sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Inverno Falsificado

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Tenho andado arredio aqui do blogue e da pesca também, um pouco desmotivado.
Infelizmente a cada ano que passa os Invernos são mais curtos aqui na Costa Sul, mares de Inverno quase que já não entram, fez dois ou três dias de frio e andava tudo entenguído, choveu três ou quatro dias e mesmo assim já estavam todos desesperados sem saberem o que fazer, por mais que me esforce não consigo entender estas mentalidades modernas em que o conforto e o bem-estar se sobrepõe ao elemento essencial para a vida no Planeta Terra (água/chuva)… São semanas a fio de dias de sol deprimentes e como se já não bastasse quando um marsinho bom faz uma visita vem acompanhado de lixo, já virado a Norte são Mares grandes e fortes uns pegados aos outros durante semanas sem darem descanso à Costa, quando começa a descer e parece que se vai aprumar para um gajo fazer uma pescasita, toma! Porrada até mais não outra vez, depois começa a descer e quando parece que se vai aprumar para um gajo fazer uma pescasita, toma! Porrada até mais não outra vez… E é assim o Inverno todo com períodos de vaga que outrora nem existiam. Tudo bem que é um verdadeiro defeso natural e que faz falta, mas uma abertazinha de um dia ou dois para um gajo fazer uma pescasita também não fazia mal a ninguém, isto acaba por ser desmotivante para um gajo que gosta de pescar apenas no Inverno que é o meu caso.

Se estiver de chuva, coisa que é raro aqui no sul, ainda escapa, agora em dias de sol é camones por todo lado, parecem aguídas a desabelhar do cabeceiro numa manhã de Outono a seguir a uma noite de chuva, os tempos estão mudados e a meu ver para pior, antigamente tínhamos três meses de verão e o resto era Inverno, agora é ao contrário; temos três meses de Inverno e tudo o resto é verão… 


O mês de Fevereiro foi um autêntico mês de Primavera, é uma estação que todos os anos se antecipa, mas como este ano não me recordo de ver tal coisa, semanas seguidas de céu limpo e com temperaturas acima dos 20º durante o dia, já não bastava o verão que se antecipa e se prolonga cada vez mais.

Bom, mas neste dia de pesca ainda eu mal tinha montado as canas e já me apareceu um cámon vindo não sei de onde com uns calções cor-de-rosa e um chapéu de palha, todo besuntado com um óleo esquisito que mais parecia um frango daqueles do ping dôce, o gajo falava assim uma mistura de alemão com espanhol e saca de um papel e lê assim: (Nu- Homem- Praia) e eu: (Áhhhh!!! Panereiragem é além pá frente vai já andando, vai já)… Porra era só o que me faltava, já não basta o peixe ser pouco que um gajo ainda tem de gramar com estas modernices hãmm, porra vai lá vai….

A jornada em si pouco tem a contar, pois quase não consegui pescar por causa do limo, mais um ponto negativo por estas bandas, se já não é fácil entrar por aqui um mar porreiro para pescar e é difícil dar com eles agora ainda existe o limo que tem feito um papel de residente por aqui.
Foi uma jornada fraca onde apanhei apenas cinco peixes neste dia, dois foram devolvidos e guardei estes três belos Sargos para as sopas.


Agora é sempre assim, veio para ficar, desmotivação total…



Eu já me tinha lembrado que isto um dia me ia acontecer, não consegui ver onde estava o artista que pilotava esta merda, mas seja lá quem for quando quiseres espreitar vai espreitar a tua mãe que deve ser bem mais interessante, descuida-te que um dia destes levas com 150g de chumbo na porra da avioneta e depois vai-te te queixar ao papá que o Lobo do Mar mandou-te o drone a baixo…


Um dia destes aproveitei para ir aqui à Ria Formosa fazer a maré e apanhar uns lingueirões para o petisco


Sinais da Primavera antecipada logo no início de Fevereiro


E quando eu pensava que já tinha visto tudo em relação a mudanças, eis que dou de caras com uma Alvéola na praia a comer pulgas da areia, quem percebe de passarada sabe bem que isto não é uma imagem comum…


