sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

No aceio da manhã

“Spinning”
Boas pessoal!
No início da semana o mar deu uma pequena quebra a norte, mas apenas dava para pescar ali um par de horas no aceio da manhã. Como não queria ir lá para pescar ao nascer do dia apenas, decidi ir na tarde do dia anterior e fazer logo duas investidas durante a noite em locais distintos virados a sul que ficavam de caminho para aproveitar ao máximo e assim tentar fazer render os kms da viagem, da melhor maneira possível…

Tudo começou ao final da tarde/início da noite numa jornada em que acompanhei a vazante, durante 3h andei a bater uma zona a pente fino num ritual em que trocava de amostra a cada vez que voltava ao ponto de partida, o resultado foi ZERO…
Enquanto a maré esteve vazia aproveitei para ir a outro spot que ficava de caminho e desta vez fiz a enchente, praticamente igual à investida anterior, nada de peixe; nem pequeno nem médio e muito menos grande, ZERO…

Estava na hora de rumar ao meu objectivo principal, um laredo da Costa Norte onde por vezes aparece um Robalo para fazer as delícias de quem gosta de pescar nestes spots de difícil acesso, escondidos, húmidos e escorregadios…
Já passavam das 2h da manhã quando cheguei ao local e às 6h queria estar a pé, o tempo para descansar não era muito, mas como diz o meu amigo “Saco Plástico” (a hora de deitar não tem nada a ver com a hora de levantar) visto desta maneira até funciona, abri o vidro da carrinha e ouvi o mar a “rosnar” lá em baixo e pensei (só espero que desça um pouco pela manhã como dizia a previsão), eram horas de descansar um bocado…


O sol timidamente foi aparecendo anunciando assim um novo dia.

 Às 6h da manhã toca o despertador, estava tão bem dentro do saco cama que nem me apetecia sair dali, abri o vidro e entrou uma aragem de Norte que quase me congelou o bigode, mas quando as oportunidades de fazer algo especial se resumem a meia dúzia de vezes por ano como era o caso, não podia perder tal oportunidade só porque dormi mal nessa noite ou porque estou confortavelmente bem dentro do saco cama como era o caso, afinal de contas era para isso que ali estava e oportunidades de spinnar ao Robalo no aceio da manhã virado a Norte durante o Inverno são muito escassas e oportunidades para dormir tenho todos os dias…

Tenho um truque infalível para estas ocasiões, o CD mágico que está sempre dentro da carrinha, CD a tocar quase no máximo e vidros abertos, toca a vestir o fato de neoprene que estava gelado e lá vou eu com muito cuidado para ver onde punha os pés, minutos mais tarde estava lá em baixo.


Tal como eu desconfiava o mar ainda tinha um toque um pouco forte e impossibilitou-me a pesca com amostras tipo (jerkbait) e tive de me render aos vinis, levo sempre vários tipos de artificiais para os  mais diversos cenários, pois nunca sei ao certo o que vou encontrar no "terreno de batalha".
Não demorou muito até ter um belo Robalo lutador a cabecear lá longe, teimava em ir para fora como que sabendo o que estava a fazer.
Já tinha sentido o vinil bater nas pedras e fiquei com receio de perder este Robalo, um set forte na altura ajudou-me a encosta-lo aos meus pés, aí só tive de trabalha-lo com a Cautiva ao alto o Raybraid esticado e esperar pelo momento certo para o meter cá fora, visto assim parece fácil mas cheguei a temer o pior, pescar nestes sítios tem alguns riscos mas quando tudo acaba bem tem um sabor especial 😊
O Robalo nesta altura encontra-se mais em modo territorial, o que não que dizer que não faça umas caçadas se a fome apertar, foi o que aconteceu pois o vinil vinha completamente dentro da boca deste peixe que certamente era um caçador dos laredos…


Uns gostam de passear nos centros comerciais, eu gosto de passear aqui…


Material utilizado
Cana:  Cinnetic Cautiva 3,30m
Carreto:  Cinnetic Cautiva ll 4500
Linhas: multi  RayBraid 0,18 com chicote 0,40 Skyline da Cinnetic
Artificial responsável pela captura: Vinil


