laredo) de entrilhados de pedra que garantem a segurança da vida marinha e presas de que o Robalo se alimenta, por essa razão este é um bom local para pescar nesta altura do ano, pois estas presas que o Robalo procura normalmente não saem muito para além da periferia destes esconderijos de rocha.

A água naquele local normalmente tem boa oxigenação, fiz um estudo muito apurado do pesqueiro durante o dia que se mostrou quente e ao final da tarde quando me equipei para atacar achei a temperatura tão acima do que estou habituado na pesca que desta vez até troquei o Wader pelo fato de neoprene. Um pormenor que não me agradou nada foi a existência de algas em suspensão, o que se veio a confirmar mais tarde com alguns lançamentos sem efeito devido às algas que se agarravam à linha.


“ Bom mas vamos lá embora que há muita pedra pa partir esta noite” pensei eu em voz alta no início da jornada. Comecei a pescar no aceio da tarde e rapidamente se fez noite, com o mapa do pesqueiro gravado na minha memória insisti nas zonas que mais me pareciam propícias a aparecer um peixe comprido. Já tinha à vontade 1h de pesca quando fui surpreendido por o tal ataque surpresa típico de um Robalo.
Com um bonito Robalo acima dos 2kg encalhado nas pedras tirei-lhe a amostra e guardei-o na saca junto ao ceirão, já estava satisfeito com aquela captura e mesmo que não apanhasse mais nada estava tranquilo.
Passado algum tempo tive um pequeno toque que pareceu-me típico de uma baila, talvez fosse não sei e alguns lançamentos depois sinto a amostra prender numa pedra, mas era daquelas pedras que se movem 😊 e começou aquela luta de que nós spinners tanto gostamos, cana bem dobrada e peixe a pedir linha, ainda lhe dei o beneficio da duvida e abri um pouco o drag, pois nunca se sabe qual o tamanho do bicho que está na ponta da linha e quando assim é mais vale jogar pelo seguro, depois de duas investidas por parte do peixe pensei que não fosse necessário ceder linha e comecei a recuperação daquele teimoso que insistia em nadar na lateral e isso a mim não me agradava nada porque tinha pedras molhadas e escorregadias para passar, lá consegui fazer com que o velhaco mudasse de rumo e viesse na minha direcção, aqui a contar parece rápido mas no momento cada segundo que passava parecia um minuto e cada minuto uma eternidade, no final tudo acabou bem para mim e este também encalhou nas pedras onde foi só meter-lhe o grip e puxá-lo para uma zona onde o mar não já lhe pegasse, dei por mim a rir quando acendi a luz para ver bem o peixe, se alguma vez eu estava à espera de apanhar um peixe destes (acima dos 4kg) nesta altura do ano… Ainda voltei à luta mas não apareceu mais nenhum e feliz da vida subi aquele laredo um pouco mais pesado mas sorridente 😊

Para acabar em beleza só faltava mesmo ter apanhado uma sereia loira de olhos azuis, mas assim sendo fica para a próxima  😉


Isto do spinning aqui no Sul um gajo não se pode habituar mal, pois o normal aqui é zero, um já é bom, dois é muito bom, três é excelente e quatro para cima se por acaso acontecer é a melhor pesca do ano ou da década…



Mas uma jornada de pesca para mim só acaba depois de forrar o estômago e nesta noite uma fatia de lasanha aquecida sabe sempre melhor do que fria, um gajo tem de comer alguma coisa 😋


Desta vez não foi preciso procurar muito para encontrar lixo, mesmo ali onde parei a carrinha fiz esta apanha, algumas garrafas de plástico estavam tão ressequidas e queimadas do sol que até de desfaziam, sabe-se lá ao tempo que estavam ali. Nos últimos anos tenho feito umas apanhas de lixo já bastante deteriorado do sol no cimo das falésias por onde passo ou onde paro a carrinha e tenho notado que até se vão mantendo mais ou menos limpas, fico feliz por isso, afinal de contas o trabalho não é em vão, das duas uma, ou as mentalidades estão mudando aos poucos ou quem fazia este tipo de lixo já não vai ao mar por várias razões, uns porque já estão velhos e outros porque já foram desta para melhor e como eu costumo dizer gente dessa faz por cá tanta falta como a fome…

Por hoje é tudo pessoal, curtam o mar e façam uma pesca consciente em todos os aspectos.
Saúde e força aí.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Spinningboard

“Spinning”
Boas pessoal!
Já havia bastante tempo que tinha vontade de fazer uma investida de spinning em modo (spinningboard) mas as condições para este tipo de pesca têm de ser muito próprias, gosto das águas baças e o mar quase de rojo para garantir o máximo de estabilidade em cima da prancha…
Escolhida a zona de ataque e já no terreno fiz um estudo muito apurado do pesqueiro a partir do cimo da falésia, pensei em atacar ao redor de umas pedras que tinha marcado lá de cima pois aquilo pareceu-me ter bom aspecto e podia ser que esfolasse por ali algum robalote, se por acaso não sentisse nada nesse local podia ainda alargar a zona de ataque para os lados.