Cegonhas


O amigo João Santana tinha-me oferecido uma Sra. Lula e ensinou-me a cozinhá-la com natas, juntei-lhe uns camarões e uma colher de caril e aproveitei as cabeças dos camarões para fazer uma fritada com alhos, a brincar fiz um petisco que nem imaginam, um gajo tem de comer alguma coisa, atão 😋
Pessoal por hoje é tudo, sejam conscientes nas vossas pescarias e não deixem lixo nos pesqueiros.
Saúde e força aí…

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Noite de Glória

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Com o mar a dar umas condições porreiras lá fui eu de malas aviadas com a carrinha atafulhada até ao pescoço.
As boas condições para a pesca em determinadas zonas não acontecem a escrever no pc ou no tlm as condições que queremos e fazer “Enter” e o mar no spot X fica como queremos, isto é muito mais complicado do que se imagina, praias de fundos mistos estão a mudar constantemente e só para terem uma noção, tenho jornadas programadas para determinados pesqueiros há anos e não as consigo realizar simplesmente porque as condições não se conjugam, quando não é do cú é das calças, enfim…

A última jornada antes desta (que nem vou entrar em detalhes) não me tinha corrido nada bem e já andava aqui com o “sapo entravacado no garganil até mai não”, mas neste dia disse logo a mim mesmo que (Hoje não vou aturar disparates nem Robalos mal educados).


Já em acção de pesca e sendo eu um gajo teimoso e de ideias fixas sabia bem aquilo que procurava e concentrei-me no que estava a fazer, as quase sempre presentes sarguetas que tantos pescadores de surfcasting procuram, trituravam-me as iscadas como se fossem piranhas, o que me obrigou a estar mais atento.

O tempo ia passando numa noite relativamente calma e serena, o Mar tinha um toque bom e por vezes até afrouxava a linha um nadinha mas coisa pouca, tranquilo…
De instantes em instantes verificava se as canas estavam a pescar bem, a cada passo que dava sentia os meus pés enterrarem-se nas areias novas que o mar estava a meter naquele spot, a certa altura estava eu sentado numa pedraséca a comer uma maxóta de alcagoitas enquanto olhava para uma cana, quando viro a cabeça para olhar para a outra estava toda dobrada que até parecia um pescoço de cavalo (Tcxxée cacete que havia alcagoitas pus ares que aquilo até era uma coisa por demais) não que seja costume eu ir a correr para a cana porque acho isso uma atitude desnecessária, a não ser que haja pedra por perto, mas aquela visão momentânea surpreendente fez com que me levantasse rapidamente …

Pego na cana e sinto um puxão daqueles pujantes “Élááá!!! Espera aí que tenho aqui um pexeco jeitoso” Eu fiz-lhe sinal e ele deu-me um puxão, eu dei-lhe outro toque com a cana na vertical e ele obrigou-me a mete-la quase na horizontal “Élááá!!! É disto que eu gosto” daí em diante fui jogando um tipo de ping-pong com o velhaco, ele cabeceava do lado de lá e eu do lado de cá recuperava dois ou três metros sempre que podia, a zona de rebentação foi complicada de atravessar mas a pouco e pouco a linha entrava na bobine do carreto e a distância entre mim e o velhaco ia diminuindo, com o peixe já em dois palmos de água o batimento cardíaco aumenta e ainda faltava uns metros para o meter a seco, quantas e quantas vezes é nestes míseros metros que se perdem os Grandes troféus, foram uns metros difíceis de se decidirem porque eu não sabia bem o que lá estava e nem como vinha ferrado, aos poucos o velhaco foi cedendo e colaborando comigo e quando demos por nós estávamos cara a cara e assim que tive oportunidade  joguei-lhe a mão, por momentos ainda pensei estar perante um novo recorde mas não, tinha 6 kilotes apenas… Era um peixe gordo e magnifico de se olhar, ideal para comer com pouca batata e MUITO vinho 😉

Quem está de fora deste mundo da pesca não sabe, não imagina e não faz ideia por quantas e quantas noites de "sofrimento" e de derrota um pescador de cana passa até ter uma verdadeira noite de glória, o trabalho, a dedicação e o investimento que fica para trás são recompensados numa noite como esta e são nestas noites que percebemos que todo esforço e "sacrifício" até faz sentido e quem apanha grandes chibos também está sujeito a apanhar grandes Robalos.


Em cenários assim como este a magia do mar pode esconder grandes e agradáveis surpresas por debaixo destas lindas e simpáticas espumas.