Nesta vida não se pode ter tudo…


Havendo fome qualquer coisa serve, uma sopa dos pobres para confortar o estômago antes da viagem para casa…


E é neste estado que se encontram os laredos da Costa Norte, numa Costa linda e maravilhosa, recentemente invadida por turistas de todo o mundo, considerado Parque Natural onde a partir do dia 1 de Fevereiro apenas o pescador de cana está PROIBIDO de apanhar um sargo para comer, enquanto isso pode assistir no cimo da falésia os barcos a estenderem as redes onde o mar o permite e apanharem Sargos às centenas...
O lixo marinho esse continua lá em baixo escondido a degradar-se no meio ambiente e fora do alcance das objectivas que apenas apontam para o por do sol “congelando” aquele momento lindo e maravilhoso.
Enquanto se deviam criar equipas especializadas em apanhar lixo nestes locais criam-se equipas especializadas para apanhar o “Sr.Alberto ou o Ti Joaquim” que foram apanhar um Sargo para almoçar com a “Maria”


Pelo que tenho visto posso dizer que 50% do lixo que encontro em praias e laredos é de pescadores profissionais, 40% é de barcos que passam ao largo da nossa Costa e 10% de pescadores lúdicos e utilizadores das praias…


Eu sozinho não consigo apanhar todo, mas pelo menos dou o meu contributo quando posso…


Sua majestade


Sejam conscientes, libertem os juvenis e ajudem a manter a Natureza e o Oceano o mais saudável possível...
Até à próxima e força aí pessoal.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A Burra

Boas pessoal!
Um dia destes estava assim meio indeciso se ia ou não à pesca e quando assim é o melhor é ir mesmo, pois nunca se sabe o que nos espera e só indo é que se pode tirar as dúvidas e foi o que aconteceu…
Mas preparar uma pesca à pressa é coisa que nunca corre bem e para começar esqueci-me da luz que costumo usar, o que vale é que tenho sempre uma suplente (dos chineses) no ceirão para no caso de haver algum azar.
A viagem para lá também foi meio stressante, pois mais uma vez quando um gajo anda à pressa parece que nada corre bem, fiquei preso nas obras da Rua EN:125 e só pensava (tanto peixe à minha espera e eu aqui parado) é sempre o que um gajo pensa quando vai à pesca hehehehe, bom mas eu queria chegar ainda de dia e quando entrei numa zona de terra batida que conheço bem meti pata a fundo que aquela coisa até fazia pó na lama…


As Douradas este ano prolongaram a sua estadia por cá no Sul devido ao verão comprido que tivemos e não é de admirar que se apanhe uma ou outra perdida que vaguei por aqui junto à costa, não foi ao acaso que fiz a escolha deste pesqueiro pois sabia que podia ter a sorte de apanhar alguma, embora confesso que o objectivo eram os sargos mas estes foram poucos, tirei apenas dois mas como não eram nada de especial não tiveram direito a foto.

Estava eu relaxado e a ouvir o som do mar quando de repente uma pancada violenta quase que fazia cair a cana e assim que a agarrei tive a certeza de que tinha ali um belo peixe, demorei foi a admitir que seria uma Dourada destas, sempre teimosa e lutadora durante a recuperação mas foi quando ela encostou à falésia que eu vi que estava metido em trabalhos, pois meter o cesto à noite e sozinho a uma altura considerável não é tarefa fácil...

Naquele momento dezenas de metros de SkyLine 0,50 faziam união com 2m de MIMETIC 0,40; ambos roçavam na falésia e nas rochas, cheguei a temer pelo pior mas com calma e jeitinho lá consegui encestar a burra que se debatia lá em baixo, a força do mar não ajudava em nada e tudo feito às escuras ainda piorava mais a coisa, assim que a senti dentro do cesto virei-o e icei-o uns metros para o afastar do mar que batia com força na falésia, quando o “elevador” chegou cá a cima é que realmente vi que o cesto vinha preenchido com uma bela Burra com o rabo de fora, tinha apanhado uma Douradona acima de 3kg em Janeiro, se estivesse gorda certamente o peso seria outro...