Assim que cheguei lá a baixo meti-me na água e fui direito à zona que me pareceu ser boa em redor de umas pedras, alguns lançamentos e amostra presa, (já o burro nãã vai direito) pensei eu em voz alta, uma coisa boa de pescar assim é que raramente perco amostras, pois se ficarem presas vou lá busca-las. Recuperei a amostra mas o terminal ficou roído e nadei até à pedra mais próxima onde em cima desta rapidamente fiz um novo terminal e voltei para a água, uns metros mais à frente havia uma zona que fazia um bonito rebojo e logo meti lá a mesma amostra que me parecia ideal para aquelas condições, acho que ainda não tinha esticado bem a linha e já tinha um robalote kileiro lá cravado 😤 que cena fixe apanhar peixe assim sentado em cima de uma prancha de bodyboard, desloquei-me para trás da pedra para desferrar o robalote e prendê-lo no enfião sem fazer muito alarido não fosse assustar algum outro que andasse por lá. 

Voltei ao mesmo sítio e faço tudo igual, com cerca de uns dez lançamentos talvez e a pensar já em mudar para outro local porque aquele peixe seria filho único levo uma bela mocada e até me desequilibrei no momento de fazer a ferragem 😊 por pouco não caí ao mar hahahhaha, este era maior e depois de o trazer até mim com calma desferrei-o e enfião com ele, bom a coisa até nem ia mal, pois em meia horita já tinha curtido ali dois peixinhos porreiros.

Agora sim com mais alguns lançamentos no mesmo sítio e sem sentir nada arranquei para outra zona onde também nada senti, depois andei por lá a explorar uns cantinhos que me pareciam propícios mas nada de actividade, entretanto já tinha passado algum tempo e decidi regressar, ao passar pela zona onde tinha apanhado os peixes resolvi parar e fazer mais meia dúzia de lançamentos, mas desta vez estava do lado oposto da zona quente e com um artificial passeante, joguei três vezes e toma, lá estava mais um a cabecear na ponta da linha, Robalo bonito e energético que me deu uma prazeria do caraças 😊

Peixe no enfião, faço mais alguns lançamentos e toma, peixe na ponta da linha novamente, este foi sol de pouca dura pois soltou-se a meio da recuperação, penso que fosse um kiliero e passado cerca de meia horinha dei por terminada esta jornada e fui para cima, o bichinho no estômago também já dizia que estava na hora.


Neste tipo de pesca reduzo ao máximo o material e levo para baixo apenas o essencial porque normalmente escondo o ceirão num buraco no meio das pedras e por vezes só volto passado umas horinhas, evitando por isso deixar coisas de valor no ceirão e assim posso vaguear mais à vontade, pois nunca sei se vou ficar ali pertinho ou se vou para longe, a vontade de explorar e avançar mais uns metros neste tipo de pesca para fazer dois ou três lançamentos é difícil de controlar 😊

Tem sido uma Primavera positiva para mim, tenho feito umas pescas engraçadas e desta vez até consegui contornar o tão afamado cardume de um e lá vieram três 😊
De salientar que esta foi uma jornada que quase não acontecia, pois andei reticente para abalar para a pesca, mas lá está, eles não vêm ter a casa, eu pelo menos eu em casa nunca apanhei nada, só bebedeiras assim sem querer 😂


Já lá em cima tive à conversa um bom bocado com um típico pescador/mariscador que passava na sua velhinha e fiel casal 5 e parou para meter conversa comigo, um homem da terra dono de um saber e de memórias que até me fez pensar que afinal de contas não percebo nada disto, era um sujeito bem-falante e porreiro, gosto de conversar com malta assim e chego á conclusão de que muitas histórias ficarão por contar e permanecem apenas guardadas na memória destes velhos pescadores que toda uma vida frequentaram estes pesqueiros de que eu tanto gosto, às vezes dou por mim a pensar como seria isto há uns 30/40 anos atrás, deviam aparecer por aqui uns Robalões do catano…



Depois daquele estrafego todo estava na hora de papar uma sopa à qual lhe juntei uma batata-doce e empurrei tudo com um copo de vinho, um gajo tem de comer alguma coisa 😋


No dia antes deste numa outra zona em que o mar ainda tinha um toque, tive a fazer uns lançamentos e cravei apenas esta baila que foi o meu jantar, a fomeca era tanta e já quase sem luz solar foi tudo feito muito à pressa que nem me lembrei de registar o momento 😐


A apanha do lixo já faz parte do ritual nestas minhas idas à pesca.


Joaninha


Buraco


Nesta altura do ano quando vou para estes lados e tenho oportunidade apanho sempre uns burriés para beber umas cervejinhas, um gajo tem de comer alguma coisa 😉

Pessoal por hoje é tudo, usem o mar mas não abusem dele.
Saúde e força aí…