É claro que no meio daquilo tudo tive de acalmar o estômago com uma sopa de feijão e um entaladinho de chouriço no pão torrado, um gajo também tem de comer alguma coisa, tão!!!


A Natureza por vezes é uma armadilha montada que espera pelos mais distraídos (pessoal muita atenção onde metem os pés quando andarem a espreitar os pesqueiros)


No dia seguinte antes de vir embora foi a minha vez de retribuir à Mãe Natureza com esta apanha de lixo que o Mar tinha trazido, neste dia até houve paciência para encher dois garrafões pelo gargalo.
Pessoal por hoje é tudo, sejam conscientes na pesca e não deixem lixo nos pesqueiros...
Saúde e força aí…

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Insistir antes de Desistir

“Spinning”
 Boas pessoal!
Esta foi uma semana de indecisão, a cada actualização as previsões diziam uma coisa diferente, era chuva; era temporal; era vento, era isto e aquilo, mas aqui na minha zona sul tudo não passou de meras previsões, até vos digo mais; quase que chovia…

Bom, então com isto tudo decidi ir dar um passeio a um sítio que não ia há muito tempo, aproveitava a viagem para fazer uma maré de marisco (carcanholas=ostras) que costuma haver ali numa zona da Ria e depois fazia mais meia dúzia de kms e rumava à Costa para um spinning ao final da tarde/início da noite, às vezes até aparecem por ali uns robalotes…


Logo de início ainda tive uns ataques falhados que penso que fossem bailas que às vezes andam por ali, os lançamentos eram complicados por causa do vento mas eu já sabia que ia ser assim e por isso não me podia queixar, queria apenas aproveitar para fazer uns lançamentos e curtir ali um pouco do contacto com o Mar, para além disso já tinha apanhado uma boa “maxeia” de carcanholas para garantir o petisco.

Já mais tarde e com a noite instalada os lançamentos sucediam-se uns atrás dos outros mas sempre nas calmas, ainda pensei em desistir e vir embora mas não, fiz uma paragem para comer uma bucha e uma garrafinha de vinho que tinha levado e voltei a insistir, a certa altura enquanto recuperava pareceu-me sentir algo a tocar a amostra, parei por instantes e assim que recomeço quando dei por mim tinha a cana dobrada, “Élááhhhh assim tá bem” disse eu em voz alta, um velhaco teimoso e cheio de energia cabeceava forte e pedia-me para abrir um pouco o drag, mas nisto começou a nadar na lateral e como ali não havia pedras e tinha espaço ainda caminhei com ele sem apertar muito, tive oportunidade de sentir bem este peixe que a pouco e pouco se rendeu às evidencias e veio se estender aos meus pés…


Foi uma alegria do caraças quando meti o velhaco em seco, sabia que ali podia ter a sorte de apanhar alguma baila boa ou um robalote kileiro mas não estava à espera de apanhar um peixe destes com aproximadamente 75cm e 4,6kg.
Isto do spinning é um vício lixado, acho que se um dia pudesse construía um viveiro de Robalos numa piscina de ondas para passar o resto da vida a lançar amostras e cravado neles até ao pescoço 😂



A tal paragem para repor energias, uma conserva de lulas em tomatada, um gajo tem de comer alguma coisa, atão…


Para além do peixe ainda trouxe um saco de carcanholas, vieram logo lavadas e escovadas com água do mar.

Bom pessoal por hoje é tudo.
Agasalhem-se bem porque isto parece que vem aí mais frios, é assim é tempo dele.
Saúde e força aí.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ano Novo, Spot Novo

“Spinning”
Boas pessoal, esta tem sido uma temporada em que eu quase não tenho feito spinning, não por falta de motivação mas sim porque eu gosto de umas condições muito alinhadas para a prática desta modalidade e nem sempre elas se conjugam a meu gosto, por isso tenho optado mais pelo surfcasting e depois lá está, também nem sempre me “compensa” programar jornadas para longe de casa…