Mais tarde e depois de algum tempo sem sentir qualquer actividade pensei (vou mas é arrumar a tralha e picar a mula que se faz tarde…)


O tempo na Costa Norte está de poucos amigos, está do lado dos peixes e só a pescar em altura e em certos pesqueiros se poderá tirar algum proveito da pesca, temos de aceitar pois acredito que estas condições nos tragam grandes alegrias no futuro. Não só em Robalos, Sargos e Bailas mas também em Douradas que são alvo da pesca embarcada no inverno…
Ao que me parece e em conversa com pessoal que anda ao mar este tem sido um ano bastante fraco em cefalópodes (choco, polvo e lulas) pelo menos é o que tenho ouvido falar aqui no sul, escassez ou anos menos bons, vai-se lá saber…


O que mais me consolava era saber que tinha uma sopa de feijão para aconchegar o estômago às 3h da manhã, e para empurrar um copo de Rio Mira 😋


Farol do cabo de S.Vicente, onde a terra acaba e o mar começa…


Saúde da boa e não se esqueçam da regra nº1 (deixar sempre o pesqueiro mais limpo do que estava)
Força aí pessoal.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Não está fácil

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Nas últimas semanas não tem sido fácil programar ou decidir onde fazer uma pesca, a Costa Norte tem sido para esquecer, o mar não está de amigos e ao que parece não tem fim à vista, aproveito para dizer mais uma vez que o defeso natural é bom e faz falta, pode continuar assim mais umas semanas ou até a Mãe Natureza achar que tem de ser, ela saberá o momento exacto para parar.

 Embora esta semana tenham saído uns pexecos bons na Costa Sul, esta ao contrário do que muitos pescadores do centro e norte pensam é uma Costa muito ingrata, o pessoal de fora pensa que um gajo que vive no Algarve tem sorte em poder pescar 300 dias no ano, o que é um engano; pois eu troco esses 300 dias de pesca na costa sul por 10 dias de pesca na zona centro e norte, lembrem-se que o que é demais também não presta… E já agora uns meses de defeso natural na Costa Sul também fazia falta, para não haver tantas redes e barcos a operar por todo o lado, não me admiro desta Costa ter semanas que parece um deserto sem vida, nem sei como é que ainda vai aparecendo algum peixe por aqui…


Esta foi uma jornada de surfcasting com águas tapadas, devido às chuvas dos últimos dias que trouxeram água suja das ribeiras para o mar.

Quando cheguei à praia havia alguns pescadores espalhados, que na conversa mostravam desinteresse pelas canas, pensei logo que aquilo não devia estar muito famoso, fui para o lado onde tinha menos malta e passei por uma personagem que só visto, tinha um carrinho de transporte que aquilo mais parecia o carrinho do homem que vende pipocas na feira, aquela coisa tinha prateleiras, tabuleiro para o isco, esferovite para espetar as agulhas, buraco para meter a tesoura, até cabide para pendurar o casaco aquilo tinha hehehehehe, como se já não bastasse pescava com as canas ao contrário (viradas para terra) ele há gajos que não sabem como é que hão-de dar nas vistas e fazem estas figuras, mais tarde vim a descobrir que a personagem fazia parte do gang dos fritinhos, pois guardava na geleira todas as mocharrinhas que apanhava, enfim…

Bom mas isto da pesca não importa como começa e sim como acaba, eu como não tenho paciência para brincar aos peixinhos aguardei para fazer a transição do dia para a noite, levava na mente fazer uma pesca selectiva e assim foi, a actividade nas minhas canas foi pouca ou nenhuma e este foi o único protagonista da jornada, já não me lembrava o que era vir coxo para casa, apesar de tudo foi bom sacar este belo peixe bem perto de casa, o entusiasmo era tanto que nem geleira levei J não me fiz velho e às 21h bati a asa  😊



Material utilizado
Canas:  Cinnetic Black Panther 4,20
            Cinnetic Panther Evolution 4,20
Carretos:  Cinnetic Cayman Black Evolution 7000
Linhas:  RayLine 0,18 nos carretos, chicotes Cinnetic e MIMETIC 0,40 nos estralhos



