“Surfcasting”
Boas
pessoal!
Assim que iniciei
a minha temporada este Inverno e isso vai de Outubro a Abril sensivelmente como
muitos de vocês sabem, disse a mim mesmo que ia aproveitar todas as
oportunidades que estivessem ao meu alcance tal como fazia antigamente, tenho
abdicado de muita coisa nos últimos meses por causa da paixão que tenho pela
pesca invernal, tenho patinado muito, rapei muito frio, apanhei alguma chuva e
também tenho feito muitos kms, tamanha dedicação faz com que os resultados
apareçam mais cedo ou mais tarde, mas não se iludam meus amigos porque detrás
desses resultados existem muitas negas, muitos chibos, muitas desilusões, muito
limo e muitas dores musculares e articulares causadas pelo cansaço e dezenas de
noites mal dormidas. Tamanha força de vontade renasceu de situações menos boas
pelas quais todos nós passamos e que por ironia do destino nos tornam mais
fortes, mais resistentes e no meu caso ainda mais teimoso do que eu já era…

A tempestade
“Jana” andou por aí a fazer das suas, foi um sistema depressionário com muita
chuva, muito vento e com bastante agitação marítima que entrou com boa direcção
aqui na costa sul do sul, já havia uns dias que estava de olho nestas
previsões, seguia todas as actualizações meteorológicas para escolher o dia
certo e a hora exacta para atacar, estava mesmo decidido que tinha de aproveitar
estas Invernosas condições que “Jana” me oferecia fosse onde fosse, sinceramente
até nem me importava de não apanhar peixe, mas ao menos ficava com o sentimento
de dever cumprido e consciência tranquila.

Depois de
estudar bem as condições e ter pensado em três praias possíveis para aquele dia
saí de casa umas horas antes e fui observar atentamente uma por uma até me
decidir pela praia onde eu já não pescava há quase vinte anos, tal ausência deve-se
a ser demasiado concorrida e eu não gosto de pescar com vizinhos a não ser que
sejam conhecidos ou amigos, só que neste dia derivado ao vento penso eu haviam
apenas dois pescadores e bem afastados do sítio que me agradou bastante e fiquei
com o feeling de que aquele fundão de águas tapadas ia dar cartas naquela
noite.
Desta vez
não apanhei chuva mas a máquina do vento estava ligada e havia bastantes
vestígios do temporal que durante dias castigou esta praia com a forte
ondulação, por mais leis que inventem será sempre a lei da Natureza que será a
mais forte de todas as leis…
Antes de
deixar a carrinha e meter a carga às costas para seguir caminho até ao pesqueiro
ainda aqueci uma salada de ovas que era para comer fria mas
naquele dia apeteceu-me qualquer coisa quente com um copo de vinho, um gajo
também tem de comer alguma coisa atão!!! 😋

Com os vadeadores a pedirem reforma e sem tempo para os remendar decidi vestir o fato de neopreno e montei as
canas só ao final da tarde ainda com algum vento incomodativo mas já com menos
intensidade do que esteve durante o dia e a previsão era perder ainda mais
força com o passar das horas, o meu maior receio era o limo e a ruama, mas depois
de um primeiro lançamento para apalpar o terreno detectei que o limo felizmente
era pouco e a ruama zero, para começar era um bom sinal, já com as duas canas
lançadas os minutos passavam as horas passavam mas sinal de peixe nada e o
vento apesar de ser menos era chato, há dias de pesca que mais vale desistir,
mas alguma coisa me dizia que neste dia desistir não era a opção certa e quando
me apercebi de que nem os sargos andavam por lá comecei a apostar tudo nos
Robalos a ver se apanhava pelo menos um de bom tamanho para safar a pesca, fiz
um ponto da situação e estabeleci uma hora limite para arrumar a tralha se não
aparecesse pelo menos um Robalo jeitoso.

Foi então
que quando me viro e olho para uma das canas estava completamente dobrada, ao
contrário do que muitos pescadores fazem de ir a correr para a cana, fui
caminhando calmamente em direcção da mesma com os olhos postos naquela ponteira
que permanecia vergada e me enchia a alma de prazer, pois acho que a pescar sem
pedras por perto não tenho necessidade de forçar demasiado um peixe que acabou
de se ferrar e ainda está cheio de força, outra coisa que também me faz
confusão e que vejo bastante em vídeos de pesca é aqueles pescadores que dão à
manivela com o drag demasiado aberto, ou seja em dez voltas que dão á manivela
recuperam 1m ou 2m de linha, drag um pouco aberto sim mas nem 8 nem 80.
Bom, peguei
na cana e de imediato senti uma reacção agressiva do lado oposto, o velhaco
deu-me ordem para não apertar com ele, e ordens são ordens, fui recuperando
lentamente tentando amortecer sempre as cabeçadas que o velhaco dava ao mesmo
tempo que ia caminhando pela praia e com a ajuda do mar o peixe acabou por sair
algumas dezenas de metros mais à esquerda, era um belo Robalo grande e bonito
que foi guardado na saca, confesso que apesar de estar naquele momento a fazer
uma pesca direcionada para Robalos grandes não estava à espera de ser presenteado
com um deste calibre, claro que fiquei super feliz e de seguida isquei e lancei
novamente aquela cana, faço uma revisão à outra e a iscada estava tal e qual eu
a tinha lançado, nisto olho para a cana que tinha apanhado o peixe e já estava
dobrada outra vez (disse logo para mim a falar sozinho: então só gostam
dessa, é mais bonita do que esta!!?) comecei a recuperar e logo me apercebi que
tinha lá outro velhaco dos bons, trabalhei-o da mesma forma que o outro e um
pouco depois já estava em seco, este um pouco mais pequeno do que o
primeiro foi guardado na saca também, tal como disse no relato anterior não gosto
que os peixes se sintam sozinhos dentro da saca 😊
Meus amigos
não querendo entrar em muitos pormenores para não alongar demasiado este
relato; pesquei mais cerca de 1h e sem sentir qualquer peixe decidi terminar
esta jornada e arrumar a tralha, pois a pesca estava mais que feita e ainda
vinha a horas decentes para casa e dormir umas horas, pois no dia seguinte
havia muito trabalho de limpeza para fazer ao material e preparar este relato
para vocês…

Terminei
esta pesca bastante satisfeito e até houve tempo para uma foto brincadeira, não
sei se também acontece convosco mas quando desmonto tudo para ir embora o
material nunca me cabe na mochila ou no ceirão 😄😄
Descobri um
cantinho com uns belos lingueirões e achei por melhor trazê-los comigo antes
que algum velho fosse ao cheiro deles 😉
Um lingueirão
à Homem, acho que foi o maior que apanhei até hoje, tinha 15cm…
Bom pessoal
por hoje é tudo, obrigado a todos aqueles que leem e comentam assiduamente os
relatos que eu aqui escrevo para vocês, haja saúde e até uma próxima…