Bom mas neste dia achei que estava tudo alinhado e decidi fazer uma investida ao spinning num laredo que nunca lá tinha pescado mas que já conheço há bastante tempo e ando sempre de olho nele, pensei que podia sentir ali algum Robalo malandreco a atacar as minhas amostras, aquilo até estava com boas condições e aos poucos fui cobrindo a zona com vários lançamentos e sempre com cuidado a ver onde punha os pés, pescar nestes sítios à noite tem os seus riscos, o primeiro peixe que ferrei pensei que fosse um matulão teimoso, pois vinha ferrado de lado e a corrente puxava para fora junto a umas pedras que sobressaiam à tona de água, o outro já saiu mais de boa vontade, havia actividade no pesqueiro com vários robalinhos sem medida a atacarem o artificial, ainda libertei três e tive talvez mais uns cinco ataques que me pareceram de peixe pequeno, o frio que até cortava foi a minha companhia a tempo inteiro, claro que no final aqueci ao subir a falésia, foi uma boa aposta pescar aqui e logo na primeira vez e safar dois Robalos porreiros…


As duas capturas da noite, que saudades que eu tinha de apanhar um Robalo a corricar.



Bom mas depois do peixe arrumado era tempo de confortar o estômago, uma carne no forno com batata-doce e um copo de vinho caiu que foi uma prazeria do caraças, um gajo tem de comer alguma coisa 😋


A seguir para amaciar a digestão, um 12 anos com frutos secos 😉


No dia seguinte um sol quentinho para me vingar do frio que rapei à noite…


Aproveitei para dar ali uma limpeza naquilo que até metia nojo.
Nos dias de hoje muita gente sabe o preço desta cana ou daquele carreto, mas pelos vistos são poucos os que sabem quanto vale a Natureza.
Saúde e força aí pessoal.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Dia de Tempestade

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Espero que tenham passado um bom Natal perto daqueles que mais gostam, sei que nem sempre é assim porque a vida não é como nós queremos, mas; enfim…
Bom, mas com aquelas tempestades que fizeram na semana passada, escolhi um dia para fazer uma jornada de surfcasting aos Sargos, eles não apareceram em grande quantidade mas pelo menos eram bons.


No dia antes dei um saltinho à praia para ver como aquilo estava e escolher uma zona que me agradasse, o mar nesse dia era forte e com muito vento, dei por ali uma voltinha e fiquei logo com uma ideia de onde poderia fazer esta jornada.
Já no dia de pesca, cheguei à hora que achei melhor e montei o material nas calmas, fiquei desanimado porque vi muito limo na areia e antevi uma jornada difícil, até tive as minhas dúvidas se ia conseguir pescar, no dia anterior com mais mar o limo era menos.
Numa jornada de Surfcasting há três coisas muito importantes, o planeamento do pesqueiro, a preparação e verificação do material e a escolha/preparação do isco.


Depois de insistir em pescar com as duas canas fui obrigado a encostar uma devido ao limo que ficava no nó do chicote e me fazia perder bastante tempo a removê-lo.

Na outra cana já não aconteceu isso, apesar de também apanhar limo mas não me dava tanto trabalho.
Entretanto chegaram mais pescadores que também tinham dificuldade em pescar por causa do limo e rapidamente desistiram, para além disso não conseguiam agarrar as pescas no sítio certo e vinham logo parar cá fora, um até já meio desesperado quase que me acertava com a chumbada depois de andar para ali a fazer macacadas (lançamentos OTG).


Aos poucos a pesca foi acontecendo e mesmo a pescar só com uma cana, lá fui juntando uns pexecos porreiros e de boa bitola com alguns Sargos kileiros onde o maior acusou 1,300kg; que saudades que eu tinha de sacar um casmurro destes, gosto de lhes chamar casmurro porque quando chegam ali à borda de água recusam-se a sair dando umas valentes cabeçadas e que me obrigam a trabalhar o peixe com cuidado, principalmente quando estou a pescar fino.
Depois de tirar esta foto ainda apanhei mais três de 500g que já não pousaram para a foto de família, ao todo trouxe dez peixes porreiros para casa numa pesca que quase não acontecia.


A garrafa de água não deixa enganar a qualidade de alguns Sargos que andavam por ali naquele dia.


Como se já não bastasse ter de esperar semanas por mares bons para se fazer umas boas pescas, este ano ainda há mais este obstáculo que teima em permanecer nas praias.


Um dia destes o gang dos petiscos juntou-se para mais uma jantarada de Natal, o João Santana ensinou-me a fazer umas lulas que ficam uma categoria; nesta foto o João mostra quem é o Mestre da cozinha.