Aí um dia um amigo tinha me oferecido uns chocos que apanhou de barco lá fora e eu prometi que lhe oferecia umas amêijoas, como as promessas são para cumprir na semana passada fui apanhar umas ameijoinhas para lhe oferecer, a ver se o gajo depois me arranja mais uns chocos hahahaha  😉




Xôôô gato!!!! Não sei se lhe cheira a peixe ou a amêijoas, gato vadio risca-me a carrinha com as unhas e depois se eu lhe der uma "pazada" no lombo e alguém ver estou sujeito a ser denunciado porque tratei mal um animal. Eu depois logo vejo se é a (Liga de protecção dos animais) que me paga uma pintura nova... Afinal não é só na pesca que as leis estão erradas, parece que é mesmo defeito do país, tipo aquela em que um gajo não pode pisar a praia com uma roda do carro porque é considerado duna e zona de reserva e não sei quê e depois passam os gajos da policia marítima a PASSEAR de moto4 ou de pickup no meio da praia hahahhahahhahaha fonix!!!!!! Quer dizer pisar 1m de areia com uma roda faz mal, mas andar com as quatro rodas durante centenas de metros ou kms já não faz mal!!!!!!?? Enfim é o país em que vivemos...


Ria Formosa

Saúde e força aí pessoal.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A 1ª do Ano

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Com os mares de Inverno a não deixarem pescar onde eu mais gosto tive de optar pela costa sul ou então arriscava-me a ficar semanas sem pescar, é típico nesta altura do ano o mar e o vento forte não deixarem assomar à Costa Norte, é o defeso natural a falar mais alto e por muito que me custe, só tenho de aceitar a vontade da Mãe Natureza, ela que faça o seu trabalho e não tenha dó nem piedade daqueles que a desrespeitam e a destroem…


Bom mas falando desta jornada, depois de analisadas as previsões fui a um spot onde ainda não tinha ido nesta temporada, a expectativa não era muita porque a ondulação aqui era pouca, mas não havia muitas alternativas validas para este dia e isto da pesca é como no euro milhões, se um gajo não jogar é que não sai nada, então se um gajo não for à pesca é que não apanha mesmo nada…

O mar era pouco mas consegui detectar um fundãozito e foi para aí que lancei as minhas pescas, era final do dia e havia pessoas a passear na praia como é normal nesta altura das festas. Em cerca de trinta minutos fiz a pesca com dois Robalecos, mas pesquei cerca de 3h e ainda tive a visita de uma linda ferreira que foi libertada depois de levar um beijinho hahahahha…

 (As Ferreiras volta e meia visitam esta zona da Costa Algarvia, mas infelizmente são cada vez mais raras, com tanto estudo que dizem que fazem, defesos, protecções e proibições de tudo e mais alguma coisa, até de cavalos marinhos e pepinos do mar e não fazem nada para proteger esta espécie que quase desapareceu da Costa Algarvia)

Bom para a primeira pesca do ano não foi mau, agora todos esperamos que este ano seja melhor do que o anterior, sinceramente eu já perdi a conta de há quantos anos espero por esse ano melhor, esse gajo deve ter perdido o comboio ou então vem de moletas porque nunca mais cá chega…


Material utilizado
Canas:  Cinnetic Black Panther 4,20
            Cinnetic Panther Evolution 4,20
Carretos:  Cinnetic Cayman Black Evolution 7000
Linhas:  SkyLine 0,24 nos carretos, chicotes Cinnetic e SkyLine 0,37 nos estralhos


A minha melhor amiga nas noites frias deste Inverno e só porque estamos na altura das festas umas broas vêm mesmo a calhar 😉


E para aproveitar as marés desta semana fui ali apanhar umas amêijoas para acompanhar um copo de vinho, a muito custo lá apanhei uma boa “maxinha”

Apesar das previsões de pesca não serem animadoras para os próximos dias ou talvez semanas na Costa virada a Oeste há sempre um lado positivo no meio disto tudo, são as toneladas de peixe que não são pescadas pelos barcos profissionais (redes e aparelhos) e a velha desculpa de que (os homens têm família e têm de comer) vão ver como ninguém vai morrer à fome…
Saúde e força aí pessoal.