Lulas e arroz feito pelo João; um gajo tem de comer alguma coisa 😃



Eu fiz uns periquitos fritos, os moços têm de comer alguma coisa para além das lulas 😂 


O gang dos petiscos no jantar de Natal, aqueles dois carecas até parecem irmãos hahahaha…

Bom pessoal, por hoje é tudo, depois de uma semana de Invernada, agora tem feito uns dias tranquilos e solarengos, infelizmente houve por aí uns estragos mas por mais destruidora que a Natureza seja, ela será sempre melhor e mais perfeita do que a espécie humana.

Se não nos “vermos” mais, um Bom Ano para todos aqueles que me seguem e que gostam de vir aqui ler os meus relatos de pesca.
Saúde e força aí pessoal.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Robalo Natalício

“Surfcasting”
Boas pessoal, já havia uns dias que não publicava nada, poucas têm sido as vezes que o mar faz feição de se apanhar uns peixes e quando o faz o peixe não comparece ao encontro.
Nesta altura do ano há muitos pescadores que procuram o tão cobiçado Robalo Natalício, eu não sou excepção e também fui procurar o meu, aproveitei uma pequena quebra que as condições meteorológicas deram entre duas tempestades e fui tentar a sorte.

Esta tem sido uma semana de Invernada que já fazia muita falta, pelo menos aqui no sul, mares de tormenta são bons para mexer e remexer os fundos. Estamos num ano atípico no que diz respeito ao limo na Costa Sul e estes mares podem ajudar um pouco na eliminação desse limo (lixo). Vejo por aí pessoal a queixar-se que não tem sorte na pesca por causa do mau tempo e do estado do mar, pois a meu ver esse mau tempo e mares grandes são a nossa sorte para se poder apanhar uns bons peixes no futuro seja ele próximo ou longínquo, isto sim é um verdadeiro defeso natural e para TODOS, também me custa ficar sem pescar nos sítios que mais gosto durante semanas ou meses, pois levo o ano inteiro à espera do Inverno para pescar e por aqui o Inverno resume-se a quatro meses que passam num abrir e fechar de olhos, há quem diga que os Algarvios têm sorte porque podem pescar quase todos os dias, desenganem-se porque mar chão não é sinónimo de peixe e muito menos de grandes pescarias, o mar tem de fazer feição em determinadas alturas para o peixe abeirar para comer, se não o mais certo são chibos atrás de chibos como se costuma ver por aí o pessoal a falar nas redes sociais.

Finalmente a chuva chegou, seja ela bem-vinda pois tanta falta faz para a vida na terra e também para a vida no Mar, embora hoje em dia já dê por a mim a pensar que as ribeiras e riachos que desaguam para o Mar e que antigamente levavam muitos e bons nutrientes, hoje levam também agroquímicos das hortas e plantações assim como os óleos e combustíveis dos automóveis que estão nas estradas e que com as chuvas acaba tudo por ir parar ao Mar, entre outras tantas coisas que usamos em nossa casa no dia-a-dia e que nem nos lembramos que no final tudo acabará no Mar, “Áh e tal essas águas passam nas estações de tratamento” tretas, desculpem lá mas a mim não me enfiam os dedos no olhos porque eu não deixo…


Bom pessoal mas vamos lá à jornada e vou tentar resumir ao máximo para não esticar muito o relato. Depois de estudar as condições e pensar no spot em que ia apostar e já saber que ia apanhar chuva, claro; não estou a reclamar, pois ela faz tanta falta que nem tenho o direito de reclamar, cheguei cedo para ver como aquilo estava e embora não estivesse um luxo dava para desenrascar e antes que chegasse alguém e me “roubasse” o lugar apressei-me a montar as canas, depois tudo o resto já terminei nas calmas. 

A actividade de peixe aceitável era fraca e ainda devolvi três bailas pequenecas, já noite fora tive a felicidade de ferrar este Robalo que para variar era filho único mas pelo menos era dos bons, na mesma cana e mais tarde ainda tive uma boa porrada mas não ficou.
Posso dizer que fiquei satisfeito com o resultado, pois nos dias que correm não se pode pedir muito, fiz o que pude para rentabilizar ao máximo o tempo que estive a pescar mas não consegui aproveitei mais nenhum peixe, o único ponto negativo foi o limo que continua a não dar tréguas…



Pode ser que não chova!! Hahahahaha deve ser isso deve, fia-te na virgem e não vistas o corta-vento não…


Depois da pesca aconcheguei o estômago com umas broas de amêndoa e um JB 15 anos, um gajo tem de comer alguma coisa, atão!!!


A apanha do lixo desta vez não foi muita, mas sempre ouvi dizer que mais vale pouco do que nada…
Eu pelo menos ainda apanhei este agora a “Greta” aquela é boa é pa falar, discursos e palestras que até faz lembrar os políticos, eu não tenho nada contra a miúda mas nunca vi um vídeo ou uma foto sua a apanhar lixo marinho, nem vou dizer mais nada…


Aí um dia destes combinou-se um jantar de Natal com uns amigos da pesca aqui do Sul como já vem sendo hábito nos últimos anos, tudo malta simples e porreira, muitas gargalhadas e galhofa neste convívio onde comida e bebida não faltou, e o medronho caseiro até foi de mais 😂


Enquanto o pessoal falava e esperava pelo prato principal eu resolvi garantir logo a pesca ali com uma travessa de camarões que ninguém lhe tocava, a mim ensinaram-me que primeiro come-se e depois logo se fala, aí não 😉 



Bom pessoal por hoje é tudo, não é que eu ligue muito ao Natal, mas Natal é Natal e por isso desejo um Bom Natal a todos aqueles que me seguem e que gostam de ler os meus relatos de pesca, uns bons e outros menos bons, pois isto não é como eu quero é como a vida e a Natureza manda.

Quando puderem apanhem algum lixo na orla costeira para ajudar o meio ambiente, mesmo que seja pouco sempre ajuda mais do que falar da boca para fora ou discutir o assunto nas redes sociais, entretanto pode ser que o Pai Natal lhes ponha umas escamas na bota 😏
Saúde e força aí pessoal.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Quem não Arrisca não Petisca

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Com os primeiros mares de Inverno a baterem à porta da Costa Sul as praias começam a ser “lambidas” por algumas ondulações, pena o limo que ainda continua presente em certas zonas da costa…


As primeiras chuvas do ano são sempre boas e todos os anos anseio por estas chuvadas que de uma maneira ou outra arrastam alguns nutrientes para o mar, é excelente para fazer abeirar uns peixes em certos pesqueiros e se isto tudo for acompanhado de alguma ondulação melhor ainda.
A chuva faz muita falta e principalmente aqui no Sul, a cada ano que passa é menos e mesmo assim ainda se vê por aí ignorantes que reclamam quando está um dia de chuva, pois digo a essas pessoas que chegámos a um ponto em que ninguém tem o direito de reclamar, nem com a simples e velha desculpa do (porra tinha de ser logo hoje) é que faz mesmo tanta falta que na minha opinião ninguém deve de reclamar e sim olhar para ela como uma coisa abençoada.


Bom, mas vamos lá à jornada que quase que não acontecia, não por causa da chuva que neste dia até nem foi muita (como sempre por aqui) mas sim por causa do vento, este sim era o meu inimigo nº1 para além do limo que tem permanecido na Costa.
Agora com as praias livres e limpas dos enfeites balneares, que quase metade do ano são entregues aos novos chefes do mundo e seus amigos que mandam e comandam o desenvolvimento de um turismo excessivo, agora já nesta altura do ano é mais fácil escolher uma praia para fazer uma jornada de pesca.
À última da hora lá decidi arrancar para a pesca e fiz ali duas sandes de nada com molho de coisa nenhuma para enganar o estômago e tentar fazer uns peixes durante o dia, quem não arrisca não petisca…


Posso dizer que este foi um dia com muita actividade por parte do peixe logo no início da jornada, entre Sargos e bailas muitas foram as devoluções que fui fazendo ao longo desta jornada e ao mesmo tempo tentava seleccionar uns peixes para levar para casa, decidi logo no início que bailas só levava se tivessem 30cm, como nenhuma das que apanhei tinha essa medida foram todas devolvidas embora algumas delas tivessem quase, ficam para outro dia 😉
Já os Sargos juntei 17 exemplares entre as 400 e as 800g, confesso que fiquei bastante satisfeito com o resultado desta pesca, com o que eu tenho ouvido falar por aí, acho que foi uma boa pesca…


Quando arrumo o peixe meto os maiores em baixo e os mais pequenos em cima ao contrário dos espertalhões que tapam os pequenos com os maiores.


Com a pesca já quase arrumada e com uma cana ainda montada, ao final do dia com o céu completamente encoberto lembrei-me (E se eu aguentasse aqui mais duas ou três horinhas a ver se cravo aqui um Robalo perdido) assim foi, aguentei-me ali mais 3 horinhas à espera de um velhaco que andasse por ali perdido ao entardecer, mas nada; foi em vão mas sem sentimento de culpa, porque quem não arrisca não petisca…



Nas últimas marés grandes fui ali à Ria numa manhã apanhar uns lingueirões para fazer um arrozinho 😉  


Na apanha dos lingueirões e quando passava uma regueira com água pelo joelho saiu-me um choco à frente, encurralei-o ali numa poça e joguei-lhe as garras, começava bem esta ida à maré.
No dia seguinte foi o meu almoço, o choco que me desculpe mas um gajo tem de comer alguma coisa 😋

Saúde e força aí pessoal.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Robalinho de S.Martinho

“Surfcasting”
Boas pessoal!
O frio chegou e as folhas já caíram, à medida em que o Outono se transforma no Inverno dá-me ganas de ir para a pesca e ficar por lá uns dias com ou sem peixe, pois o que eu gosto mesmo é de me sentir livre e desfrutar do contacto com a Natureza.

Parece que nos dias de hoje para se andar por certas zonas junto à Costa sem ver excesso de pessoas nas praias outrora desertas é preciso estar umas condições tipo “hardcore” como as que estiveram no dia em que fiz esta jornada.

Neste dia a exigência do mar associado às condições do pesqueiro pediam lançamentos longos, ou pelo menos eu tentava fazê-los mas nem sempre me saiam bem devido ao vento frontal que se fazia sentir, a ondulação pediu-me chumbadas de garras e eu dei-lhe, ou era isso ou então não pescava.


Foi uma jornada de pesca em que o objectivo nrº1 era relaxar dois dias e tirar algumas duvidas que pairavam na minha cabeça com um ponto de interrogação "???"
A noite apresentava-se fria e húmida, um vento moderado na cara prometia chatear-me a tempo inteiro, equipei-me a rigor para uma noite que se esperava difícil e sofrível, por vezes mesmo com chumbada de garras a força do mar arrancava a pesca do fundo e “cuspi-a” para fora, aconteceu pelo menos três vezes.

Neste dia só pesquei com uma cana porque achei que fosse melhor assim, as condições pediam atenção redobrada e pesquei apenas durante algumas horas.

Este foi o único peixe da jornada, que me deu algum trabalho e ao mesmo tempo vicio durante a sua cobrança, pois na altura em que o recuperava, um set com bastante força varreu a praia com uma forte corrente lateral obrigando-me a deslocar uns bons trinta ou quarenta metros para a esquerda a acompanhar o peixe, e quando pensava eu que o pior já tinha passado, aquela água toda escoou para fora através de um agueiro que fazia ali ao lado e o peixe aproveitou essa “boleia” claro, por momentos ainda temi o pior, pois tenho más recordações de perder peixe em condições semelhantes, com calma aguentei o velhaco e aos poucos fui diminuindo a distância que ficava entre mim e ele, quando o vi em seco foi um alívio do caraças e disse falando comigo mesmo que a pesca estava mais que feita, pois nunca pensei de apanhar um peixe bom com estas condições.

O mar deu luta mas eu não me rebaixei e quase no final da pesca tive a minha recompensa, no entanto; pouco tempo depois o mar subiu conforme as previsões anunciavam e quando a maré rodou o limo apareceu do nada e aí sim, não tive alternativa a não ser arrumar o material e ir descansar.



No dia seguinte e já ao entardecer antes de vir embora um mar violento varria literalmente a Costa tornando impraticável qualquer tipo de pesca ao nível do mar.


A última palavra cabe sempre a esta Majestosa Costa que se perde de vista no horizonte e que me faz sonhar tantas e tantas noites.



Mais uma apanha de lixo que tentava enfeitar a Natureza, uma saca cheia e mais qualquer coisa.



Hoje em dia todo o dia é dia de qualquer coisa, 90% deles passam-me ao lado, mas o dia de S.Martinho sempre gostei de celebrar com umas castanhas assadas e qualquer coisa para desembaçar, afinal de contas um gajo tem de comer alguma coisa não!!  😉

- No dia de São Martinho vai-se à adega provar o vinho.
- No dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
- Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho.
- Pelo São Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
- Óh meu São Martinho dá cá um Robalinho 😂

Saúde e força aí pessoal.